quarta-feira, 25 de julho de 2012

obrigada... meu querido pai...

                                              Meu pai e minha mãe no dia do casamento - photo by maude poesia file



tempo ensina
depois da existência terrena
nas reflexões
na memória
palavras
gestos
exemplos
não voaram no vento
forte da vida...

presentes nas ações escolhidas
da mente brota entendimento
do convívio
da dedicação
do sim
também do não
embora não compreendido
respeitado sempre...

tempo voou
do profundo interno
surgem
um sorriso
uma voz
um abraço
saudade...

ausência não foi em vão
ensinou
orientou
base fora plantada
com sinceridade aguada
cresceu
elucidou caminhos
orientou posturas...

dor da distante partida
hoje lembrada
se fez comunhão
agradecimento
pela dádiva da vida
pela educação recebida
pelo amparo
pelo exemplo de responsabilidade
por tudo
por mais que ainda devo aprender
obrigada...
meu querido pai...


7 comentários:

Hamilton Caio Vaz disse...

Um belo poema, mana Vera, e que diz todo o significado desse tempo, o voraz tempo, que passou e muito nos ensinou, e continua a ensinar, sobre a real finalidade da vida. Lembro muito bem da frase que a mana Gleide disse para nós naquele dia: “O sonho acabou”, como quem dissesse que agora havíamos deixado, definitivamente, de ser criança com sonhos dourados. Lembro que também disse para mim mesmo, embora já tivéssemos as nossas famílias e filhos pequenos, mas ainda nos sentindo adolescentes: “Agora, daqui para frente, é nós que tocamos a vida, agora já somos realmente adultos, todas as decisões são nossas”, embora a nossa mãe continuando conosco, como a grande matriarca, mas pelo significado tradicional do patriarcado na nossa cultura.
O “Vô Gigica” deixou um grande legado de ensinamentos.

Vera Luiza Vaz disse...

Caro mano Hamilton, lembranças, seus significados, seus ensinamentos...
A perda sempre nos ensina, se quisermos. Fico muito pensativa sobre como podemos apressar a compreensão de nós mesmos, da vida, do significado de nossa presença neste plano, ao enfrentarmos um momento assim repentino e suas consequências...
Lembro que eu havia vindo para casa ficar com as crianças, a mãe permanecera no hospital e o mano Luiz Carlos me ligou, falando que o nosso pai falecera, acrescentando "eu te amo, viu?"
Sempre fomos muito próximos nós todos desde a infância, mas naquele momento a declaração de amor de um irmão pelo outro trazia um tom de amparo que jamais esquecerei.
Nosso pai era uma figura especialíssima. Junto com nossa mãe formaram um par imbatível na superação das dificuldades.
Nós participávamos, porém mais do que tudo, aprendíamos para quando o "sonho terminasse", deixando-nos na real vida da idade adulta.
Muitas são as lembranças... os ensinamentos... que ainda hoje procuramos entender...
Maior do que tudo , no entanto, é o agredecimento pelo privilégio de ter tido um pai presente em todos os sentidos.
Grande abraço!

Luiz Carlos Vaz disse...

... e se passaram 30 anos.

Vera Luiza Vaz disse...

... trinta anos de ausência física... presença espiritual incontestável...
Abraço, mano Luiz carlos!

Luiz Carlos Vaz disse...

Verdade verdadeira.
Hay que se lutar, amigo!

Anônimo disse...

Querida Vera Luiza...

Versos de Amor...
Palavras de Gratidão...
Reflexões...
Relembranças...
Saudades...
Dores...
Emoções vestidas de Distâncias...
Enfim, enquanto passamos na Linha do Tempo, a ausência de nossos Pedaços Queridos que se foram, aumenta - me parece...
Pois, Vera, a Beleza e a Dor - em minha convicção - são Dualidades inerentes ao ato único e arriscado de ousar viver... Ah, não há como não nos machucarmos - não há...
Como percebi, (faz tempos, também!), e me deixou quase louco: Dor e Beleza se fundem, às vezes... e nos confundem... Me dói muito e me deixa a Alma, assim, à deriva, ver que na Dor da Perda há a Beleza do Amor de quem não quer perder... de quem fica...
Desculpa-me a (vã) filosofia, mas os Sentimentos teus, do Vaz e do Hamilton, me levaram a escrever estas palavras... Palavras de quem já muitos Amores perdeu ao longo da Caminhada - desde a infância que era inocente, indolor e bela...
Meu franciscano e solidário abraço para vocês!
JJ!

Vera Luiza Vaz disse...

Amigo poeta JJ, olhar para dentro, ver, sentir, tentar entender a caminhada que nos desveste de todos os saberes para nos dar a luz da sensibilidade... Isso nos faz viver as dualidades da alma...
E tantas vezes agradeço por poder conviver com quem tenta compreender esses meandros tão próximos de Deus que nos parecem estranhos...
Nossas filosofias não são vâs, amigo, elas são nosso interior exposto na luta pela vida com gosto, com alegria, com esperança...
Obrigada pelas lindas palavras de apreço, acolhida, amizade...
Grande abraço!