quinta-feira, 31 de maio de 2012

Krishna Das and Deva Premal Mere Guru Dev w/lyrics Webster Hall NYC



Escuto e vocalizo Mantras há bastante tempo. Não sei dizer quanto. O aspecto temporal passa a ter um outro significado quando se pratica Yôga - milenar indiana prática, fundamentada em conhecimentos de filosofia de igual antiguidade.
Decido compartilhar agora este lindo Mantra porque desejo dividir com aqueles que visitam este espaço de poesia, a alegria, a satisfação, que me invade todas as vezes que me aquieto na vocalização ou, simplesmente, na audição de um Mantra.
Acredito que os Mantras são capazes de estabelecer uma troca energética com o Universo, acalmando o espírito, aquietando a mente, abrindo a porta do coração para sentimentos de elevação e sabedoria.
Emociono-me com a leveza dos sons, com a atitude dos vocalizadores, com a inspiração de beleza e sensibilidade que fundamenta os Mantras.
Com carinho, com amizade, convido o visitante a deliciar-se com a audição, também com vocalização, acompanhando Krishna Das e Deva Premal.
Abraço!


maio em paz

                                                                                        photos by maude poesia


ano em ciclos de meses
adiante vai de mansinho
tal matinal passarinho
voa de asas abertas
deixa-nos boquiabertas
com destreza do voo
ressoo de antigos soares
memória de tantos lugares...

maio fica hoje por aqui
em costumeiro agradecer
louvo dias tão claros
de afagos
de ofertas
de abraços
amizades benfazejas
belezas no encanto da alma
calma de tarde
doce entardecer
de dia
de vida...

ocaso não por acaso
repleto nas amizades se faz
brisa junto às folhas
docemente
amarelecendo devagar
no embalo de maio em paz...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

retrato do meu outono - JJ de Oliveira Gonçalves

Blogger

                                                                                   photo by maisbelas.com.br




Querida Maude, para ti...


Essas folhas pelo chão
Caídas... em abandono
São versos do coração
Retrato do meu Outono...


São rimas em profusão
Ai, frágeis - áureas Ternuras...
Dos Sonhos meus a Ilusão:
Já desbotadas Venturas!


Essas folhas, minha amiga
Que foram verdes - um dia
São notas de uma cantiga
Concreta e quieta Poesia!


Me lembram Transmutação
Calmo Ocaso da Existência...
Mágoas, talvez... Solidão!
Estoicismo - em sua Essência!


Com bageense e franciscano abraço!
JJ!
5/30/2012 11:17 AM

Com alegria recebi hoje este poema do meu querido amigo poeta JJ.
Compartilho com os caros leitores do blog, esta deliciosa composição!
Agradeço comovida ao querido amigo, pelo carinho, pelo afeto, pela amizade!
Grande abraço!

Tapera - Vitor Ramil


Tapera integra o cd e o vídeo délibáb de Vitor Ramil (2010)

poema de João da Cunha Vargas
música de Vitor Ramil
O poema de linguagem regionalista fala de uma tapera, construção hoje em ruínas, lugar de antiga morada.
Lembranças, memórias, saudade... No ritmo da milonga, sente-se a tristeza do poeta ao falar do antigo lugar...
Ao ouvir as composições que integram esse cd, percebe-se a dedicação e a sensibilidade na seleção dos poemas, musicados por Vitor,  que compõem esse magnífico trabalho.

Rancho de barro caído
Num canto à beira da estrada
Algum tempo foi morada
Do velho guasca tropeiro
Foi pouso de carreteiro
E do índio da pá virada

Se vê o sinal do palanque
Do pára-peito e cercado
E um pé de umbu bem criado
Onde se dormia a sesta
Braço curvado na testa
Sonhando com o passado

Deixei gravado na casca
A data marcando a era!
Gravar de novo eu quisera
O que deixei no rincão
E tirar de riba do chão
A cicatriz da tapera

Pedaço triste do pago
Quando a noite vem chegando
E o gado vem farejando
Procurando uma pousada
Lambendo a guincha esfiapada
Que o tempo vai derrubando

Quando ali passa o gaudério
De noite com tempo feio
Quase sempre tem receio
Que ali exista um assombro
Atira o poncho no ombro
Levanta o pingo no freio

terça-feira, 29 de maio de 2012

palavras falam de vida...




vocábulos
palavras
expressões
ditos
discursos
significados
sentidos
vagos
soltos
pertinentes
revoltos
compostos
múltiplos
percebidos na reflexão...

