domingo, 8 de abril de 2012

As nuvens do meu tempo de criança

                                                                                      photo by LCVaz


As nuvens do meu tempo de criança (*)

Luiz Carlos Vaz

(*) Para Vera Luiza, neste 8 de Abril

As nuvens de hoje, creio, não são como as nuvens de quando eu era criança. Não? É, acho que não!

No meu tempo de criança, em Bagé, as nuvens eram brancas. Ah, e lembro bem, o céu era azul. No meu tempo de criança as nuvens, repito, que eram brancas, formavam figuras de animais e coisas... eu e meus irmãos costumávamos ficar olhando para o céu, repito, que era azul, onde as nuvens, que se moviam suavemente, iam se transformando em coelhos, ursos, gatos e em outros bichos que nós só conhecíamos de revista.

Ali (ou lá?), diante dos nossos olhos, poderiam aparecer efêmeras imagens de camelos, elefantes ou girafas. Aquelas imagens, brancas como o algodão, que alimentavam nossos sonhos e nossa imaginação, não davam sinais de que poderiam desaparecer. Na verdade, não sei dizer quando aquelas nuvens brancas e todo aquele enorme céu azul desapareceram. Não lembro quando deixei de olhar para o céu – que era azul - para admirar as nuvens – que eram brancas - e suas formas mutantes. No entanto, neste primeiro fim de semana do Outono, elas – as nuvens brancas como o algodão - apareceram de repente para mim num céu que – como nos tempos de menino - estava azul.

Meu filho pequeno apontou para o alto e disse:

_ Olha, pai, um coelho... Olha só, agora ele perdeu as orelhas, virou um urso...

Imediatamente voltei no tempo e passei também a brincar com as nuvens. Ali, naquele céu, azul como nunca, que abrigava em seu seio nuvens brancas como o algodão, começaram imediatamente a se formar as mesmas figuras de animais e de coisas já conhecidas por mim.

Sob o céu de Santa Vitória apareceram, sem dúvida, as mesmas nuvens brancas da minha infância em Bagé.


Publicado em velhaguardacarloskluwe.blogspot.com

2 comentários:

roxana disse...

Beautiful!...
A precious reminder of how quick we forget the innocence and wonder of the childhood, how hasty we are to become grown-ups.
This post reminded me the words of a dead romanian writer, very dear to me, words she left in her testament: "if you want to give alms for me, water a thirsty plant, feed a hungry dog and teach the children to gaze to the stars".

A warm hug and have beautiful, sunny days ahead!

Vera Luiza Vaz disse...

Dear Roxana, my heart has been full of happiness these days!
When we see that people have good feelings about us, our heart dreams in a bed of blue clouds...
Agree completely with the romanian writer...
Thanks for coming to visit my blog!
Love and peace from Brasil!