sexta-feira, 31 de maio de 2013

interno mundo

                                                       photo by maude poesia


interno mundo
verdadeira casa
amansa ser
ensina a querer...

interno mundo
nele me percebo
desde cedo
até o anoitecer...

interno mundo
nele me enrosco
me reservo
gato no inverno...

asculta-o
enxerga-o
desde profundo
ser
ensina a querer...

avança
anda
o céu já desanuvia...

trovoada abranda
chuva debanda
vento se espanta
friozinho se aproxima
ensina a viver...

ser assim
nuvem escura
ser assim
nuvem branca algodoada
na noite
completamente enluarada...

Gustavo Santaolalla - De Ushuaia a la Quiaca

quarta-feira, 29 de maio de 2013

saudade do poetinha

                                                              Vinicius de Moraes - 1913/1980



na mente os versos do poetinha
de tudo ao meu amor serei atento*
intento
quem sabe
de atentar ao passo da amada
ao compasso de seu coração...

antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto*
intento
quem sabe
de atentar ao quanto
de atenção precisaria
galhardia...

que mesmo em face de maior encanto*
dele se encante mais meu pensamento*
ah... doce poeta
saudade
aquieta tua alma
maior nunca seria
encanto aquém da covardia
que domina
que fascina
que mente
que separa
que silencia...

(* versos de Soneto de Fidelidade de Vinicius de Moraes)

novo dia

                                                                             photo by maude poesia

chuva lava rua
leva cisco
esconde lua
molha hibisco...

enxurrada de pingos
abundância de gotas
escorrem soltas
balburdiam folhas...

voam pensamentos
molhados no vento
batem asas
assombram casas
assobiam sorrindo...

bem-te-vis nos bananais
acreditam
depois da chuva
amarelecidos frutos
fundamentarão festa...

alimentação abundante
mente pulsante
ação arredia
novo dia...

domingo, 26 de maio de 2013

linda aparição

                                                              photo by maude poesia

silencio
um tanto
um pouco
demora sábia
quem sabe...

figuras geladas
passam apressadas
caminho do nada......

calada expressão
antevisão
processo
decisão contida...

silencio
um tanto
um pouco
repouso da mente
quem sabe...

abre-se a porta
com chave
com braço
com traço riscado no chão...

apuro da hora
de sobra
de cobra
carrega inspiração...

na ponta do ramo
linda aparição...

terça-feira, 21 de maio de 2013

travessia

                                                                    photo by maude poesia


tarde amuada
vida mudada
na intenção...

aos poucos sol tenta
inventa jeito
sem preconceito
pra iluminação...

amarelecem folhas
voam ao leve vento
deitam-se na calçada
lavam-se na chuvarada...

voa pensamento
também ao vento
até desvanecer-se
sem ter-se certeza...

travessia
travessia
travessia
das nuvens sol se irradia
enquanto a tarde vai alta...


segunda-feira, 20 de maio de 2013

de cima do armário

                                                                    photo by maude poesia


ensimesmados tempo
e alma
e entendimento
e momento...
                                                             
ensimesmada vida
que encanta
que canta
que balança
que dança
que se enrosca na procura
da cura
pra humanidade...

ah...insanidade não tem jeito
maldade não tem solução
egoísmo não tem emendas possíveis...

desajustar-se ao mundo doente
pura sanidade...

por aqui vou
siga por onde quiser...

horinha prefere observar
de cima do armário...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

a triste história da falta de respeito

                                                          photo by arturcruz.fotoblogue.com


invento verso
reverso sentimento
no sopro da tarde
arde descontentamento
amargo vento...

não lamento
verbo sem lugar
constato
espaço há
de sobra
pra contravenção
pra sacanagem
pra corrupção
pra golpes tantos
armações
logros
desrespeito geral
desrespeito total
em todos os níveis
em todos os lugares...

direito do cidadão
perdeu-se
em nome do engordamento do bolso de alguns
ah... estes alguns dominam
engessam
encaminham
maquinam
determinam como é
como será
ninguém objeta
ninguém quer dar a face
céu se encobre
esconder-se
não se importar
negligente
quase toda a gente...