admiração causam
olhá-los
vê-los
sabê-los
na mudança
na elocução
na evolução
na ventania dos dias...

dizeres das bocas de antes
andantes pelas estradas
falares empoados
nos salões anunciados...

composições
falas
abrem da mente a porta
do coração dizem o ritmo
escondem segredos
revelam medos
registram consciências
de antigos lugares paisagens
de épocas vivências
passagens
costumes
palavras cheiram
têm sabor
cor
perfume
sangue nas veias
suor de lida
energia lançada ao universo
palavras falam história
palavras falam de vida...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

outono colorido

                                                                                  photos by maude poesia


outono colorido
vida amanhecida
nas flores
nas cores
manifestas belezas
ausentes de dores
reflexos de luz
conduzem a vida
expressa
sem pressa...

não cala o outono
menor incidência de luz
natureza se revela
rubras pétalas
amarelas folhas
macia impressão
amorosa visão
mínimo espaço
amplo abraço
momento de paz
poesia em expressão...

domingo, 27 de maio de 2012

bendito céu

                                                                               photo by maude poesia



bendito céu
olho infinito emocionada
por nada diria o passante
por tudo suspira a poesia...

nuvens densas
nuvens esparsas
pequenos cogumelos
aglomeradas qual caramelos
desvelos de anjos ao acomodá-las
embalá-las no final da estação
resguardá-las do vento
do frio
do vazio de almas mortificadas...

bendito céu
véu de esperança nos meus dias claros
iluminá-los... sei... tua magia...
nas tardes frias
nas manhãs geladas
nas noites de lua ornadas
na limpidez da harmonia...

des...folhar

                                                                         photo by maude poesia

não canto o amor
a paixão
desse canto me afastei
por quanto tempo não sei...

saudade de alegres momentos
essa... sim... tem seu lugar...
desencanto
desilusão
deslealdade
esses des deixo passar...

descrer dos sentimentos
hum... não é a questão
apenas o coração
precisa de descanso
amou de paixão composto
sofreu de amplo desgosto
aí estão outros des...

iludir-se é próprio
de juventude
despois de um tempo vivido
ilusão não tem sentido...

amor... ah...sei...
não tem idade
exige sinceridade
isso... sim...

sentimento virou mercadoria
alegria veste-se de despeito
mentira pinta-se de verdade
desrespeito é realidade
outros des...
assim não tem jeito
preciso de claridade...

num outono feito
de amarelecidas folhas
prefiro o ornamento da calçada
pelo lindo des...folhar...

sábado, 26 de maio de 2012

sabor do agora


"Garoa no outono " em Bagé - RS - 2010 - photos by skyscrapercity.com


chuva chega de mansinho
lavando plantas
aquietando mentes
manhã espia desconfiada
não quer acordar
prefere sonhar
com grilos... conchas... estrada...

telhado canta feliz
sem banho há dias
segredo envolve desejos
não desejar traz sossego
pássaros dormem
aproveitam serena hora
bicharada sente conforto
temperatura agradável
respira sabor do agora...

primeiras manifestações do dia
esperança e alegria
como não senti-las diante
da natureza expressa
assim em comunhão
anjos por certo celebram
todos os maus sentimentos
foram banidos da terra...

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Vitor Ramil - Milonga de Manuel Flores



Milonga de Manuel Flores
poema de Jorge Luis Borges
música de Vitor Ramil
voz Vitor Ramil
violão nylon Carlos Moscardini
este video é parte integrante do dvd délibáb documental que acompanha o cd délibáb (2010)


Manuel Flores va a morir,
eso es moneda corriente;
morir es una costumbre
que sabe tener la gente.
Vendrán los cuatro balazos
y con los cuatro el olvido;
lo dijo el sabio Merlin
morir es haber nacido.
Y sin embargo me duele
decirle adiós a la vida,
esa cosa tan de siempre,
tan dulce y tan conocida.
Miro en el alba mis manos,
miro en las manos las venas;
con estrañeza las miro
como si fueran ajenas.
¡Cuánta cosa en su camino
estos ojos habrán visto!
Quién sabe lo que verán
después que me juzgue Cristo.
Manuel Flores va a morir,
eso es moneda corriente:
morir es una costumbre
que sabe tener la gente

iemanjá... oxum... ogum... xangô...


