sábado, 30 de junho de 2012

cada um faz sua jornada

                                                              image by publicdomainpictures.net


pensamentos presos
alcançam infinito
grito lancinante
lança perfurante
rasgam espaço
desdobram tempo
lamento...

descalço no deserto
cantar desafinado
verbo desconjugado
olhar esbugalhado
dedos enrijecidos...

face mascarada
inverdade
conspiram sentimentos vãos...

suspiro em piedade
realidade desdita
habita coração...

capítulo encerrado
cada um faz sua jornada
passemos a outro chão...

quem há de se importar com o invisível

                                                 Imagem de O Pequeno Príncipe de Antoine de Saint Exupèry


quem há de se importar com o invisível
quem há de enxergar o carneiro
quem há de responsabilizar-se pela raposa
quem se importa com a flor...

pobre príncipe
inocência simplória
num mundo de vilões...

qual o essencial para ti
quanto te tornas responsável
por quem cativas
choro o desgosto
a tristeza do pequeno ser
que morreu dentro de nós...

somos do príncipe o algoz
secou a flor
morreu a raposa
escureceu o céu
desertificou o planeta
resta-nos a face mascarada
a vida falsificada
o nada...

mônica irada de novo

                                                             Mônica - personagem de Maurício de Souza



mônica irada de novo está
desta vez o que será...
pergunta à queima roupa
outra pergunta de volta...

desinformação
em desprezo fundamentada
merece continuar desinformada...

ah...  vontade
de um mundo sem hipocrisia
ela campeia vadia
de rédeas soltas
sem cuidado
não se vê
alma falsificada
sem selo de garantia
hipocrisia se faz
cresce na obscuridade
sonha com palco iluminado
... é preciso ter cuidado...

mônica está irada
com a listel é confundida
quase todos os dias da vida...

sansão
o coelhinho ajudará
a resolver a questão
com meia dúzia de relhaços
dará fim à contestação...

presença do céu

                                                                               photo by maude poesia


sorrio
ao perceber
sonho realidade
concreta se torna
contorna curvas
ilumina pontos obscuros
claridade se espalha...

no exato momento
flecha atinge alvo
treinar pontaria
necessário
ação determinada
vontade
esperança
crença...

presença do céu
de azul pintado
de encarnado da aurora
de cinzentas nuvens
de chuva anunciada
nada importa
tudo importa
recorta cara lavada
da manhã amanhecida
sorri
acredita...

na luta vencedor
se quiseres
se puderes enxergar
céu em amplo abençoar...

espírito engenhoso

                                                                           photo by maude poesia

expressão caminha
por este lugar
fico a perguntar
por quê...

canto vem do profundo infinito
momento não escolhido
palavras reveladas
não caladas...

gerado no não sabido
procuram grito
da luz
da fala
da voz...

simplicidade por certo
fica a descoberto
urge seguir
não calar
não fugir...

quem dera meu verso te alcance
terei cumprido missão
se me negares
não te amofines
tempo embarca
tantas vezes na contramão...

sigo impulso
não entendido
aceito por obra
arte
de espírito engenhoso
fala à sensibilidade
o sabido
o ainda não entendido...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

ousadia de ser



                                                                           photo by Aninha
                                                             


significado
das dificuldades
das facilidades
das lembranças
das crenças
das desavenças...

significado
da alta temperatura
da cura
da homeopatia
da magia de procurar entender...

significado
da busca
da aurora
agora calada
da madrugada
do ocaso da vida...

significado
da alma grata
da calma concreta
da inquieta
atenta felicidade...

significado
da aquisição
da fala
da autonomia
da ousadia de ser...

quinta-feira, 28 de junho de 2012

viver um outro dia

photo by maude poesia


no canto alegria
também tristeza
poesia põe mesa...

esconde com habilidade
tece com paciência
mostra beleza
demência
de si
do estranho
do errante
do apaixonado...

poesia não tem cuidado
ama verbo desvelado
recorta sentimento
passageiro
implanta noutro lugar
poesia odeia rimar...

chega no horário
certo
errado
enxerga azul
assombrado
presente
passado...

poesia
gato mimado
cão faminto
cansado
anda de frente na vida
poesia não se faz encolhida...

