sábado, 11 de agosto de 2012

o velho no espelho (Mário Quintana)

                                                poeta gaúcho Mário Quintana - natural de Alegrete/RS (!906/1994)


Por acaso, surpreendo-me no espelho: quem é esse
Que me olha e é tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto... é cada vez menos estranho...
Meu Deus, meu Deus... Parece
Meu velho pai - que já morreu!
Como pude ficarmos assim?
Nosso olhar - duro - interroga:
"O que fizeste de mim?!"
Eu, pai?! Tu é que me invadiste,
Lentamente, ruga a ruga... Que importa?! Eu sou, ainda
Aquele mesmo menino teimoso de sempre
E os teus planos enfim lá se foram por terra.
Mas sei que vi, um dia - a longa, a inútil guerra! -
Vi sorrir, nesses cansados olhos, um orgulho triste...

5 comentários:

Luiz Carlos Vaz disse...

Muito bem escolhido para este dia, Vera. Vou postar no VG.
Um abraço
LC Vaz

Vera Luiza Vaz disse...

É o espelho da vida, revelando-nos mais de nós, através da lembrança daqueles que nos antecederam.
Grande abraço, mano Vaz!

Hamilton Caio Vaz disse...

Uma bela escolha para o dia dos pais, Vera Luiza.
Mário Quintana sempre me lembra o quanto a Academia Brasileira de Letras perdeu por não contar com ele entre seus componentes. Mas, Quintana não perdeu nada, todos sabemos. A Academia não o mereceu.
Mário Quintana “crescia” junto com os leitores, já que também tinha uma obra destinada ao público infantil. O primeiro livro de literatura que dei para minha filha pequena, nos anos 80, foi “Pé de Pilão”. Depois ela seguiu, ao natural, lendo a sua obra adulta. É, pois, uma boa maneira de iniciar os jovens na tão necessária ferramenta da leitura, com um autor que tenha também livros infantis publicados.

Hamilton Caio Vaz disse...

Vera Luiza, o cometa Halley também passou pela vida de Mário Quintana. Ele está entre os poucos privilegiados que conseguiram observar duas vezes a vinda desse astro. Na segunda passagem no século XX do mais famoso cometa, em 1986, lembro que o poeta falou na imprensa que ele tinha visto o Halley em 1910. O auge do cometa ocorreu em abril, e o guri Mário Quintana faria quatro anos em julho daquele ano. Esse fato gravei bem porque eu tinha mostrado o cometa para meus filhos pequenos, e disse a eles que ainda poderiam ver a próxima passagem em 2061. Eles estarão com a idade aproximada com a qual o poeta viu a segunda visita do Halley no século passado.

Vera Luiza Vaz disse...

Hamilton, tu sabes o quanto sou avessa à Academia.
Negou Quintana! Negou Veríssimo! Acolheu "autores" como o ex-presidente José Sarney!
Precisamos dizer mais alguma coisa?
Academia de lado, Mário Quintana é, de longe, meu poeta preferido!!
Bem humorado, quando deseja, mal humorado, quando lhe convém.
Gentil, acolhedor, também antipático e desencorajador de bajuladores.
Sempre inspirado, fez poesia, assim, como quem caminha pelas ruas de Porto Alegre sem pressa, com imaginação aguçada e expressão viva, fluindo como olho d'água depois da chuva quando a gente era criança...
De lirismo invejável,sua obra tem reconhecimento no mundo inteiro!
Meus filhos também leram "O Pé de Pilão" na infância.
Autores assim nos fizeram amar a arte da literatura, nos fizeram adotar a leitura como prática diária.
Observo que isso também aconteceu com nossos filhos e sobrinhos. Hoje todos têm a leitura em suas atividades do cotidiano, expressam-se com fluência, o que me faz perceber o quanto nossas leituras infantis tiveram ricas consequências!
Ah! Drummond também comentou sobre o fato de ter visto o cometa em tenra idade.
Grande abraço, mano Hamilton!