                                       Ilustrações representativas de Iemanjá, Oxum, Ogum e Xangô



todo dia me proponho
cantar sensibilidade
isso não me faz tonta
por conta da suavidade...

boba fui
sonsa não sei
me recuperei a tempo
de cantar outro momento...

ando
navego a vida
teço as malhas do dever
crer sempre nos meus guias
traz renovada energia...

força na diária crença
perigo desaparece
amplitude na proteção
ogum no comando está
xangô orienta justiça
ladeado por oxum e iemanjá...
salve...

nuvens sem pressa

                                                                                   photo by maude poesia



serena manhã invade o dia
questiona existência...

pensamento voa
fica no chão
em todo lugar reflexão...

iguais parecem os dias
se não lhes damos atenção...

ontem fisionomias vi
ouvi cantos de bem-te-vis...

hoje o que será...
sereno anunciar...

mais amarelecem folhas
caídas rolam na calçada...

leve sopro de brisa
esboço de dia claro
nuvens sem pressa
vagam em frente à janela...

raios preguiçosos de sol
bocejam na calma manhã
amanhã novo despertar
outro jeito terá
olhar de observação
alguma conclusão...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Vitor Ramil - Querência



poema João da Cunha Vargas
música Vitor Ramil
voz e violão aço Vitor Ramil
violão nylon Carlos Moscardini
este video é parte integrante do dvd délibáb documental que acompanha o cd délibáb.

Este poema contém linguagem regionalista, com expressões que se referem ao falar de um lugar, de um tempo... bem ao sul do Brasil, no Rio Grande do Sul.
Trata do sentimento de tristeza que toma o poeta ao ter de deixar para trás sua "querência", o lugar onde nasceu e viveu até então...
Com sua voz e sensibilidade, Vitor nos faz também sentir a dor da perda do "torrão natal"!
Espero que apreciem esta primeira escolha do cd.
Abraço!

Querência

Deixei a velha querência
Saí de lá mui novinho
Com tabuleta ao focinho
E a marca já descascada
Ponta da cola aparada
Sinal de laço ao machinho
Por estes campos afora
Deste Rio Grande infinito
De pago em pago ao tranquito
Repontando o meu destino
Do campo grosso pro fino
Fui me criando solito
Angico, Mariano Pinto
Picada onde me criei
Por tudo ali eu andei
Bebendo e jogando a tava
Bem montado sempre andava
Corri carreira e dancei
Cruzei picadas escuras
Prum baile ou jogo de prenda
Derrubei porta de venda
Pra tomá um trago de canha
E esporeei boi na picanha
Em tudo que foi fazenda
O que viesse eu topava
Serviço, festa ou peleia
Cortei muita cara feia
De indiozito retovado
E amancei muito aporreado
Com pé-de-amigo e maneia
Um dia me deu saudades
E eu fui rever o meu pago
Sentir da china o afago
E o vento frio do pampeiro
No coração caborteiro
Do meu peito de índio vago
O tempo passou, lá se foi
E eu não queria que fosse
Tudo pra mim terminou-se
Nem eu sou mais o que era
A estância virou tapera
E o que era xucro amansou-se
E hoje só o que me resta
É o pingo, o laço e o pala
Pistola, só com uma bala
E a estrada pra bater casco
No cano da bota um frasco
E um fiambrezito na mala!

Vitor Ramil délibáb documental compacto



compacto de délibáb documental.
versão integral disponível no dvd que acompanha o cd délibáb (2010).

Vitor Ramil marca, além de ser pela beleza de suas composições, pela sensibilidade do artista, também pela seriedade, criatividade, competência com que encaminha sempre seu trabalho.
Pesquisa, estudo, dedicação fazem parte de sua obra cotidianamente. Neste álbum, chamado por Vitor, délibád, o artista aborda as raízes da cultura deste chão do sul que fala um pouco o espanhol e um pouco o português, mesclando a arte através de sentimentos que nascem num clima  compartilhado pelos habitantes desta região do planeta.
Jorge Luis Borges( 1899/1986), escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino tem alguns de seus versos lindamente musicados e interpretados por Vitor, versos que cantam a alma e o sentimento de um tempo e de um lugar...
Também poemas de João da Cunha Vargas (1900/?) que afirmava não ter saído das primeiras letras, mas deixou uma obra poética de cunho nativista extensa e variada.
Vale ver este vídeo que conta um pouco da trajetória de construção do cd.
Percebe-se nele, nitidamente, a visão poética de Vitor diante dos fatos, das pessoas, do tempo... diante de si mesmo, quem sabe...
Na sequência, postarei vídeos com apresentações do cd délibáb.
Faço isso por ser uma profunda admiradora do trabalho desse excelente artista pelotense, para divulgá-lo ainda mais, visto que Vitor tem sua obra já conhecida em dezenas de países de vários continentes.
Também pela sensibilidade que me passa toda a vez que escuto, vejo, assisto a um trabalho de Vitor Ramil.
Agora ficamos com o compacto da feitura do cd délibáb. De excelente realização, já vale como um trailler da obra que é o próprio cd.  Abraço!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

i can

                                                                      photo by aulasdeyoga.net.br


when intend a goal
just try
if don't get it
may be sad
it happens now
with me
with you
in something we want to get
in something we want to do...

i know
i have to change
in order to get it
but it is difficult to say
i have to aim
'cause i also know
i can get it
i can do it
i can
now...

de papo pro ar...

