quinta-feira, 8 de março de 2012

cora coralina e o dia internacional da mulher


                                                                     Cora Coralina (1889/1985) - Goiás - Brasil

Hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher.
Sou meio avessa a esse tipo de comemoração.
Dia disto, dia daquilo.
Coincidentemente todos os "issos" e "aquilos" sofrem preconceito em alguma instância, se não em todas... Por isso algum dia lhe é dedicado, como para que haja algum tipo de desculpa, bem como para que haja consumo de bens e serviços variados...
No entanto, já que esse dia está aqui, quero fazer uma simples homenagem, na figura singela, serena, forte e inspirada da poetisa e contista brasileira Cora Coralina (1889/1985) a todas as mulheres do mundo, assim como a todos os homens que se deixam tocar pela gentileza, pela amabilidade, pela serenidade, pela amorosidade, dando assim, a maior prova de sua masculinidade!
Que dirigentes, políticos e pessoas em geral abrandem seus corações e mentes pela afetividade, não só no dia de hoje, mas em todos os dias de suas vidas, para que tenhamos um mundo mais justo, mais amável, mais caloroso, mais feliz!
Um forte abraço!


Considerada uma das principais escritoras brasileiras, Cora Coralina, poetisa e contista, teve seu primeiro livro, "Poemas dos becos de Goiás", publicado aos 76 anos!

Mulher simples, doceira de profissão, viveu longe dos centros urbanos, alheia a modismos literários.
Sua obra poética é rica em motivos do interior brasileiro, principalmente, dos becos e ruas históricas de Goiás.


Quando um reporter lhe perguntou o que é viver bem, ela lhe falou:

"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?

Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança.

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."
 


 


O CÂNTICO DA TERRA (Cora Coralina)
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.


E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...






2 comentários:

Giuliano disse...

Viva la donna 366 giorni all'anno!

vera luiza vaz disse...

Viva!!!
Obrigada, Giuliano!
Abraço!