enxergam o que querem
serei tachada
de qualquer coisa
de mil coisas
me acostumei
só não me acostumo com o que fere
interfere no fundamento...

mas pra maioria
ah... a maioria...
existem a novela das seis
das sete
das oito
das nove...

comovem-se com o drama na tela
na vida
ah... essa novela
será como der
ou como não der
quem se importa
boca rebocada
bunda à mostra
tetas expostas
pra se valorizar
assim a mulher
o homem
ah... assiste ao campeonato de futebol...

mentes vazias
valores
do noticiário manipulador
do comercial domesticador
no shopping center da vida
confortável pedida...

exagero... ah... por certo
alguns assim considerarão
a turma do deixa disso
pra que compromisso com a história...
descompromisso confortável
gera assim outra história
a triste história
da falta de respeito
consigo mesmo
com o outro
com o planeta...

mas... respeito
há muito se perdeu
infelizmente
mente pra pensar
avaliar
escolher
comprometer-se
em alguns somente
o resto
ah... vai com a corrente...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

varinha de condão

                                                        image in produto.mercadolivre.com


eventos
sons
fisionomias
desgostos
contentamentos
invasão de pensamentos
do fundo
na tarde calada...

universo em revolução
contradição
sofrimento
sorriso
cara amuada
lembranças
memória escancarada
ao final da tarde ensolarada...

quisera ter disponível
como nas tardes de infância
de leituras
de imaginação
linda varinha de condão...

transformaria um par de acontecimentos
passados
quem não gostaria
ter o poder de rever
refazer... digamos...
deslizes...

resolver antigas crises
girando no ar a varinha
como as princesas faziam
e desfaziam...

voltemos... pois...
voltemos
sabemos do impossível
mas ah...bom seria
poder experimentar tal magia...

quiçá bem malvadinha ficasse
talvez agisse como a bruxa alcéia
que tinha dois joelhos... cruzes...
ah...mas a meméia era boazinha
voava feliz em sua vassourinha...

melhor não ter a tal varinha
não asseguro que agiria
de maneira comportada
dissolveria pra sempre
com um girar de condão no ar
gentes a incomodar...
ihihih... ihihih...


                                                           image in www.gibizinho.com

sabor das tardes


                                    Érico Veríssimo e dona Mafalda, caminhando em Porto Alegre - RS - in www.rs.gov.br


érico preferia escrever à tarde
pela manhã caminhava
pelas ruas de porto alegre
com dona mafalda...

foi o que nos revelou
nos idos tempos da faculdade
numa noite de friozinho outonal
numa conversa informal...

entendo de érico a preferência
as tardes têm tanta paciência
um tal sentido de meio
do dia
parte vivido
parte entendido
ou não...

as tardes têm coração
as tardes têm alma
têm calma
têm sabor
têm frutos
têm vida
são muito mais coloridas...

lei da física





somos
sabemos
fazemos
o que queremos
mas temos resposta....

aborrecer os outros
causar desgosto
assim
como se fora
dono do mundo
hum... boa coisa isso não dá
assim é
assim sempre será
energia gerada
se expande
e vai
e volta
com a mesma força lançada...

lei da física
mais nada...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

da cancorosa e do maracujá

                                                                         photo by maude poesia

cancorosa chegou primeiro
mínima plantinha apareceu um dia
começou a crescer
desenvolveu folhas com espinhos
sua natureza
sua expressão de beleza...

já floresceu
encheu-se depois
de minúsculas frutinhas
agarradinhas aos caules
alimento a pequenos passarinhos
canarinhos creio
enleio de perceber...

não mostrou contrariedade
com a presença enredante
envolvente
dos ramos do silvestre maracujá...

me encantei com a cumplicidade
tão diferentes parecem
crescem
balançam
se lançam aonde for
pra compor ramada
meio desengonçada...

tutorei-os um pouco
como pude
sofri alguns fincões
ah...mas tudo vale a pena
minha alma não é pequena
hoje o maracujá floresceu...

não percebera botão
não sei se frutificará
aprendo linda lição
da cancorosa e do maracujá...

terça-feira, 7 de maio de 2013

invisivelmente presente

                                                            photo by apollo11.com


no horizonte cedo
sem medo
lua nova se renova
antecede o sol...