                                                                                photo by maude poesia

há que se cuidar da alma
há que se cuidar do espírito
não descuidar do corpo
a mente manter plena
de saudáveis reflexões...

se triste
não há que se culpar
se amargura vem
cura também
basta atentar
não prolongar luto
tempo certo lhe convém...

amar o dia
tarefas necessárias
cumpri-las com gosto
no rosto sorriso irradia
luz interna
alma se fortifica
coração prazeroso na lida
mais tempo... gosto na vida...


se algo fere sensibilidade
força para mudar
aceitar...
se mudança não acontecer
calar... pensar... ponderar...
com isto o que se quer aprender...

há que se aprender com tudo
contudo aprende-se mais
melhor
se há gosto em aprender
se há sentido
despido de preconceitos
vestido de sonhos
sonhar alimenta o espírito
alegra a alma
fortifica o corpo
determina as ações...

depois... há que se ficar assim
de papo pro ar
que ninguém aqui é de ferro...



terça-feira, 22 de maio de 2012

onírico poetar

                                                     "Paisagem onírica"- óleo/tela de Guilherme de Faria - 1991
                                                                                                   em pinturadeguilhermedefaria.blogspot.com  



poeto por impulso
inspiração
ando ao lado
do verso...

quisera outro sentido
tantas vezes...
sem comando esse ser
a escolher letras
vocábulos
expressões...

intenções compartilhadas
por certo
no caminho escrito
verso anda sozinho
busca sentido
grita ao vento
sussurra em pensamento
rebela-se
entrevera-se nas multidões
delas foge apressado
assustado talvez
poema busca lucidez...

poetar terapia
hoje reflexão
expressão contaminada
loucura da estrada...

no silêncio
na observação
na dedução matemática
na rebeldia com a gramática
aos trancos e barrancos
na fala regionalista
acena como a miss
na capa da revista
de artista faz papel
sonha... se alegra... entristece...
cala... reflete... volta a sonhar...
onírico poetar...

me criei em bagé

                                                            Antiga foto em P&B de Bagé - RS - 1969 - in todaoferta.uol.com.br                         

                                                                                                                                                                 
 não sei se foi minuano
de rédeas soltas no inverno
nas frias manhãs de geada
esculpida desse jeito
de sinceridade um defeito...

clareza nas assertivas
não me venhas com evasivas
já mandei índio embora
por mentira descarada
com a roseta da espora...

dou risada
faço troça
amo a vida
falo alto quando quero
sussurro se me convém
só me detém meu pai
do céu quando quiser...

sou mulher de energia
gaúcha...  me criei em bagé...
decido a minha vida
tenho responsabilidade
tantos nem sabem o que é...

brigo por questão de justiça
respeito gente... bicho... natureza...
a alma não vive presa
alto voa na poesia
nascida nas travessias
de arroio de frias águas
na infância... e todos os dias...

domingo, 20 de maio de 2012

a verdadeira solução

                                                                              photo by portalmec.gov.br

impaciência
sempre presente
argumentos quebrados
respirar preciso...

lê-se
ouve-se
urgência de entendimento
questões do momento...

falácias...
já se sabe
verdade das crises
solução...
ora... aí a questão...

solucionar interessa a quem...
então... convém continuar...
falatórios
retóricas de politicagem...

descuidados acreditam
até incentivam
se também lhes interessa
mas a pressa da solução
não existe...

programação cuidada
superficiais assuntos
conjunto de banalidades
inverdades
cobrem quase tudo
descobrem futilidades
na invernada de baboseiras
afunda-se possibilidade
ama-se superficialidade...

culpa-se educação
culpa-se administração
culpa-se a seca
culpa-se a enchente
culpa-se passante
se descuidado for
rigor dos fatos
interessa a quem...

clareza leva paciência
aceitar maledicência
ignorância incentivada
cultura da mediocridade
subterfúgios para desviar atenção
evasivas
falas comandadas
ah...não há como aguentar...

culpa-se no momento educação
esta a verdadeira solução...

asas do vento

                                                                           photo by atensnacional.org.br

céu se cobre
encobre sensações
impressões de nuvens
deslizam
suavizam olhar
imóvel
se descobre
manhã
se vê
se crê
longe de todos os lugares...

criações da mente
urgente de palavras
semente
sapiente
sabedora de nada...

se muda espreita
contenta-se em ser
saber não quer
requer mudança...

balança o tempo
nas asas do vento
pensamento vivo
sentido de quase tudo
compreensão calada...

sábado, 19 de maio de 2012

será questão de educação...

