domingo, 30 de setembro de 2012

de nada se é conhecedor

aprende-se mais
na infância
não sei...

adiante na vida
aprende-se
cada novo dia mais...

aparência
aprende-se pode enganar
olhar com os olhos
não basta
com inteireza se precisa enxergar...

convivência ajuda
não basta porém
além na viagem
bobagem
o outro não se conhecerá...

não crispes as ondas do dia
não abras a porta à dor
espanta-te
admira-te
sadia ação
saber na vida
de nada se é conhecedor...

sábado, 29 de setembro de 2012

magia a transmutar

palavras
apenas caracteres
preferem se revelar
no andar do dia
sentimento do fundo
distante olhar...

consciência se expande
atenta à luta
grata
serena
das penas magia a transmutar...



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

sopro

                                            imagem de Pablo Neruda - poeta chileno (1904/1973)

sopro gelado
de vento
de fundo pensamento...

sopro de gelada primavera
de espera
de constatação
de rédeas na mão...

sopro doído
aprendido
na constância da luta
na fé
a habitar o coração...

sopro de minuano
desde as geladas terras de neruda
sopro de ajuda
amoroso sopro de inspiração... 

domingo, 23 de setembro de 2012

ampla primavera


                                                                   photo by maude poesia


ampla primavera
chega na tarde
friozinho a acompanha
coração se banha
de aurora
de perfumes
de suavidade
espera desaparece
flores crescem na alma
invernia se transforma
desabrocham rosas
desabotoam orquideas
dançam folhagens
curvam-se tontas
ao vento
no azul sem fim
pra além do jardim...

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

feito flor


                                                                           photo by maude poesia 


do verbo calado
amargo sabor
então... não te cales
embala teu sonho
convence tua alma
desanda na ginga
brinca de apreendedor...

destino
menino inquieto
precisa de agrado
de amparo
de luz
sozinho não fica
se agita
se ajeita
se deita de lado
adormece depois...

quem disse a gente
se cansa
se perde
emerge da sombra
cresce na dor
lá suas falas
parecem reais
anseio de vida
consolo nos ais...

dançar um tango
embromado
adormecido
na fé de sentido
enfeitado de cor...

rodar ampla saia
no palco
no espaço
no jardim feito flor
não sou amador
voar no volteio
dar volta e meia
domínio
sabor...

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

primaveril ventania

                                                                             photo by maude poesia

dias de chuvas torrenciais
céu nublado
aguaceiro
hoje nuvens fogem apressadas
sol chega em boa hora
acompanhado de enlouquecida
primaveril ventania...

venta... venta... venta...
voam folhas
desaparecem pássaros
reina a limpeza da natureza
primeiro água
relâmpagos
trovoadas
energia acumulada
desperdiçada
mal utilizada
levada pela força natural...

agora acabamento com o vento
retirada dos resíduos
das ruas
dos becos
das faces
das mentes
restos entraves de circulação
da alegria
da amizade
dos sentires afáveis do coração...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

clave de sol


                                                                     photo by maude poesia


não sentir
não posso
ressentir
não devo
me atrevo a sonhar...

depois sair
da linha
ou nela ficar a poetar
sem cura pra alegria
pra sinceridade
ferir vaidades
aguentar descrença
meu jeito eu faço
decido ser
sem aprisionamento a modismos
a aforismos
a sentenças maledicentes...

dementes palavras
sementes de discórdia
dúvidas sem preço
sem endereço
avesso de mim
inacreditável falar
dúbia decisão
enfim... sigo
a mim
do fim o começo
fecho a porta
outra eu faço
abraço a amplitude
na serena felicidade
todos os dias jardinada
acompanhada
da clave de sol do hibisco...

domingo, 16 de setembro de 2012

olhar aprofundado

                                                                       photo by maude poesia


silêncio na tarde
mente aquieta
do mantra na vocalização
único som audível
do universo expressão...

