quarta-feira, 28 de março de 2012

versos despetalados

                                                                             photo by maude poesia


coração alcança
fundo do rio
avança desafio
quebra correntes
rompe dormência
consciência aclara
sonho acaba
segue dia
anda estrada
chuva chegada
muda estação
muda tempo
mudo vento
mudos nós...

amanhece frio
hoje vazio
palavra exangue
débil gemido
anseio de voz
cortina no espaço
distância no traço
perdidos abraços
longe do mundo
distantes de nós...

perdeu-se magia
negou-se poesia
clamou justiça
bradou noite e dia
calou sua voz...

áridos tempos
veneno do mundo
segundo se expande
imberbe engano
rebento da hora
refúgio demora
acomodam-se sentires
respira-se negligência
busca-se seriedade
antigo sentimento
movimento rotativo...

rosto gelado
frias emoções
reticências perdidas
dormidas demandas
amparo desfeito
robusto esforço
sangria no peito
sem jeito ancorado
poema irrequieto
versos despetalados...

2 comentários:

SOL da Esteva disse...

Vera Luiza, Querida

Dizes os teus Versos despetalados com a energia das pétalas que lhes pretendes recusar.
São flores, Amiga. São flores ricas das suas pétalas.
A tristeza, essa é parte da Poesia.

beijos

SOL
http://acordarsonhando.blogspot.pt/

vera luiza vaz disse...

Obrigada, Sol!
Como sol que és, aqueces a alma com tuas palavras!
É a poesia vencendo distâncias...
Obrigada pela gentil visita!
Abraço!