                                                                                                                                  photo by greensteps.com.br


bocas fechadas
mentes descalças
abraços colapsos
bolsos rasgados
trapos espalhados
no chão...

estômagos famintos
corpos obesos
sonhos domesticados
na garganta
da alma...

políticos eloquentes
ideias espalhadas
dissimuladas intenções
acumulados ganhos
ampliados cifrões...

lucros anunciados
tapetes colocados
acenos
sorrisos
apertos de mão...

mãos estendidas
corpos enfraquecidos
esperanças ressecadas
seca a estação...

coração do mundo doente
assiste a tudo tristemente
esperança soluça no chão...

por que chora
por que não levanta
por que demora
compreensão...

será questão de educação...

o porquê

                                                                       photo by br.photaki.com


sentir profundo
anda no mundo
da alma...

compreender quisera
ampla espera
desagrado...

sentir profundo
anda no mundo
do coração...

compreender quisera
céu de outono
abandono do dia
geografia da tempestade
descompostura da criatividade
gargalhar de pura alegria
riso aceso
sorriso emprestado
angular na fotografia
da alma
na calma compostura da tarde
não tarde ainda na chegada do dia primeiro
do mês de necessária ira
a invadir as bocas
os ideais mentidos
submetidos pontos
comprometidos corpos
de vestes desumanizadas
ensaiadas falas
sedentas línguas
mentirosas ações
postergadas conclusões
no fim da fila...

compreender quisera
pior
talvez entenda o porquê...

dentro do rio

                                          Rio Uruguai, divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul - Brasil
                                                                   photo by wikipédia


não sei andar pela margem
logo quero nadar no fundo
tentar entender
ações
sentimentos
sempre surpreendentes...

sem avaliações professorais
doutorais diagnósticos
psicológicas interpretações
quero apenas sentir
compreender
conviver
sonhar
idealizar um pouquinho
caminhar devagarinho
respirar
transpirar de surpresa
bom senti-la
ficar sem respiração um tempo
curtir de admiração o momento...

não sei andar pela margem
dentro do rio há mil possibilidades...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

afeto... carinho...

                                                                      "great-grandmother and great-granddaughter"- 17/may/2012
                                                                    photo by maude poesia


afeto não se pede
se dá por vontade
em qualquer idade...

carinho chega
oferta do coração
não importa tempo
com sorriso
com saudade
com sinceridade...

quinta-feira, 17 de maio de 2012

poesia não é agrado

                                                                                                photo by projetogaiolaaberta.wordpress.com


poesia não é agrado
não pede passagem
faz caminho
faz ninho
alto voa
na garoa
na ventania
sente agonia
inquieta o espírito
respira
tosse na gripe
nada em águas mansas
afoga-se na adversidade
sente saudade
fica insone
com fome de mente aberta
faz descobertas diárias
sabe um pouco de nada
fica no modo mudo
fala pelos cotovelos
desenovela novelos de lembranças
desfaz tranças apertadas
sente-se sozinha
fica contrariada
levanta cedo em bocejos loucos
tarde não faz história
visita guardados
da memória
chora
se descabela
espera
conclui
intui
desanda em expressões do infinito vindas
desentende inspiração
não tem pressa de nada
urgência de amizade
carência de seriedade
nos olhares
nos gestos
nos restos de generosidade
espera sinceridade
aplaude uma linda canção
dança a vida
flexibiliza-se
cicatriza machucados
improvisa
realiza o presente
serenos
ousados são seus versos
poesia não é agrado
talvez agravo
a opressoras posturas
a tristezas
a amarguras
poesia  inventa sol
banha-se ao luar
traduz sentir do vento
comunga com a natureza
não sobrevive presa
ama a liberdade
nasce no fundo da alma
tenta traduzir sentimentos...

miragens de vida

                                                                                                                                      photo by maude poesia


no alto
nuvem se perdeu
soprou aragem da tarde
embora foi
se escondeu...