simples propsta
misteriosa resposta
postura diriam esquisita
não a deixa aflita...

incomodada
com ações maldosas
não suporta hipocrisia
não atura preconceito...

defeitos
por certo os possui
procura superá-los na reflexão
perdão busca na oração...

novo dia
desafio
novo verso
soprada energia
ao encontro do sonho
do infinito sabor
de viver um outro dia...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Chico Buarque - "Barafunda"



Chico: voz e violão
Luiz Carlos Ramos: violão
Jorge Helder: baixo
Jurim Moreira: bateria e percussão
João Rebouças: piano

Nota: Barafunda: De acordo com o dicionário, significa "confusão", " trapalhada".
Um tanto confuso perecer-nos-á o poeta/compositor ao embaralhar nomes femininos, nomes de lugares, informações atuais como "senha", nomes de personagens da cultura brasileira e internacional em diversas áreas.
Tudo com muito charme, humor, poesia... Como só Chico sabe fazer!
Ouçamos, então...
Abraço!.


Barafunda (Chico Buarque)

Era Aurora
Não, era Aurélia
Ou era Ariela
Não me lembro agora
É a saia amarela daquele verão
Que roda até hoje na recordação
Foi na Penha
Não, foi na Glória
Gravei na memória
Mas perdi a senha
Misturam-se os fatos
As fotos são velhas
Cabelos pretos
Bandeiras vermelhas
Foi Garrincha
Não, foi de bicicleta
Juro que vi aquela bola entrar na gaveta
Tiro de meta
Foi na guerra
É, noite alta
Gritou o astronauta
Que era azul a Terra
Quando a verde-e-rosa saiu campeã
Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul
Salve a festa
E salve a floresta, salve a poesia
E salve este samba antes que o esquecimento
Baixe seu manto
Seu manto cinzento
Foi Glorinha
Não, era Maristela
Juro que eu ia até casar na Penha com ela
A vida é bela
É, não é
Era Zizinho era Pelé
Aliás, Soraia era Anabela
Era amarela a saia
Foi quando a verde-e-rosa saiu campeã
Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul
Salve a festa
E salve a floresta, salve a poesia
E salve este samba antes que o esquecimento
Baixe seu manto
Seu manto cinzento
Era Aurora
Não, era Barbarela
Juro que eu ia até o Cazaquistão atrás dela
A vida é bela
É Garrincha, é Cartola e é Mandela

terça-feira, 26 de junho de 2012

carisma da lida

                                                                        photos by maude poesia       
                                         

 carisma da lida
me faz repetitiva
bendigo dia
ação de rotina
observação contente
surpreendente beleza
da natureza...

cachinhos de flor
no tomateiro
ninguém o plantou
resolveu crescer
enfrenta frio
abriga-se da geada
do vento
da crua temperatura
na noite fria
escura...

ao lado do muro
futuro... quem sabe...
ensina
a quem quiser aprender
a quem puder entender
a quem não considerar
tempo a perder...

cresce plantinha
recebe agrado
tutor cor-de-rosa
ajuda os galhos
mãos perfumadas
pelas folhas
parece sorrir
feliz
eu... continuo...
aprendiz...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Chico Buarque - Se Eu Soubesse



Música do cd Chico (2011).
Chico Buarque: voz
Thais Gulin: voz
Luiz Claudio Ramos: violão
Jorge Helder: baixo
João Rebouças: piano
Paulo Sérgio Santos: clarinete
Cristina Braga: harpa

Se eu soubesse (Chico Buarque)

Ah, se eu soubesse não andava na rua
Perigos não corria
Não tinha amigos, não bebia
Já não ria a toa
Não ia enfim, cruzar contigo jamais
Ah, se eu pudesse te diria na boa
Não sou mais uma das tais
Não vivo com a cabeça na lua.
Nem cantarei 'eu te amo demais',
Casava com outro se fosse capaz
Mas acontece que eu saí por aí
E aí, larari larari larari larara
Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia,
Não dormia nua
Pobre de mim, sonhar contigo, jamais
Ah, se eu pudesse não caía na tua
Conversa mole outra vez
Não dava mole a tua pessoa,
Te abandonava prostrado aos meus pés,
Fugia nos braços de um outro rapaz.
Mas acontece que eu sorri para ti
E aí larari larara lariri, lariri
Pom, pom, pom, ...
Ah, se eu soubesse nem olhava a lagoa
Não ia mais à praia
De noite não gingava a saia,
Não dormia nua
Pobre de mim, sonhar contigo, jamais