no arrebol se funde
ao azul do céu
às estrelas
vê-las impossível...

nova a lua se faz
invisivelmente presente...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

kreidimania - reminiscências de Vitor Ramil


Meus amigos do blog, há pouco recebi este email do Vitor Ramil.
Li-o num só respirar... Quanta poesia nas reminiscências do poeta, cantor, músico, escritor de Pelotas!
Solicitei permissão para compartilhar o conteúdo desse texto lindo!
Concedida a permissão, aqui segue o texto/poesia.
Obrigada a Vitor e a Ana Maia, sua secretária.
Deliciem-se com o texto abaixo.
Abraço e boa leitura!


Amigos,
 
sempre entendi Paul Gauguin, que saiu à francesa da efervescente Paris de seu tempo para se isolar no Taiti;Rimbaud, que chutou o balde da poesia antes dos vinte anos e se lançou numa vida aventuresca e solitária pela África; ou Kafka, que escreveu: “Se quiser lutar contra o mundo, comece apartando-se dele”. Entendo Raduam Nassar, que trocou a criação literária pela de galinhas, e Elomar, que não parece trocar por cantorias a sua criação de bodes lá nos longes do Rio Gavião. Todos fizeram uma grande arte e, durante ou depois, deram O Fora, assim, com maiúsculas. Não cheguei a fazer nem uma coisa nem outra, mas entendo todos eles. Minha arte não poderá redimir o acanhado fora que eu dei. Vivendo na “polinésia” do poeta Pedro Vergara, Pelotas, mais precisa ou imprecisamente, na cidade imaginária de Satolep, dedicado à criação de um dálmata engraçado, tornei-me apenas um desconhecido em toda parte. Exceto em Pelotas mesmo, onde sou quase uma celebridade. “Fala Kleiton Rodrigues!”, sempre grita para mim um flanelinha.Outro dia viajei de Porto Alegre para Pelotas com minha mãe e ela esqueceu no ônibus uma sacola. Liguei pra rodoviária e pedi para falar com o fiscal que minha família conhece há muitos anos, desde antes de meu irmão mais velho,Kléber, nascer, e que viajara conosco naquele dia “Oi, amigo, é o Vitor Ramil”, falei quando ele veio ao telefone. “Quem?” “O Vitor Ramil”, repeti. “Não conheço”, ele disse, secamente. Insisti: “Filho da Dona Dalva Ramil, Ra-mil, lá de Jaguarão, irmã da Dária e da Diva”. Ele foi taxativo: “Não conheço”. “Filho do Kleber Ramil, irmão do Dr. Kléber Antônio, da Branca, da Kátia, as gurias da Dona Dalva, lembra?, da dupla Kleiton e Kledir...?” E ele, já sem paciência:“Não, não conheço”. Desliguei o telefone e me toquei pra rodoviária. Quando fiquei frente a frente com o sujeito e disse que tinha ligado há pouco, ele se saiu com essa: “Pô, Kreidi, se tu me dissesse que era tu...” Na rua, seguidamente passam por mim e chamam: “Kleitokledir!” Abano sempre. Até autógrafo já dei: “um abraço, Kleiton” ou “Kledir”, dependendo do freguês. Raramente escapo do campo gravitacional dos meus irmãos. Mas tem um tipo que faz uma associação mais rara: “Vitor Ramalho, nosso cantor!” Certa ocasião, o gerente de um posto de gasolina, que a cada vez que eu aparecia para abastecer o carro me honrava com um título maior, “Fala, meu patrão!”, “Fala, meu diretor!”,“Fala, meu presidente!”, estava mais empolgado do que de costume (talvez porque eu estivesse com mulher e filhos no carro), então me olhou e disse: “O maior cantor do...” E parou. Deve ter pensado: “Do país não é, vai ficar ridículo se eu disser; do Rio Grande do Sul já seria demais; se eu disser ‘de Pelotas’ vai parecer pouco e periga ele não abastecer mais aqui...” Fizemos um silêncio abissal dentro do carro, movidos pelo interesse de não perder o que ele estava prestes a dizer. “...da Metade Sul!”, saiu finalmente. O aposto me persegue até hoje na intimidade do lar: “o maior cantor da Metade Sul”. Eu devia aparecer mais na televisão, em vez de fugir de tudo que é programa. Um dia desses,caminhava na rua, a uma quadra de casa, quando uma moto parou ao meu lado, no meio-fio. O motoqueiro, ainda de capacete, desceu e veio na minha direção.Pensei: “Morri”. Ele me fez parar, tirou o capacete e perguntou: “Tu morou no Rio um tempo, né?, toca violão, mano dos Kleiton... Legal. Te vi no canal tal essa semana, repete a toda hora. Prazer.” Então eu me lembrei que tinha dado uma entrevista num