escondem-se sentimentos
trazidos no vento do outono
pintam-se folhas no jardim
lentamente caem sobre o capim...

assim a vida
no meio
no fim
afins desaparecem
no sem fim de afazeres
lazeres
deveres
dizeres
bem
mal
talvez...

azul outonal
não ensaia
faz praia em maio
no céu
lambe a cara do dia
de folhagens enfeita o chão
miragens de vida
no vento se vão...

esperar pelo agora

                                                                                                                        photo by maude poesia


paciência
passar turbulência
com passo ensaiado
sereno semblante
rompante guardado...

paciência
esperado
desejado
ampliado
negado
desentendido
entendido...

paciência
à porta
enxerga intenção...

paciência
mar agitado
dia nublado
gris da tarde
sol ardente
não cansa
dispensa
licença...

paciência
aviso
retido no topo
vendido no sopro
latido do cão
assobio do vento
escorrega lamento...

ah... paciência
mil vezes paciência
quieta
aquieta
inquieta
pressiona
incomoda
perde-se
reclama
exclama
proclama
vai embora...

ah... paciência
com a paciência da hora
natureza ensina esperar pelo agora...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

a benzedeira

                                        "A casa da benzedeira" photo  by Paulo Rogério Magro in "Obras de artistas gaúchos"


quietude do ocaso
tempo não age
viagem da mente
da alma somente
sem peso
sem pressa
sem regras...

demente sentido
poetar perdido
aceito
sem preconceitos
mil defeitos
bom tê-los
revê-los
cheirá-los
faz bem
pra gripe
pra tosse
pra dor de cotovelos
também alivia a dor
da corcova do camelo...

sem pelo
pelado
afetado
regrado perdeu-se
afogou-se
com gestos
manifestos
ou não
no arroz com feijão
arrotado camarão
trejeitos
engomados
ajuizados
na oficina da loucura da sociedade desenvolvida
melhor visitar a benzedeira...

terça-feira, 15 de maio de 2012

calor do coração

                                                                                  photo by maude poesia


esconde-se na manhã ensolarada
frio chegado na madrugada
vento descabela pequenino pessegueiro
cachorras atrás das folhas esvoaçadas...

céu ainda outonal azulmente resplandece
aquece a alma o olhar da gata
tempo não espera
felicidade
não se evade
presente
é presente
espargem-se todas as alegrias pelo chão
junto às folhas em final de estação...

tudo participa do momento
sopra forte o vento
suave brisa na alma
calma desmanchada em luz
no auge da tarde
antes do entardecer
aquecer-se em bocejo
à beira da lareira
pedir licença
às chamas crepitantes
no calor do coração...

cores... sons... sensações...

                                                                               photo by flightAware



cheiro de vento
pelas narinas
fascina o ar nos pulmões
rugem hélices na rotação
ontem é hoje
tempo desconecta
sensação aberta
memória desperta
cores
sons
sensações...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Vitor Ramil - Estrela, estrela



Show do músico, escritor, poeta e cantor de Pelotas, Vitor Ramil, no projeto Unimusica, com os convidados Iam Ramil - seu filho - e Bella Stone, na reitoria da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Porto Alegre, 04/agosto/2011.

Vitor compôs esta música aos 18 anos, em 1980. De lá para cá, esta canção já foi gravada por inúmeros cantores nacionais e estrangeiros.
Afirma-se que Vitor a compôs em homenagem a sua mãe. Numa de suas apresentações em Pelotas, num show, no ano de 2008, no Teatro Guarani, ouvi Vitor dedicá-la a sua mãe que estava na plateia.

Hoje, peço licença a Vitor, para dedicá-la a minha mãe, bem como a todas as mães brasileiras e do mundo inteiro, pelo Dia das Mães que se comemora no próximo domingo, o segundo de maio.

De suave melodia, Estrela, estrela faz lembrar um canto materno de acalanto...



Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos

E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção

quinta-feira, 10 de maio de 2012

natureza em manifestação




                                          All three photos by Giuliano Scheggi to whom Maude Poesia thanks very much!


encontra a primavera
algum lugar
para florescer
para alegrar
sensibilidade capta
natureza intacta
assim a se revelar...

num hemisfério outono
folhas em abandono
amarelam a paisagem
desnudam-se galhos
perdem a folhagem...

noutro flores revelam
chegada de novo tempo
nova vida
nova estação
embelezam jardins
alegram serafins
na multicolorida expressão
brincam de colorir
emocionar
embelezar...

natureza em manifestação
do tempo em cada estação
em cada lugar
resta-nos perceber
apreciar
agradecer...

vida com alegria

                                      No restaurante dos amigos Raquel e Márcio, numa cadeira alegremente iluminada...
                                                                  photo by Janina


tristeza não persiste
assiste alegria insone
dominar espaço interno
seja verão ou inverno...

não a busco obcecada
surge iluminada
encoraja
desbanca casmurrice
ah... rima com velhice...

alma
corpo
espírito
enfeitam-se
fisionomia resplandece...

coração assim
não envelhece
aquece-se ao fogo
da atividade prazerosa
vida com alegria
parece sempre
ter a cor preferida
de maísa
cor-de-rosa...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

interno canto de paz

                                                    photo by JJotaPoet@ a quem Maude Poesia agradece!


interno canto de paz
de satisfação
de plenitude
brota da hora vivida
depois da luta vencida...

amparo de inspiração
chega no exato instante
fortifica na exigência
de energia
de disposição...

recolhimento
reserva
descanso
reposição de alento
agasalho ao frio vento...

bendito céu que me traz
sol
chuva
nuvem
estrela
lua iluminada
energia renovada...

coração emocionado
agradece em prece singela
pelo equilíbrio na espera
pela certeza do caminho
pela disposição de lutar
pela energia do sol
pela inspiração do luar...

terça-feira, 8 de maio de 2012

amizade pra além desta vida

                                      "Café com amigas queridas"- Ao fundo vista da praça central de Pelotas- RS
                                                                                                          photo by maude poesia



não canso
não esqueço
de cantar amizade
no silêncio
na cidade
na rua
no dia nascente
ao pôr-do-sol cotidiano
amizade
amor sem engano...

ao amigo nosso carinho
nosso afeto
nosso jeito
defeito não considerado...

amigo na distância
saudade
na lembrança
alegria
de dias juntos vividos
recordar é sinfonia...

ditos
ideias
fisionomia
enchem alma amiga
de sincera alegria...

comunhão de muitos pensares
desalinho em alguns lugares
dos pensamentos expostos
não chegam a maltratar
exercitam respeito
cada um tem seu jeito...

amigo
ombro abrigo
ouvidos de ouvir
abertos braços
desperto olhar de acolhida
amizade pra além desta vida...

Oi, de casa... (JJotaPoet@)

                                                                            photo by maude poesia


Oi, de casa...


Vera (ou Maude?) minha amiga
Em teu Cantinho Encantado
Meu verso faço em cantiga
E a rima em tango ou fado!


Do Silêncio faço Prece
Brotada do coração!
Amigo que não te esquece
Por Laços-de-Afeto: irmão!


Parabéns, pela Beleza
Fazer de Amor um jardim
Onde Mamãe-Natureza
Nos leva d'Alma o spleen!


Aqui, deixo meus versinhos
De outonal inspiração!
No "Blog" - flores, bichinhos:
Leveza e Paz - Comunhão!



Com o abraço franciscano
De um José de nome João!



JJotaPoet@!
Porto Alegre/RS


 

Nota: Não canso de afirmar que a amizade é a mais perfeita forma de amor!
Tenho amigos queridos que fazem minha vida cotidiana mais leve e feliz com suas presenças, com seus incentivos, com seus afetos, com suas honrosas amizades!
Dentre esses amigos, de longe e de perto, que vejo seguido ou que nunca vejo, está meu querido amigo e poeta JJ.
Hoje recebi uma linda homenagem, numa primeira visita anunciada, que desejo não fique apenas nesta, acompanhada de um lindo poema!
Publico-o, então, com muita alegria. Pinto-o com a imagem da filha e de um cão! Nossos amigos sempre fiéis!
Obrigada ao amigo JJ pela honra da visita e do poema!
 Agradeço, também, a tantos amigos que, mesmo incognitamente, me emocionam e incentivam com suas frequentes visitas!
A alma da poeta agradece comovida a todos!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eric Clapton - Old Love (amazing live version)



Old Love (Eric Clapton)

I can feel your body
When I'm lying in bed
There's too much confusion
Going around through my head

And it makes me so angry
To know that the flame still burns
Lord, why can't I get over?
Man when will I ever learn?
Old love, leave me alone
Old love, just go on home

I can see your face
But I know that it ain´t real
Just an illusion
Caused by how I used to feel

And it's making me feel so angry
I know that the flame will always burn (flame will always burn)
I ain't never gonna get over
I know now that I'll never learn (never learn)
----------------------------------------------------------------------------------
there's always an old love
you know you won't forget...
and it burns
sometimes it hurts
it is there
everywhere
in your heart
in your mind...
there's always an old love
in each heart and mind
and we know it will survive
forever...