Nota: Difícil escolher qual a composição do cd Chico (2011) que se vai postar...
Cada uma traz a marca de seu compositor do jeito que só Chico sabe sentir, compor, cantar...
Fiquemos hoje com "Se eu soubesse" num dueto harmonioso com Thais Gulin, na companhia de excelentes músicos que fazem da audição um momento de enorme prazer!
Os versos... ah!  Falam por si...
Abraço!

beleza do irresoluto

                                                                          photos by maude poesia
                                  


nublado céu
céu de azul pintado
se intercalam
me calam...

irresoluto
céu de inverno chegado
de junho em término
apenas observo
coração não cala
agradece em oração...

pela compreensão da hora
pelo abençoado agora
pelo momento de paz
pelo ritmo da natureza
pela beleza do indeciso céu...

pelas dádivas diárias
pelo alimento do corpo
pelo esclarecimento do espírito
agradecerá sempre coração
em comovida oração...

sábado, 23 de junho de 2012

movimento da estação

                                                                        photo by maude poesia

no movimento da estação
próxima anunciada
brotos... botões...
levemente apontados
novas folhagens
próximas flores
no fundamento do inverno
anúncio de primavera...

antigos observavam
sabiam das tempestades
dos ventos
das enchentes
das secas
compreendiam
artimanhas das estações
caprichos da primavera
rigores do inverno...

futuros acontecimentos
ares de antecipação
na atenta observação
sinais de possibilidade
todavia... pressa dos atuais dias
nubla percepção
tal céu de nuvens toldado
prenúncio fica nublado...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

primavera da alma

                                                                              photo by maude poesia

inverno do tempo
inverno da vida
há escolha
inverno da alma
eis a questão...

no tempo determinado
chega inverno gelado
aconchego ao foguinho
alimento quentinho
agradável companhia
sabores da estação fria...

memória já faz história
dias décadas se fazem
inverno da vida não tem engano
pra quem está neste plano...

inverno da alma... mistério...
compreensão do realizado
aceitação das mudanças
simples... complicado...


inverno ensina alegria
sabedoria acumulada
compreensão
paciência
lucidez
escuta
espera
inverno do tempo
primavera da alma...

quinta-feira, 21 de junho de 2012

ganha-se... perde-se...

                                                                                  photos by maude poesia

ganha-se
perde-se
ao longo dos dias
atento olhar
percebe
mobilidade
crescimento
transmutação...

ontem juventude
hoje plenitude
amanhã esquecimento
compreensão da fugacidade
entendimento da infinitude...

parte do universo
cumprimento de etapa
assim desata-se o nó...

anda roda
segue tempo
momento já passado
no verso terminado...

ganha-se
perde-se
decidimos ângulo de visão...

sensibilidade no olhar

                                                                                  photo by maude poesia


claro pensar
liberdade no andar...

sensibilidade no olhar
amplo enxergar...

sentimento de gratidão
serenidade no coração...

busca do entendimento
mente em crescimento...

leitura da natureza
aprendizado na real beleza...

afeto... sinceridade...
ganho em amizade...

terça-feira, 19 de junho de 2012

bom dia

                                                                     photo by maude poesia



calada a rua
lua desapareceu
céu ainda escuro
madrugada emudeceu...

dormem solenes os bichos
repousam os pensamentos
nas asas do tempo voam
apenas os sentimentos...

bendito dia ao nascer
benditas figuras da vida
companheiras inestimáveis
nas paragens cruas da lida...

véu de escuro se abre
rompem silêncio animais
voam aves
singram mares do céu
natureza dormia calada
abre alas apressada...

bom dia ares
bom dia lugares
bom dia jeito de mim
assim no riso calada...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

um mistério

                                                                           photo by maude


esquecido quentinho abrigo
procura horinha
esconde-se do frio
aconchega-se
no conhecido cheirinho...

age animalzinho
por instinto
por cuidado
abrigo no calorzinho
também quer reenergizar
roupa pra humano usar...

amizade conquistada
companheirismo desfrutado
ronrona agradecida
mais de uma década convivida...

