segunda-feira, 15 de outubro de 2012

o pouco... o muito possível...

                                                                     photo by maude poesia


desconstroi-se
pra melhor se reconstruir
sem arestas
sem frestas
desfazem-se tijolos
retiram-se telhas
madeiras emboloradas
apodrecidas
como tantas atitudes diante da vida...

tenta-se encontrar a equilibrada rotina
no irremediável monturo que domina
no pó adentrando sem cerimônia
sem nenhum tato
sem recato
pelas ardentes narinas
pelos marejados olhos
esbugalhados
nas constatações...

fascina-me mudar
rearrumar
rearranjar
redesenhar cômodos
trocar móveis de lugares
numa dança de revolução
externa
internamente...

teto desconstruído
espírito despido
se confessa frágil
teme o pó o corpo
nele há de se transformar...

em volta jardim floresce primaveril
borboletas esvoaçam
não se perdem das flores
mais do que eu sabedoras
da necessidade da intervenção
divertem-se na atrapalhação...

dias passam
sempre passam
tudo se ajeita devagar
a divagar me ponho
componho outro quadro
com nova cara
nova determinação
novo enfoque
outro brilho
muita alegria
paz
gratidão
energia de perceber
o pouco
o muito possível de fazer...

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