                                                                        
amplia-se visão interna
pra enxergar o mundo
olhar
aprofundado
sem embaços do coração...

extingue-se fogo
de vis sentires
na serena vontade
de ser
em comunhão com o todo...

insiste um tanto a dor
sabor de ingratidão
não quero persistir
quero extinguir esse sentir...

nada mudo do feito
nada nego
embora desse sentimento
agora
na exata hora do agradecimento...

floração azulada


                                                                                  photo by maude poesia


procurar céu no chão
olhar interno
primavera no inverno
estreito ampliado
verso rasgado...

suor na elaboração
paciência
sem compulsão
sem acomodamento
caminho no andar
ao vento
no pensamento
nas folhas
na manhã
na tarde chegada
antes do fim da jornada...

procurar
todo dia
entender sinfonia da alma
na aparente calma
na incompreensão
na errônea interpretação...

no duro
seco deserto
aguar a flor
da vida
da esperança
sem descanso
no cotidiano
na construção do sentido
viajar aos confins do universo
num segundo
pra retornar inteira
faceira
cheirosa
como floração azulada
desde a hora primeira...

por tantas lembranças queridas

                                                                        photo by maude poesia


de céu ensolarado
a véu bordado de escuras nuvens
dobram-se galhos aos ventos
à chuvarada...

trovões na primavera anunciada
da infância imagens
trazidas nesta paisagem...

às margens do arroio após a tempestade
passagem de ramos caídos
na forte correnteza perdidos...

à indelével tinta
a força da natureza pinta
para sempre a passagem...

dias de chuva
quebra da rotina
inquietação aos adultos
às crianças despreocupação
promessa de barco a navegar
na mente a distante lugar...

ao som dos pingos lá fora
sonolenta a alma agradece
na prece instintiva
pela infância fundamento
pelo alimento da vida
pelo teto
pelo chão
pelo verde molhado
pela flor prometida
por tantas lembranças queridas...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

voz da alma

                                                                    photo by maude poesia


poesia
única expressão
tantas vezes possível
inaudível ao mundo
voz da alma ...

adversa estação muda
sentimentos transitam
perspectivas habitam
ativas outro lugar
verdejam com a primavera
colorem a manhã
enfeitam
incentivam a tarde...

insiste a orquídea
de botão a flor
no calor do meio do dia
formiga na inspeção
manifesta sabedoria
enxerga na profundeza
beleza se abre
invade coração
queima visão desavisada
a espera da flor ao fim do dia...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

céu de hibiscos

                                                                                  photo by maude poesia


corpo reclama
na incerteza
não mais presa na garganta...

adiantam gotinhas de homeopatia
alma em paz
mente de serena determinação
ar da manhã a refrescar vida
céu de hibiscos
guarida de fé
porto de atitude
saúde como consequência...

ação de fundamento
traz alento
revela caráter
no embate diário
no fundo do olho...

não me preocupa
avaliação reticente
imposta pela conveniência da hora
senhora de minhas conquistas
de simplicidade
de verdade
de alegria buscada
de gratidão praticada na concretude
exijo respeito na amizade
no convívio
assim sou
desse barro me faço
aprendiz todo dia
feliz pelo dom da poesia...

terça-feira, 11 de setembro de 2012

energia sem impedimento


                                                                   photo by maude poesia


homenagem ao dia
à natureza
à beleza da hora
ao ser agora aqui
neste poema...

problemas pra solução
encaminhados
olhar o céu
à noite
de manhãzinha
antes de o sol nascer
junto à estrela da madrugada...

pisca os olhos sorridente
contente por se saber
coadjuvante na proposta
do dia anunciado...

olho a flor
onde a dor
onde a questão sem solução
energia sem impedimento
desde o infinito firmamento...

domingo, 9 de setembro de 2012

Roda Viva - Chico Buarque e MPB4



Regravação recente do sucesso de Chico, cuja primeira gravação com o MPB4 foi em 1967!!
Impossível ouvir e não compartilhar aqui!
Abraço e boa audição!

Roda Viva (Chico Buarque)


Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...
A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

não escancares a porta de tua choupana


                              Marinha com Choupana Canoa e Figuras - José Pancetti - pintor modernista brasileiro (1902/1958)


verso não diz
tristeza
versa beleza
de ser
no entanto tem dor
amargo sabor...

nascer da hora vivida
soletrar partida do lugar
imóvel inútil ficar...

escolher
transformar
resolver
pra não mais doer...

se coração abranda
perde espaço
desentende abraço
atropelo chega...

face nem sempre risonha
semblante guarnecido
prevenido da invasão
alegria tem pé no chão...

não escancares a porta de tua choupana...

sábado, 8 de setembro de 2012

madrugada da alma

                                                                                  photo by maude poesia


movimento de nascer
parir novo momento
dar à luz outro fundamento...

não é renascer de acaso
não é soco de desassossego
não é brasa esfumaçada
não é lenha não queimada...

doeu o sentir
doeu o perceber
doeu o saber-se só
só de sempre ser só
de sempre entender diferente
só de crer ímpar a vida
desde o nascimento...