canal local, desses que a gente acha que ninguém assiste.Pois não é bem assim. Tem gente que assiste aos canais que ninguém assiste. Mas não são minhas esporádicas aparições na televisão as responsáveis pela kreidimania que me assola em Pelotas. São eles: os meus irmãos. Ninguém tem dúvida de que eu sou um kreidi. E isso não é do Deu pra ti pra cá, é coisa que vem lá da minha infância. Mesmo em casa, antes de começarem a ganhar a rua, eles já eram populares. A soma dos dois sempre gerou muita atração. No sistema solar familiar, eles eram o sol. De  tanto girar em torno deles, comecei a compor, a cantar, a tocar, a escrever. Eles me ensinaram também a atrair, mas, em minha órbita de caçula e sexto filho, adquiri antes o gosto pelas distâncias e solidões, uma condição que favorece o hábito da observação. Nosso pai era introspectivo e emotivo, a mãe era enérgica e criativa. Todos os meus irmãos e irmãs cantavam e tocavam um instrumento. Kleiton e Kledir, pela proximidade de idade e de interesses, formavam uma dupla antes mesmo de ter consciência disso. O Kleiton, especialmente, aglutinava os irmãos, pois, beatlemaníaco, era um aficionado dos vocais num ambiente em que havia vozes de sobra. Quando nos juntávamos para tocar e cantar, ele se punha a distribuir as vozes e centralizar as ações. Os Ramil soavam bem. Com meu pai conheci velhos tangos que o faziam chorar antes mesmo que atingisse o refrão; com minha mãe, valsas do fundo baú, voa, minha linda borboleta, voa laraiá, laraiá, e coisas de Francisco Alves ou Vicente Celestino que minha avó já gostava. “Aos pés da Santa Cruz, você se ajoelhou...”, cantava o Kléber, o primeiro de nós a compor e a se apresentar em público. “Kommt ein vogel geflogen...”, cantavam a Branca e a Kátia, a duas vozes, afinadíssimas. Kleiton e Kledir passavam das maravilhas de Barbosa Lessa para as de Noel Rosa. Eu, depois de estacionar meus carrinhos Matchbox, soltava lá minhas notas, mas mais observava e aprendia do que participava. Segurar o choro quando a temperatura subia e meus pais afastavam o tapete da sala e dançavam tango era um esforço recorrente. Música, emoção e afetividade tornaram-se, naquele ambiente, uma coisa só. Se eu era afeito à minha órbita distante, também o era ao coração do sistema de que fazia parte. Assim me acostumei a ler ou a criar em meio ao burburinho, aquecido pelas pessoas próximas ao mesmo tempo em que me entregava aos devaneios solitários. Por isso, recentemente, não demorou muito para que o álbum que eu planejara gravar solo, com canções que ilustrassem o repertório do meu songbook, se transformasse num disco cheio de gente. Lá estava eu, em casa outra vez, tão longe e tão perto de todos, fazendo a minha parte, mas ainda observando e aprendendo mais do que qualquer outra coisa. O repertório de trinta e duas canções começava no sem-tempo (ou seria ‘puro tempo’?) de Foi no mês que vem e terminava num regresso ao tempo de Satolep. Lá estavam de novo meus irmãos, Kleiton e Kledir, exercendo seu magnetismo. Convidei-os para cantar comigo Noite de São João, que compus aos dezenove anos, na praia do Laranjal, Pelotas, sobre poema de Fernando Pessoa. O Kledir, para o segundo disco da dupla, dando provas de que também se deixava atrair, tinha se inspirado em minha canção para escrever a sua Noite de São João, com música do nosso primo Pery Souza, em que narrava as peripécias da dupla quando criança. Minha canção diz: “Porque há São João onde o festejam. Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite”. A de Kledir e Pery, gravada pela dupla:“Era noite de São João e eu saía com meu irmão, de bigode de rolha e chapéu novo em folha, brim coringa e alpargata”. Na Noite de São João que logramos juntos (com a companhia do violão de Carlos Moscardini e das cordas da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, com arranjo de Vagner Cunha), eu pulei fogueira e eles viram a luz do fogo para além do muro do quintal; brincamos com as semelhanças e as diferenças que a mesma casa produziu em nós. Foi emocionante como se o pai e a mãe estivessem ali, a dançar, como se tudo tivesse sido no mês que vem.
 
