quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

poetar ameno


                                                                                            photo by jm1.com.br



gosto da chuva
seu canto invade a alma
acalma o andar
sereniza a lida
traz reflexões à vida...

chuva na infância
sinônimo de estrepolia
chuva quente
garoa fria
chuva galopeada
não importava
a brincadeira ia solta
qual correnteza
depois da enxurrada...

hoje forte choveu
pingos cantaram no telhado
pelas vidraças escorreram
enxurrada na cidade aconteceu
aves se esconderam
cães adormeceram
gatos se enrolaram
pessoas se recolheram
céu de escuro se pintou
trovejou
relampeou
choveu... choveu...

amo a presença da chuva
abençoa a natureza
com sua água benfazeja
lava
rega
desperta
espera o outono sereno
tempo de poetar ameno...

Pelotas - Rumo aos 200 Anos




Post também dedicado aos amigos que não conhecem a cidade de Pelotas.
Nossa cidade é jovem. Este ano completa 200 anos.
Aqui vai um pouquinho deste chão do sul do Brasil!

reedição do belo ou flor do campo


                                                                 flores do campo -  photo by baixaki.com.br
existem poetas
quando poetam
ficamos a ouvir...

clarice
neruda
quintana
ramil
coralina
alma menina se encanta
canta a emoção
embala sonho a canção...

seus versos são nossos versos
emoções transpassam palavras
figuras
calamos...

ouvi-los é levitar
simplesmente sonhar...

expressam
expressaram pensamentos
sentimentos
alguém lhes sopra
lhes soprou
desde um tempo ido
tempo passou...

ideias pensadas
sentimentos sentidos
nada mais original
necessário trazer de volta o sentido
antes vivido
editado em outro coração
fazer nova edição...

apagam-se luzes da vaidade
materialidade do sentir
exagero de ter...


olha a miúda flor do campo
abre ao amanhecer
mostra presença
poucos a enxergam
não... isso não a intimida
segue serena
expressa-se leve
pequena apenas
conta com os raios de sol da manhã...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Vitor Ramil - Ramilonga





Vitor Ramil nasceu em Pelotas - RS - Brasil em 07/04/1962.
É cantor, compositor, músico e escritor de renome no país, bem como no âmbito internacional.
Ramilonga é composição de 1997 e o autor a dedicou à cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul (RS).
São de Porto Alegre as fotos neste vídeo.
O poema emociona. O poeta fala de um lugar que se percebe lhe é muito caro, abordando um sentimento que é conhecido pelos gaúchos, habitantes do sul do Brasil, "amor pelo seu chão".
A certa altura da sequencia de fotos, vê-se, sentado à frente de um par de fachadas coloridas, nada menos do que o poeta símbolo de Porto Alegre, Mário Quintana, a quem Vitor também se refere em sua Ramilonga. Quintana também aparece à frente de um fotógrafo (lambe-lambe), na Praça da Redenção.
Belíssima composição que profundamente fala da alma da capital dos gaúchos!
Dedico esta postagem a todos os meus amigos que, longe deste ponto geográfico, gentilmente me honram com suas visitas, para que conheçam um pouquinho do sul do Brasil que, pela sua localização, consequente clima e história de seu povo, possui uma alma amorosa, generosidade em seu coração e espírito libertário sempre!

Ramilonga (Vitor Ramil)

Chove na tarde fria de Porto Alegre
Trago sozinho o verde do chimarrão
Olho o cotidiano, sei que vou embora
Nunca mais, nunca mais
Chega em ondas a música da cidade
Também eu me transformo numa canção
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Sobrevôo os telhados da Bela Vista
Na Chácara das Pedras vou me perder
Noites no Rio Branco, tardes no Bom Fim
Nunca mais, nunca mais
O trânsito em transe intenso antecipa a noite
Riscando estrelas no bronze do temporal
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
O tango dos guarda-chuvas na Praça XV
Confere elegância ao passo da multidão
Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo
Nunca mais, nunca mais
Do alto da torre a água do rio é limpa
Guaíba deserto, barcos que não estão
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Ruas molhadas, ruas da flor lilás
Ruas de um anarquista noturno
Ruas do Armando, ruas do Quintana
Nunca mais, nunca mais
Do Alto da Bronze eu vou pra Cidade Baixa
Depois as estradas, praias e morros
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Vaga visão viajo e antevejo a inveja
De quem descobrir a forma com que me fui
Ares de milonga sobre Porto Alegre
Nada mais, nada mais

outono na alma


                                              alma-de-gato (Piaya Cayana) photo by achetudoeregiao.com.br


calma
outono na alma
espera a estação
ela se anuncia
no azul da amplidão...

cantam solenes as cigarras
ao forte sol do meio-dia
revoa a andorinha
antes de para o norte migrar
insiste a alma-de-gato em seu cantar...

inclinam-se os raios do sol
procuram da cama o lençol
pra aquecer o sono da gatinha
assim a vida caminha
anda em doce compasso
em serena felicidade...

há que se olhar para a vida
como se fora partida
para enxergar a beleza
posta junto a nós
pra nos trazer alegria
pra nos fazer um agrado
se nos deixarmos acariciar...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

mariposa na vidraça

                                                              photo by portaldoprofessor.mec.gov.br

alma poeta
não cansa
alcança expressão
espera outra canção
beleza
estranheza da natureza
da vida
em ampla exposição
ou em detalhes
imperceptíveis ao toque
da primeira visão...

