sexta-feira, 13 de abril de 2012

na corda bamba

                                            "Na corda bamba" - arte de Cristina Bottallo in cristinabottallo.art.br


difícil andar
sem tropeçar
andar requer
equilíbrio perder
à frente ir
faz bem sorrir
chorar a visão
embaça...

jogar-se
saber-se
na corda bamba
ao vento sul
em outono
céu azul...

erguer-se
se acaso cair
limpar o pó
salivar o machucado
coração em céu aberto
remendado...

dói pouquinho
arde o peito
devagarinho
tem jeito
amanhã
hoje
agora
pronto...
lá vamos nós...
coração e eu
não sós...

2 comentários:

São disse...

Andar na corda bamba ao vento sul é gracioso.

Mas andar na corda bamba em termos profissionais - e não só - como nós aqui estamos andando, é doloroso.

Bons sonhos, linda

Vera Luiza Vaz disse...

Amiga São,não imaginas como te entendo...

Recentemente me aposentei da atividade profissional de magistério.
Comecei minha atividade muito cedo...rsrs...

Posso te afirmar que em nenhum momento deixei de viver na corda bamba profissionalmente.
Sou muito questionadora e em educação sempre se deve buscar o melhor para professores e para alunos...Assim se buscará o melhor para o próprio país...

Vivi, duranre esse tempo de atividade profissional, duros tempos de repressão política.

O Brasil viveu mergulhado numa ditadura feroz que perseguia mestres e discípulos.Muitos de meus professores, no início da década de 60, foram banidos do magistério por motivos torpes e injustos. Décadas mais tarde tiveram de ser reconduzidos ao trabalho,por força de justiça, mas muitos deles já tinham falecido...

Posso dizer-te com orgulho que nunca me acovardei diante da intempérie e da insegurança da corda bamba...

Fui representante de escola,num momento em que o magistério era considerado um "sacerdócio",não precisando, evidentemente, na opinião dos governos da época, salários melhores, bem como condições dignas...

Lutei contra essa postura com "unhas e dentes"...

Duros tempos... Tempos de ferro como ainda hoje se fala das décadas de 60, 70, 80... Iniciei no magistério nos idos de 69, em plena ditadura...Tempo de calar... Tempo de não se expressar...

Construir algo com idealismo era quase impossível...

Mas a juventude e o idealismo sempre me deram forças para ir adiante por justiça, por esperança de tempos melhores... que, afinal... vieram, não de todo, mas sempre se pode continuar lutando...

Amiga, não sou feita só de sonhos...
Meus sonhos sempre foram gestados na ação diária como até hoje...
Se minha poesia canta a esperança, o sonho, a fé é porque aprendi que elas nunca podem faltar...

Desejo, do mais profundo de meu coração, que haja entendimento e iluminação nas cabeças dirigentes e que haja bondade nos corações para que tudo se acerte e os sonhos possam ter lugar na concretude do cotidiano...

Sem sonho, não há vida possível...

Um grande e caloroso abraço, muita luz, muita fé e muita esperança, minha querida amiga São!