mestres raros os animais
apressadamente falam
seriam interesseiros
quem isso confessa
assim se sentiu primeiro...

conviver com os bichanos
gatos... cães...
excelentes lições
amizade irrestrita
fidelidade total
alegria concreta na chegada
seja duradoura
ou simples a jornada...

bendigo tê-los comigo
agradeço cotidiano privilégio
todo dia se aprende no convívio
um mistério...

deixar de nos surpreender

                                                                                 photo by maude poesia


ao observar
ao refletir
surpresa
sempre...

novos hibiscos
depois da chuva
novas ações
do tempo na curva...

aprende-se
se desejado
aprender...

não se intimida
a flor
apenas aguarda
oportuno momento...

humano comportamento
ah... inoportuno quase sempre...

sentimento equivocado
orgulho empertigado
atitude pretensiosa
leva mesmo aonde...

quisera não expressar
esse compreender
não posso no entanto
deixar
o dito por não dito
como se falava
nos antigos tempos
de simplicidade feitos
embora esses sentires
já os via acontecer...

por isso surpreendo-me
sempre
mas como dizia
mestra de filosofia
único que não podemos
deixar de nos surpreender...

domingo, 17 de junho de 2012

lei da natureza

                                                                        photo by maude poesia


folhas dos galhos
pendem
amarelecidas
balançam
conscientes
talvez
inconscientes
não sei
sopro impaciente
final desta etapa...

no tempo dado
formam sombra
descanso aos pássaros
em amplos braços
até depois do entardecer...

celeiro às corruíras
aos pardais
aos beija-flores
filhotes crescem
nos espalhados galhos
plenos de folhas
de frescura
de alimento...

outono andou
sudeste soprou
na madrugada
trovejou
relampejou
calçada ornada
folhas levadas
lavadas
pingentes
caídas asas
despedem-se
desde o alvorecer...

orgulho inglório
humanas figuras
impertinência pura
nos procederes
se folhas
teriam utilidade
transmutariam
lei da natureza...

Mimoso - Avendano Jr.



Enviado por em 19/09/2011
Cavaquinho Solo - Alan Hay
Violão 7 Cordas - Prof. Fernando Pereira
Cavaquinho Centro - Daniel Haddad
Pandeiro - Thayan Martins

Aqui mais uma composição de Avendano Jr - músico e compositor pelotense, principalmente do gênero chorinho - falecido há dois dias, para tristeza dos seus inúmeros fãs.

divagações em final de outono

                                                                              photo by maude poesia



se nos arrependemos
de algo que dissemos
ou que fizemos
antes deveríamos saber
se não o disséssemos
ou não o fizéssemos
talvez nos arrependêssemos
de não o ter dito
ou de não o ter feito...

divagações
em final de outono
enquanto as pombinhas
à sorte em abandono
em busca do alimento
desejam encontrá-lo
único pensamento...

sábado, 16 de junho de 2012

continuidade

                                                                              photo by maude poesia


do movimento à quietude
alude a prece ao agradecimento
não importa quanto
oração cresce na alma
no fim da tarde
apenas o sol se vai...

põe-se dia
põe-se vontade de agir
aquieta-se coração
hora sagrada de oração...

fim de etapa
presente reflexão
serenidade do agora
apura mente a visão...

olhar o dia
pensar ação
ouvir da vida o som
renovar propósito
tudo muito simples
tudo muito necessário...

movimento retorna
sem lamentos
sem queixumes
assume-se continuidade...

gramática ouriçada

                                        "Mônica, personagem de Maurício de Souza, em ouriçado comportamento..."


das reticências motivo...
ideias voam no ar
do fundo da alma procuram
fim do escuro vagar
cingi-las na pontuação
ah... por certo não...

sentimemtos rondam espaço
desejam... anseiam expressão...
rodeá-los de definitivos pontos
ah... por certo não...

gramática ouriçada
não compartilha opinião
regra é o caminho
deixêmo-la estressada
apreciamos a contramão...

de maiúsculas não precisamos
minúsculas são preferidas
ágeis... desenvoltas... não orgulhosas...
ah... expressivas... atrevidas...

transgredir do imposto
por dona gramática
único sabor...
traz à mente vivacidade
autenticidade ao poetar
alegria... gosto pela vida...
liberdade ao cantar...

