sábado, 30 de janeiro de 2016

reticências... dolorosamente pertinentes...

pela porta aberta entra a luz
a outra se fecha
tarda
faz dia alto
noite chega
de luto alma se veste...

alarga esperança
pinta céu
dança no espaço aberto
coberto de nuvens infinito
rasga sol imensidão
atento se faz caminho...

ação traduz palavra
neologismo por certo
verbo não tem tradução...

velho coração não mais sangra
desdenha do entendimento
duvida da realidade
olhos esmaecem
unhas crescem
tecem mãos à invisível sombra do passado...

não há de se descrer no entanto
nem se duvidar da força do espírito
corpo se cansa
vista se embaça
na calma do anoitecer
traça mente planos de feliz viver...

olhar vago traceja em volta
revolve tempos de infância ida
fala ao cão
acaricia o gato
mudo observar
infinito ensinar
a quem lhe quiser dar ouvido
a quem não se considerar ofendido
pelo esquecimento
a quem não se perceber amuado
pela repetição...

um ano mais nas continhas do cordel da vida
pouca lida agora lhe apraz
na lentidão do passo
na impertinência da rotina
domina vontade de adiante ir
se lhe dermos a mão
mas estamos atarefados
se lhe dermos um pouco do nosso precioso tempo
tempo que pensamos ter pra sempre na atual condição...

mil reflexões assomam à mente
desentendimento da vida
incompreensão do afeto
dura realidade da ingratidão
dúvida da filial condição
inutilidade da maternal dedicação...
reticências...
dolorosamente pertinentes...

ou não vivi no mesmo ninho...
ou não comi à mesma mesa...
ou não tive a mesma educação...

reticências... reticências... reticências...
não há rimas para estes tortos versos...
não há mais como abrir essa trancada porta...







quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

nova energia

mente de mil pensamentos
tempo de reflexão presente
aprimora sopro chegado
passo ao frio apressado
saber da companhia
alegria a transbordar
segredo a segredar...

nova velha intenção
coração acelerado
atinge limiar
ontem velou sonho
energia dispendeu
regou flor do desejo
hoje fruto colheu...

radical de profundeza
beleza de gosto sutil
inaudível ao incauto
abrasa
cresce
celebra
gera nova energia
incendeia a madrugada
transmuta ao calor da tarde
às estrelas inebria...




nesta e noutra vida

não compactuarei com a futilidade
com a falsidade da hora
com a demora da afabilidade
com a falta de compreensão
com o anunciado medo
com o segredo codificado
com o indizível
com o inintendível...

quero a leveza do olhar
lugar pra descansar por vezes
energia nos revezes
privilégio de desfrutar da alegria
braços em abraço abertos
coberta quentinha no inverno
fresca sombra no verão
irmão na luta irmanado
se de outra cor ou crença
daqui ou de outro lugar
importa o verbo amar
sangue nas veias guardado
pra dar sustento somente
gente a sorrir no contentamento
ao vento norte ou sul
neste ou noutro chão
mão estendida pra unir
construir
cantar
evoluir
ainda neste plano possível
pra voar na partida
feliz ser
nesta e noutra vida...

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

decepção

decepção parte
da vida
do crescimento
do entendimento...

consequência de expectativa... não sei...
fato fere
difere de sentires outros
provoca pensares
remete à reflexão...

aprender imperioso mister
não ofício qualquer
não oblíqua postura
não fala obscura...

estar aqui neste plano
difere em proceder
sentir
agir
crer...

ver-se nu ao espelho
sem retoques
sem artifícios
não pra muitos ofício...

nó não se desamarra
máscaras velam as caras
desamor administrado
pavor adorno rebuscado
agir de malefício...

aprendo destarte
decepção abençoada
ilumina caminhada...


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

essa é boa peleia

riqueza de vida se mostra
recosta cabeça no ontem
agora costurado no cuidado
abraçado futuro devagar
alma plena o deixa entrar...

traz sol a janela
ilumina mente
adentra frescor da manhã
espelha estrelas no fugir do dia
se fecha na ventania...

vida antiga fustiga memória
contos... histórias... sensações...
pleno ar nos pulmões gera respostas
sopram certezas
beleza na alma
sorriso rasga fisionomia
adiante
segue
acredita
tens sangue ancestral nas veias
essa é boa peleia...



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

porque a lei é divina

silêncio da casa reflete interna quietude
desbravada cotidianamente
calada
teimada
chorada
esperançada...

porque agora tem gosto
retomo desgosto
revejo etapas
comprovo bravatas...

porque hostilidade tem cara de bondade
inveja tem sorriso
desculpas vêm mascaradas...

porque bom e velho compromisso
ao largo passou
nem chegou...

porque azedo da lida
dor da ferida
um dia se vão
não em vão tempo de guerra...

porque reflexão traz serenidade
à luz de cada verdade
se faz cada estrada...

porque caminho tem jeito que nele se dá
chegada de um jeito se revelará...

porque pincel tem mágica escada
segura por mil guardiões
não despenco quando alguém a retira
ateio fogo às vestes da ira
invento nova estrada
oro na madrugada
porque a lei é divina...


domingo, 10 de janeiro de 2016

maude me esconde

não me procures na minha poesia
maude me esconde
responde
sente
se expressa...

oculto-me em sua saia
criança chorosa
me enrosco
me faço de novo...

maude de tranças
criança
amante
vibrante...

maude acredita no mundo
no sorriso
na alegria
no prazer do novo dia...

maude um dia quer partir
feliz
serena
como a primeira luz da madrugada...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

oro e vigio


viajar pela leveza do espírito
ao encontro de mim mesma
meu desejo
meu  sonho
minha concretude...

andar na tempestade
não me impede de chegar ao infinito céu azul...

tempo de dificuldade
me fortalece
me enriquece...

mente se clarifica na obscuridade
alma procura a luz
não sossobrarei ao vento...

edificarei minha sanidade
com a vontade
com a verdade
com a sinceridade
com o afeto...

oro e vigio
ao longo do caminho...