quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tapera - Vitor Ramil


Tapera integra o cd e o vídeo délibáb de Vitor Ramil (2010)

poema de João da Cunha Vargas
música de Vitor Ramil
O poema de linguagem regionalista fala de uma tapera, construção hoje em ruínas, lugar de antiga morada.
Lembranças, memórias, saudade... No ritmo da milonga, sente-se a tristeza do poeta ao falar do antigo lugar...
Ao ouvir as composições que integram esse cd, percebe-se a dedicação e a sensibilidade na seleção dos poemas, musicados por Vitor,  que compõem esse magnífico trabalho.

Rancho de barro caído
Num canto à beira da estrada
Algum tempo foi morada
Do velho guasca tropeiro
Foi pouso de carreteiro
E do índio da pá virada

Se vê o sinal do palanque
Do pára-peito e cercado
E um pé de umbu bem criado
Onde se dormia a sesta
Braço curvado na testa
Sonhando com o passado

Deixei gravado na casca
A data marcando a era!
Gravar de novo eu quisera
O que deixei no rincão
E tirar de riba do chão
A cicatriz da tapera

Pedaço triste do pago
Quando a noite vem chegando
E o gado vem farejando
Procurando uma pousada
Lambendo a guincha esfiapada
Que o tempo vai derrubando

Quando ali passa o gaudério
De noite com tempo feio
Quase sempre tem receio
Que ali exista um assombro
Atira o poncho no ombro
Levanta o pingo no freio

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