Avendano Jr. - Voltei



Enviado por em 21/03/2010
Avendano Jr. e seu Regional, direto do Bar Liberdade, em Pelotas-RS, executando o choro de sua autoria chamado Voltei!

Ontem Pelotas perdeu uma autêntica expressão da alma brasileira e especialmente pelotense.
Avendano Jr "Voltou" como aqui em sua composição, mas para um plano onde os artistas, virtuoses como ele, tocam para os anjos...

sexta-feira, 15 de junho de 2012

de chita... de sandália... de sombrinha...

                                                                                   photo by Casa da Nema


hoje tempo infinito
vestido de chita franzido
sandália de coloridas tiras
sombrinha de seda com bolinhas
na cara rara alegria
ilumina fisionomia...

asssim vai
vê-se do jeito
que se quer ver...

assim sai
de gestos claros
fala-se do jeito
que se quer ser...

sem regras de simuladas verdades
sem conceitos de preconceitos feitos
fundamento não se ajeita
não se enfeita
nasce nos idos tempos
de chita
de sandália
de sombrinha...

luz e lua

                                                                           photo by maude poesia

confundem-se luz
lua
fundem-se na noite fria
rua calada...vazia...

confundem-se distância
abraço
fundem-se na intenção
no lugar do sentimento
fundo do coração...

confundem-se flores
folhas
fundem-se na colorida alegria
expressão da natureza
pintando mundo em beleza...

confundem-se noite
luar
fundem-se pra navegar
nas asas da madrugada
até a manhã despertada...

depois da chuva

                                                                              photo by maude poesia



depois da chuva
pétalas molhadas
como gotas orvalhadas
folhas amarelecidas espalhadas
caídas na madrugada de relâmpagos
de trovoadas
de rebojos de vento
de recolhimento
ah... infinito momento...

depois da chuva
terra cheira a molhada
jardim tem folhas lavadas
mudou de cor a calçada...

céu de gris azulado
nuvens passam
têm passo apressado
pombinhas no meio da rua
esperam minhocas aturdidas
coitadinhas... não quero ver...

bem-te-vis continuam
canto de vários motivos
comunicam-se
creio-os felizes
beija-flor cedo aparece
busca diversos matizes...

somos aprendizes de vida
natureza a grande mestra
mostra-nos com presteza
do grande pai a realeza...

quarta-feira, 13 de junho de 2012

de onde

                                                                            photo by maude poesia



de onde fisionomia iluminada
de onde força pra seguir jornada
despedaçar passo
consertar abraço
impedir sonho
imaginar sorriso...

de onde paraíso inesperado
papel rasgado
fala desconectada
do propósito...

de onde latim desentendido
verbo comprometido
descomprometer...

de onde respeito postergado
olhar dissimulado
fingimento de não saber...

de onde desimportância
instância nova instalada
na noite calada
no frio de doer...

de onde caminho se faz
se traz chazinho caseiro
se pingam gotas de homeopatia
se alquimia
se principia a entender...

de onde sopro se faz poesia
na vontade
no olhar
na mão ao amassar o pão...

de onde suspiro segue sonho
a procurar a luz
interna da transmutação...

nas coxilhas da mente

                                                              "gerânio na noite fria" photo by maude poesia


anda no ar
sopro de energia
na manhã nascente
no dia prometido
na tarde fria...

gerânio insiste
na noite gelada
inventa possibilidade
sensibilidade posta
florescência existe...

tudo se move
na intenção
desejo interno
boca calada
não importa frio
não espanta manhã gelada
mente adornada
de perfume
de magia...

inexplicável sentimento
desde confins do tempo
fundamenta lida
aquece vida
desassombra alma...

calma de outono
derradeiro momento
antes do minuano
nas coxilhas da mente
a soprar demente
urgente expressão
compasso de coração
no inverno da poesia aquecidos...

terça-feira, 12 de junho de 2012

flor e amor

                                                                                             photo by maude poesia



como a flor
amor seria
pleno de amorosidade
não fora fria
pouca sua verdade...

expressa a flor
suavidade
em colorido
em desperta simplicidade
diante do dia
em frente à luz
na crua transitoriedade...

verdade da flor
persiste no tempo
verdade do amor
ilusão de momento...