no matter if burns
no matter if hurts
it will be forever...

rua sozinha silente

                                                                      photo by ultradownloads.com.br


lua cheia se esconde
na nebulosidade
na orgulhosa vaidade
quem sabe
dividir espaço
como criança mimada
impossibilitada
privilégio ser só
longe dos outros astros...

rua perdida
palco enuviado
quem espera... saberá
lua convidada
pra festa requintada
nubla noite então
sem reclamação...

sentimentos da lua
ocultam palco da rua
céu nublado produz efeito
nada considerado
na luminosidade ausente
rua sozinha silente...

domingo, 6 de maio de 2012

rio do outono










                                                                       photos by maude poesia
                                              
sentimentos vários
acompanham alma poeta
inquieta por vezes
calma noutros...
...momentos
de insensatez
talvez ousadia
até valentia
como diria ana terra
em tempos de guerra
nos caminhos de o tempo e o vento...

brava postura
amparo sem amargura
bravura de vida
sem saída às vezes
por vezes só de saída...

dançando o remanso
do rio do outono
sem abandono
curtindo sabor da estação
em diferente expressão...

sábado, 5 de maio de 2012

Chico Buarque - Medo de amar (Vinícius de Moraes)



Medo de Amar (de Vinicius de Moraes)

Vire essa folha do livro e se esqueça de mim
Finja que o amor acabou e se esqueça de mim
Você não compreendeu que o ciúme é um mal de raiz
E que ter medo de amar não faz ninguém feliz

Agora vá sua vida como você quer
Porém, não se surpreenda se uma outra mulher
Nascer em mim, como do deserto uma flor
E compreender que o ciúme é o perfume do amor

sexta-feira, 4 de maio de 2012

universo em lucidez

A Mulher com os Pés sobre a Lua é uma imagem bonita e insólita. É uma das imagens mais presentes no vocabulário da arte brasileira do século XVIII. Se você for um leigo em arte sacra, como eu, e buscar aprender os padrões de repetição que ajudam a "ler" aquela imensa variedade de formas, um dos mais simples é reconhecer as várias Nossas Senhoras. São tantas. Cada uma delas tem marcas identificadoras: o terço na mão da "do Rosário", as facas no coração da "das Dores", a lua nos pés da "Imaculada Conceição". ( Em terrasraras.com.br)



de onde o canto
incansavelmente simples
respira ar
descobre aurora...

de onde a lua
cresce sem descanso
na face crescente
quase totalmente iluminada...

de onde a brisa
os galhos balança sem pressa
cotidianamente...

de onde o riso
alegra fisionomia
serenamente em esperança...

força
energia
disposição
nomear pra quê...

sentir apenas
enxergar talvez
cada detalhe
universo em lucidez...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

segredo das flores

                                                                              photo by maude poesia



amparadas pelas outras flores
juntinhas pétalas com pétalas
folha junto a folha
flores adquirem força
redobrada
multiplicada...

ações de vil sentido
ampliam-se na vida política
não mais importa a crítica
envergonham a quem
vergonha tem...

ganhos ilícitos
desvios propositais
fundamentos
não mais vitais...

desesperançados
entristecidos
vemos esforços sucumbirem
às ações interesseiras
ampliadas no poder...

desistir nunca
temos direito a ver
direitos respeitados...

observemos as flores
juntas crescem
juntas vivem
têm objetivos comuns
trocam energia
ampliam saber
frágeis só na aparência
coragem no enfrentamento
aos temporais
ao mais forte vento...

antiga sabedoria
do esquecimento retorna
espalha-se pela amizade
amplia-se na verdade
segredo das flores
na união exemplificada
na força assim conquistada...

terça-feira, 1 de maio de 2012

espetáculo de ser

                                                 Espetáculo de dança - Academia Corpo e Dança.Com 
                                                                               Teatro do Colégio Municipal Pelotense - 20/12/2010                                        
                                                          photo by Gabriel Oliveira


sensações
constatações
fatos
pessoas
retratos
imagens se multiplicam
intensificam sentir
proximidade
amizade
contentamento...

atmosfera contagia
ouvem-se respirações
sorrisos ornamentam fisionomias
coração forte bate
eterno ritmo da alegria...

no ar compasso
na música
na dança
largo abraço...

sapatos aguardam a hora
alma elabora seu passo
na graça de se ver
parte do espetáculo de ser...