terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Les travailleurs de la mer

                  
                                               O Polvo - aquarela de Victor Hugo - 1866

Os Trabalhadores do Mar é a tradução portuguesa de Les Travailleurs de la mer, um romance de Victor Hugo, escritor francês, publicado em 1866. O livro é dedicado à Ilha de Guernsey, onde Hugo viveu 15 anos em exílio auto-infligido.
A história tem como protagonista um habitante de Guernsey de nome Gilliatt. O personagem que, segundo um 'leitmotiv' comum na poética de Victor Hugo, é um marginal social, que se enamora de Deruchette, sobrinha do armador Lethierry. Quando o navio de Lethierry naufragou no rochedo Douvres, um lugar particularmente perigoso, não muito distante da ilha, em direção da costa francesa, Deruchette promete casar-se com o homem capaz de recuperar o motor a vapor da embarcação. Gilliatt oferece-se, e o romance passa a narrar as suas aventuras e desventuras, entre elas a luta com um imenso polvo gigante, dentro de uma caverna no rochedo. Os Trabalhadores do Mar é ambientado imediatamente após as guerras napoleônicas, e entre seus temas está também o impacto da primeira revolução industrial na mencionada ilha.
Há no livro, ainda, a questão da morte voluntária, escolhida pelo principal personagem do romance, Gilliatt, quando lhe ficou bem claro que irrevogavelmente perdera o amor de Deruchette, apesar de ter feito o que ela pedira. Dirigiu-se ao mar, que ele conhecia tão bem, escolhendo caminhos desertos, para o último ato de sua vida: esperar a morte, por afogamento, com a maré alta, sentado na Cadeira Gild-Holm-Ur, curiosa formação no rochedo, de frente para o mar, em forma de poltrona. De lá, viu passar o navio Cashmere que levava sua amada, recém-casada com o jovem pastor anglicano do lugar. E, à medida que a embarcação afastava-se, subia o nível do mar. Victor Hugo descreve os últimos momentos de um amor impossível:
A água chegava-lhe à cintura. A maré levantava-se. O tempo corria. Ao mesmo tempo que a água infinita subia à roda do rochedo Gild-Holm-Ur, ia subindo a imensa tranqüilidade da sombra nos olhos profundos de Gilliatt. O navio afasta-se no horizonte: Depois diminuiu. Depois dissipou-se. No momento em que o navio dissipava-se no horizonte, a cabeça desaparecia debaixo da água. Tudo acabou; só restava o mar. (fonte: wikipedia)

 
 le travailleurs de la mer

andava o tempo sem pressa
naqueles meses de verão
sonhava adolescente
um sonho reincidente
estar numa praia distante
curtindo a quente estação...

sonho ficou perdido
convite chegou menos atraente 
às mãos um pesado volume
quase quatrocentas páginas
de misterioso desafio...

fundo musical de mozart...
tchaikovsky...beethoven...
pra desvendar uma a uma
cada página na compreensão
possível à adolescente
da dedicação insana de gilliat
do destemor contra o polvo no mar
na conquista do coração de deruchette

durante o distante e quente verão
les travailleurs de la mer
foram a misteriosa companhia
a também quase insana tentativa
de entender o mundo
as relações
os sentimentos
as decepções
através da leitura em sua magia...


3 comentários:

Luís Coelho disse...

Um romance pesado de mais mas também encantadoramente bonito.
Amor impossível.

Giuliano disse...

Romanzo bellissimo ma io credo che ogni amore sia possibile!

vera luiza vaz disse...

A propósito de amores possíveis e impossíveis, ontem assisti ao filme "Last chance Harry" com Dustim Hoffman e Emma Thompson que aborda justamente a chance de um amor entre dois personagens de alguma idade.
Fiquei pensando que o tempo, assim como os costumes, de modo impostor e invasivo, chegam a determinar com seus preconceitos de época a felicidade ou a infelicidade das pessoas...
Li o romance de Victor Hugo com pouca idade para conseguir entender todos os envolvimentos da trama, porém toda a leitura vale, se não por outros motivos, pela postura que ensina ao leitor de qualquer idade diante do que lê. Creio que desde pequena aprendi a reflexão sobre a vida e seus fundamentos a partir também das leituras.
Obrigada aos caros amigos pela gentileza de seus comentários!
Abraço!