Zeca Baleiro :Comigo



Dia dos Namorados.  É o nosso "Valentine's Day".
No Brasil, comemora-se no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio,  chamado popularmente "santo casamenteiro".
Não sou muito afeita a dia disto ou daquilo, porém se for para ouvir um som agradávele e um poema delicadamente amoroso...
Aqui está Zeca Baleiro com sua composição para alegrar os corações...
Abraço!

Você vai comigo aonde eu for
Você vai bem, se vem comigo
Serei teu amigo e teu bem
Fica bem, mas fica só comigo...
Quando o sol se vai a lua amarela
Fica colada no céu, cheio de estrela
Se essa lua fosse minha
Ninguém chegava perto dela
A não ser eu e você
Ah, eu pagava prá ver
Nós dois no cavalo de ogum
Nós juntos parecendo um
Na lua, na rua, na nasa, em casa
Brasa da boca de um dragão...
Você vai comigo aonde eu for
Você vai bem, se vem comigo
Serei teu amigo e teu bem
Fica bem, mas fica só comigo...
Quando o sol se vai a lua amarela
Fica colada no céu, cheio de estrela
Se essa lua fosse minha
Ninguém chegava perto dela
A não ser eu e você
Ah, eu pagava prá ver
Nós dois no cavalo de ogum
Nós juntos parecendo um...
Na lua, na rua, na nasa, em casa
Brasa da boca de um dragão...

domingo, 10 de junho de 2012

frio em jeito perfeito

                                                Faz frio em Pelotas- RS- photo by infocenter DP (Diário Popular)


frio chega
afugenta
alegra
aconchega...

céu empalidece
sol desaparece
interior aquecido
amizade
poesia
saudade
alguma melancolia...

vazia não fica a casa
brasa da lenha incandesce
coração aquece
afeto esvazia entristecer...

manhã gelada
ao beija-flor não desagrada
em voar apressado beija
alvura em flor da nespereira...

balançam galhos
chão embranquece
nas pétalas em queda
brancura de neve...

quietude de inverno
traz tarde gris
pensamento calado
ar gelado na rua
emudecem passantes poucos
não calam os bem-te-vis...

frio em jeito perfeito
braços abraçam corpo
peito se abotoa
pescoço em manta coberto
céu em cachecol nublado
minuano assobiado
arrepia memória
agasalham-se lembranças...

sábado, 9 de junho de 2012

no amargo do chimarrão

                                   Chimarrão e pôr-de-sol no rio Guaíba - Poa -  RS - photo by guriadochimarrão



harmonia nas formas
no colorido
nas sensações em dia frio...

alimento um pouco
mais calórico
retórica calada
manhã gelada
roupa quentinha
meinha...

na cuia erva-mate
no amargo do chimarrão
gosto de felicidade
de realidade aquecida
com fumacinha
subindo... subindo...
desenhando escada
em caracol
até o raio de sol
faceiro
a entrar pela janela...

na poesia
na reflexão
dia se vai
assim frio
assim meio calado
por vezes nublado
até a chegada da hora
de ir embora
no entardecer
amargo se faz doce
como se a vida fosse
eterno amanhecer...
    

quinta-feira, 7 de junho de 2012

more than ever we have to sing... we have to pray...



We have to sing...We have to pray...  for light in the minds... for love in the hearts... for peace in the hands... for harmony in life... for joy everyday...
Choose this Mantra this time for some reflection, for afection between you and me...
Hope you enjoy it as I do...
Hugs!

Canción Mantra "Hare Krishna" con frases del libro Bhagavad-gita (El canto del Señor)
"Hare Krishna" Mantra song with Bhagavad-gita book quotes (Lord's singing)

Letra://Lyrics:
sânscrito:
«Om ajñāna-timirāndhasya jñānāñjana-śalākayā
cakṣur unmīlitam yena tasmai śrī-gurave namaḥ»

(Esp: Nací en la más oscura ignorancia y mi maestro espiritual me abrió los ojos con la antorcha del conocimiento. A él le ofrezco mis respetuosas reverencias. //
En: I was born in the darkest ignorance, and my spiritual master opened my eyes with the knowledge's torch. I give him my respectful bow.)