Até a próxima.
 
Abraços
Vitor Ramil

mundo em surdina

                                                                    photo  by maude poesia


aos poucos azul céu reaparece
de algodão as nuvens
metáfora revisitada
na tarde abençoada...

mundo em surdina
véu descortina pura beleza
interno canto sem pressa
dia regressa
natureza da alma...

calma reinventa
coração aguenta
alegria suporta
importa a vida
mais nada...

sábado, 4 de maio de 2013

querida

                                                                   photo by maude poesia

atenta à imagem
atenta ao mundo
atenta à vida
assim é querida...

atenta ao calorzinho
ao chamado da cozinha
interesses domésticos refinados
no convívio conquistados...

interesse no colinho da visita
no solzinho
hoje ele não veio
recreio de gato
conforto sempre buscado...


Nota: Meu amigo, o poeta JJ e eu, compartilhamos da amizade pelos animais.
Expressamos, não raro, esses sentimentos, por eles inspirados, na nossa manifestação poética.
Com eles convivemos, agradecidos por nos terem escolhido para companhia...
Abraço a todos e, em especial, ao amigo JJ!

cumplicidade franciscana - J.J. Oliveira Gonçalves


                                                               photo by J.J. Oliveira Gonçalves


Cumplicidade Franciscana!
J.J. Oliveira Gonçalves
 
A Tita ela me cobre de Carinho
Afaga cada ruga do meu rosto!
Me diz a ronronar: Sou um Anjinho
Que Deus te enviou em teu Agosto!
 
Se roça em mim e a amassar-pãozinho
É fisioterapeuta em meu desgosto!
Lhe digo emocionado - bem baixinho:
Tu és o Sol da Vida em meu Sol-Posto!
 
A Tita ela é a caçula - e é uma graça
E adora o afagar de minha mão...
Bagunça - sem querer - meu coração!
 
Quando pra cama pula - ela me abraça
Sua Alma de minh'Alma é comparsa:
Franciscana Amizade... em Comunhão!
 
Porto Alegre, 03 de maio/2013. 09h26min

quarta-feira, 1 de maio de 2013

cabrera

imagem de óleo sobre tela em gervasio-arte.blogspot.com.br

 
dor não constrói
amofina
ensina
mas deve ser vigiada
não incentivada
ou enraizará...

necessário enfrentá-la
no luto um pouco
sem exagero
ou certo gostará...

tempo
velho sapiente
um pouco demente
ajudará...

sem vitimização
sem consternação
ou pra sempre a dor permanecerá...

a dor é cabrera
como diz o gaúcho
tem maneiras complicadas
deve ser mantida de cincha apertada
com o freio nos dentes
ou espalhará no galope as sementes...

refletir... caminhar...

                                                                          photo by maude poesia


suave brisa sopra
oh... não pares
sossego em ti
das contrariedades...

e chegam
e se lambuzam
e cruzam à frente...

ou assim tortamente vemos
entendemos pouco
do ritmo do universo...

céu exposto
sol no rosto
refletir
caminhar...

mínimos jardins da babilônia

                                                                                                                         photo by maude poesia


serenamente penso
manifestações ensinam
lembram
pouco sabemos
na intenção de sapiência
paciência nos ampliará...

mínimos jardins da babilônia
recalcitram
acreditam
força os faz continuar...