companhia das estrelas
da natureza em magia plena
da pequenez dos problemas
das palavras aguçadas
pela energia emanada
na luz da madrugada da alma...

companhia da emergência
da suavidade
da eloquência de viver
de saber-se possível
de ver-se ao sol nascente
ao luar
ao início no entardecer...

só junto à suprema expressão de sentido
ao esquálido empertigar do nada da matéria
ao emergir da intenção de ir
de continuar
de crer
de orar
ao sol
à chuva
em agradecimento
em comunhão de entendimento...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

um novo botão

                                                                                                                 photo by maude poesia


ontem gera agora
história muda no andar
tristeza à alegria passa
sem graça não tem lugar...

do fundo ao raso espaço
mutação inimaginável
ao infinito o grito
na sinfonia criada...

pintada a madrugada
da consciência alcançada
iluminação de pura energia
tardia... não... apenas começada...

dor do corpo
dor da alma
dor do espírito entristecido
dor da expectativa
frustrada como todas são
dor da sensibilidade
dor do coração...

não apenas remédio
cura providencial
veste-se de entendimento
impulso de crescimento...

no fundo do fechado olhar
luz de paisagem
imagem de riso
face de aconchego
embora tristeza
fim de todo o medo...

pobres as palavras
fracas as figuras
linguagem não atravessa
não vê
não interpreta com clareza
não entende a beleza exposta
não a imposta
na difusão das luzes
na composição
na transfiguração
a dançar à frente
no baile de comemoração...

antigo jogo
perdido conceito
jeito de logro
não lembrar sereniza
no rodopio do corpo
do sonho na mente
semente se abre
germina a planta
surge um novo botão...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

alimento da ação

                                                                           photo by maude poesia



não quero
peso da história
das gentes
dos lugares
das guerras
dos embustes
dos ajustes encenados
dos julgamentos descuidados...

quero leveza de espaço
abraço espontâneo
afeto sem mistério
passo sem rumo reto
sentir inquieto
alma não se contenta
inventa
descobre
alimenta espírito
flexibiliza corpo
no caminho
no olhar que afaga
no viver sem mágoa...

quero beber ao redor
olhar
enxergar o vital
sabor na boca
rouca fala
som no ouvido
intenção a mover os sentidos
alimento da ação...

domingo, 2 de setembro de 2012

alma de índio sepé


                                                                  Sepé Tiaraju por Danúbio Gonçalves



não sou artista
retratista
não sou capa de revista
não sou doutor
não sou senhor de nada
também não sou dono de cara amarrada
de dor no cotovelo
desespero da inveja
não sou espelho de falso intelectual
não sou boçal das letras
das leis
da matemática
não me quero impor
não me desejo indispor
com ninguém
nem com nada...

exijo
faço
conquisto no entanto
a cada novo momento
meu espaço
não rejeito luta
na conquista de ser...

meu sono é de alma lavada
enxaguada na água fresca da sanga
da verdade
da sinceridade
da educação em berço de fundamento
ao sopro leve do minuano
lá do inverno da infância em bagé
com alma de indio sepé...

externo sonhar


                                                                             photos by maude poesia


gosto
cheiro
de ar fresco
manhã nublada
gera céu ensolarado...

natureza apressa expressão
explodem verdes de diferentes tons
amarelos avermelhados
amarelos queimados
róseos escancarados
quase lilases
contumazes
clima propício
sem desperdício de energia
se cria
se constroi
na geração do novo
do desmerecido transformado
explosão de plena luz...

assim se estende a vida
se entende o dia
momento de plena riqueza
certeza
não ermbaraça leveza do ar...

não hei de fazer a hora
faço-a amplamente agora
desbravo meu lugar
interno
externo sonhar...

sábado, 1 de setembro de 2012

infinita metáfora

 
                                                                         photos by maude poesia


bendita possibilidade
desperta a flor
desabrocha a vida
entendida no passo
no cotidiano
no engano
na volta por cima
na rima
sem ela
no desandar do verso
no reverso da alma
na calma da manhã
na indissolúvel sinceridade
na simplicidade posta
à mesa sem reservas
na infinita metáfora
do acordar da flor...

senhor do mundo
pura energia
tento compreender
saber
contento-me com o pouco
possível
na minha possibilidade
vejo da flor a verdade
natureza depois do inverno
sigo
sorvo o prazer da hora
senhora de meu sonho
risonho semblante
oro
agradeço
na repetida ação
na comunhão com o universo
em expressão...