«He kṛiṣhṇa karuṇā-sindho dīna-bandho jagat-pate
gopeśa gopikā-kānta rādha-kānta namo ´stu te»

(Esp: ¡Oh mi querido Krishna! Tú eres el amigo de los afligidos y la fuente de la creación. Tú eres el amo de las gopīs y el amante de Rādhārāṇī. A Ti te ofrezco mis respetuosas reverencias.//
En: Oh my dear Krishna! You're the grief-stricken's friend and the creation's fountain. You're the gopīs master and Rādhārāṇī lover. I give You my respectful bow.)

sânscrito:
«Hare-Kṛiṣhṇa-hare-Kṛiṣhṇa
Kṛiṣhṇa-Kṛiṣhṇa-hare-hare
hare-rāma-hare-rāma
rāma-rāma-hare-hare»

(Esp: Oh energía del Señor, deseo estar a Tu servicio//
En: Oh Lord's energy, I want to be on Your service)

Krishna, Lord, God, Senhor de todas as coisas, Criador,Grande Pai, Energia Suprema, não importa a nomenclatura, algo além, vela por nós, nos acompanha, se estivermos abertos para essa energia...

verdade de mim

                                                                      image by Walt Disney Productions

saber
identidade
verdade de ti
um dia desejei...

amei
não sei
a quem...

invenção
figura idealizada
cansada...

cortina da retina
caiu
desconhecido
surgiu
lugar de morada
sentimento
voou
fria madrugada...

saber
identidade
hoje quisera
entender
a quem amei...

compreender
querer
apenas
simulado viver...

busquei
verdade de mim
aprendi...
não sei...

terça-feira, 5 de junho de 2012

áquila o feitiço

                                                cartaz de  "O Feitiço de Áquila"filme de 1984 em adorocinema.com


na manhã fria
sol se levanta
levemente a lua
encontra...

em vestes prata
de graça cheia
percorre a noite
majestosa
agora foge...

sol empalidece
ao vê-la partir
sem poder acariciá-la
com seus doces raios
aquecer-lhe a face
dourar-lhe os traços
tê-la nos braços
no compasso dos enamorados...

de áquila o feitiço
esconde o grito
de dor do falcão
ao horizonte voar
na busca de um olhar...

tal falcão e lobo
enfeitiçados
lua e sol
no desencontro
desde o arrebol...

segunda-feira, 4 de junho de 2012

lovely day

                                                                       image of Krishna baby- Indian Mithology


heart on peace
morning coming
slowly...

life goes on
inner power
in the eyes
in the smile
in the hands
in the friends...

and we thanks
for dedication
for celebration
of goodness
of tenderness
growing inside
everybody
for a lovely day...

domingo, 3 de junho de 2012

não por casualidade

photos by maude poesia


não por casualidade
chega alguém
em amizade
olho céu diariamente
azulmente pintado
regresso leve do jardim
flor cresce conforme estação
aloe vera se manifesta
como se fora primavera
paraíso amarelece
érica com generosidade
enfrenta realidade de temperatura
hibisco corteja lua
da alma vem crença em mim
não sozinha ouço som sem fim...

não por casualidade
se faz poesia
na singularidade
na sinceridade
na verdade
na crença
na divina presença
nomeada conforme se queira
habitante do profundo espaço
reservado com afeto
melhor lugar de carinho
oferecido com agradecimento...

não por casualidade
me alegro
me espanto
a cada nova pétala
a cada sincero sorriso
a cada palavra de sentido
a cada dia surgido
vivido como primeiro
de eterno janeiro...

não por casualidade
não me canso na lida
não reclamo das feridas
acalmo-as na compreensão
transmuto-as em experiência
vivência de crescimento
dá sentido ao sofrimento...

não por casualidade
antigas filosofias
chegam a mim
sabedorias milenares
valores de respeito
ao jeito feliz de ser
costumes de energia
saúde como legado
de viver em liberdade...

não por casualidade
consciência gera ação
poesia tem expressão
compromisso no cotidiano
de fundamento concreto
poesia canto irrequieto
fazer com barro na mão
vida em verdade expressa
não por casualidade manifesta...

não por casualidade
os dias parecem iguais
as flores parecem as mesmas
as amizades desmerecidas
se não atentamos à vida
sufocada dentro de nós
não por casualidade...

tempo e vento da vida

                                    "O tempo e o vento"- aquarela sobre papel - 1985 - Glauco Rodrigues - Acervo do MARGS

Nota: A trilogia O Tempo e o Vento, do escritor gaúcho Erico Verissimo, é considerada por muitos a obra definitiva do estado do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do Brasil.
Dividido em O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1961), o romance representa a história do estado gaúcho, de 1680 até 1945, através da saga das famílias Terra e Cambará.
Recentemente, parte dessa obra foi novamente utilizada pelo cinema, o que já fora feito anteriormente. Esse filme denominado O Tempo e o Vento entrará em cartaz brevemente.
Ao usarmos as palavras "tempo" e "vento" sempre vem à lembrança a obra de Érico, marcante na literatura gaúcha, brasileira e internacional, tendo traduções para diversos idiomas em vários países.
Soube Érico mostrar o seu amor pela terra onde nasceu, contando sua história de formação de modo singular e definitivo.
Soube Érico traduzir os sentimentos da alma gaúcha identificados profundamente nessa dualidade "tempo" e "vento"...


tempo e vento da vida

cara do dia se mostra
cedo junto à porta
sopro frio
sol escancarado
algumas nuvens faceiras
dançam na domingueira...


aragem fria chega
junto com a madrugada
rebojo de frio no tempo
dança de folhas ao vento...


ah... tempo e vento da vida
composição amparada
nas manhãs de infância vividas
quebrando gelo em gargalhadas...


risos alto ecoam
lá dos confins da memória
trazem lembranças repetidas
fizeram... fazem minha história...


suspira o coração
na manhá de claridade
mesmo clarão fundamenta
vida desde tenra idade...


compartilho em versos
expressos num sopro vindo
desde felizes tempos
sempre ao embalo do vento...

sábado, 2 de junho de 2012

flor e lua

                                                                           
                                                                               photo by maude poesia

quietude se faz poesia
alma silencia
coração acalanta
canta alegre esperança...

enuvia céu na aparência
urgência de nada
noite chega devagar
passos leves na saudação
dia finda caminhada...

meia fofa no pé
foguinho a crepitar
anunciar de magia
sossego ao fim do dia...

 noite não traz estrelas
quase cheia
meio encoberta
solidão não sentirá
na escuridão da rua
flor acompanha lua...

tardes no aeroclube

                                                                          photo by FlightAware

ah... saudade de antigos voos
asas de adolescente emoção
céus de sonhos feitos
paisagens de nativo chão...

ao manche mano hamilton
abrindo ares desconhecidos
sentires na mente gravados
até o final dos dias...

bons tempos no céu
pra navegação
na terra olhos de lince
acompanhavam incursão...

ah... tempos de asas abertas
pra vida em amanhecer
nas tardes no aeroclube
até o sol escurecer...

na trança do tempo

                                                                                         photo by maude poesia


olhar no céu
não esquecer do chão
asas no alto
pés no caminho
sozinho
acompanhado
amanhecer chegado...

reflexões não tarde
observações
agradecimento sempre...

como não fazê-lo
ao dia claro
ou nublado
na alma há claridade
na verdade da vida
na generosidade da lida...

ferem desigualdades
cicatrizam antigas feridas
na força da amizade...

dia anúncio de esperança
na trança do tempo
sem chuva
sem sol
sem vento...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

sopro de luz

                                                                                             photo by maude poesia


internos sentimentos
expressão procuram
vagam no escuro
palavras perdidas
sentido desbotado
rasgados panos
enganos amassados
fios esgaçados
composição fugaz...

atrás da vida
mundo estreito
jeito de nada
gosto de gasto
gesto desalentado
extenuado canto
choram pranto
enxugam choro
calam voz...

ao grito fraco
um anjo espera
enfeita terra
com raios de luz
inspira fundo
compõe mundo
num segundo
tudo compraz...

jogo de luz
claro escuro
sombra raio
rio interno
frio inverno
logo se faz...

não chega amparo
em atraso
compasso do ser
angústia de ver
descrer não revela
espera se ajeita
campeia
espreita
na sombra desfaz
cor
perfume
de junho chegado
sentam ao lado
num sopro de luz...