anda pelo ar
pelo pensar
pelo sentir
impõe-se à luz
ao calor
ao sabor da avaliação...

pequena mariposa na vidraça
a debater-se
embaça
intercepta o pensar
mãos em concha a resgatam
não se debatem mais
as asas
entendem
não há de ferir intenção
apenas tentativa de libertação...

leve pouso nas mãos
agora abertas
parece agradecer
olha pra além do telhado
esperam-na novas descobertas
voa para o alto
continua a viver...

volto...
a interrupção
fez a alma junto voar
abrir também as asas
sonhar...


ações de procura
de espaço
de voo
de liberdade
contaminam a alma poeta
repleta de livre intenção
desperta
anseia libertação...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

é preciso navegar

                                                                              baixaki.com.br



mudança
às vezes fácil
por vezes difícil
ou complicada
se desejada
acontece...

mudanças benéficas
ampliam visão
desfazem amarração
liberam navio
no porto...

navegar é preciso
viver não é preciso
já o disse pessoa
vovó tanto dizia
barco parado
não ganha frete
nem pra si
nem pra seu dono...

a pensar me ponho
nestes entardeceres
nos diários afazeres
muito há pra navegar
e muito há pra viver
mas pra viver
é preciso navegar...

mudei ontem
mudo todo dia
pra navegar em água fria
turvas
correntezas
oceano de céu azul
ou ao forte vento do sul
muto
transmuto
me faço
a cada novo minuto
me permito
me proponho
avanço
em desalinho
pra construir caminho
com decisão
é preciso navegar...

A Falta de Érico (Carlos Drummond de Andrade)

                                       Escultura do poeta  brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902/1987).
                                                                                   Criada pelo artista mineiro Leo Santana.
                                                                  Está instalada na Praia de Copacabana - RJ - onde o poeta morou.


Quem já perdeu um amigo sabe...
Fica um imenso vazio que nada pode preencher...
O único sentimento que alivia um pouco a dor da saudade é a lembrança dos tempos vividos juntos...
Carlos Drummond de Andrade foi amigo de Érico  Veríssimo e, quando este passou para um outro plano, Drummond escreveu este poema, simples e comovente, dedicado ao amigo que partira...
Érico escrevia "Solo de clarineta", quando faleceu, em 1975.


       A Falta de Erico
          (Carlos Drummond de Andrade)

Falta alguma coisa no Brasil
depois da noite de Sexta-feira
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.

Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda - como tarda!
a clarear o mundo.

Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente,
falta o casal passeando no trigal.

Falta um solo de clarineta.



"Estabelecemos diálogos mudos, numa linguagem misteriosa feita de imagens,
ecos de vozes, alheias ou nossas, antigas ou recentes, relâmpagos súbitos
que iluminam faces e fatos remotos ou próximos,
nos corredores do passado - e às vezes, inexplicavelmente, do futuro -
enfim, uma conversa que, quando analisamos
os sonhos da noite, parece processar-se fora do tempo e do espaço".
(Érico Veríssimo)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

mulheres no tempo e no vento

                                     "Ana Terra" é parte de "O continente" da trilogia "O tempo e o vento" de Érico Veríssimo


Mulheres são presença determinante na obra de Érico Veríssimo.
Inspiradas, talvez, na fortaleza da própria mãe, cujo enfrentamento da vida conjugal desfeita, em tempos de forte preconceito contra a mulher que, separada, tinha de enfrentar a vida, administrando filhos e vida material, ganharam espaço na obra que conta a história da formação do estado gaúcho.

"O tempo e o vento" mostra muito da valorização que o escritor deseja para a mulher, colocando-a em situações de luta e disposição de vida ao longo do tempo... ao sabor do vento...

Através de minha mãe, tomo conhecimento, quase diário, de histórias vividas por minhas bisavós e avós - maternas e paternas - , que me fazem perceber o quanto foram fortes, decididas e lúcidas essas mulheres em tempos de muitas lutas em que soprou forte e frio o vento...

mulheres no tempo e no vento

o vento traz lembranças
promove reflexões
fala sobre as mulheres...

viveram nesta terra
desde antigos tempos
tempos de  muitas guerras...

colocar os animais domésticos ao abrigo
esconder os homens do inimigo
fizeram dias de preocupação
saques
peleias
invasões
foram tristes fatos nas revoluções...

proteger a família
os filhos
a criação
a plantação
eram tarefas diárias
em tempos de frias virações...

vovó tinha cuidados
por momentos verbalizados
noutros apenas preocupações...

hoje nos serões comentadas
são histórias essas questões...

cedo envelheciam
essas corajosas mulheres
mostravam as marcas das lutas
de estruturar um lar
uma família
um chão
em tempos de revolução...

ana terra
bibiana
maria valéria
conceição
maria joaquina
dionísia
ana augusta
luiza
alzira
loracy
vera
marília
maísa
mulheres no tempo
na terra
enfrentando muitas guerras
honrando outras mulheres
com coragem
disposição
ao sopro do forte vento
presente em cada geração...

o tempo e o vento da memória - homem e mito

                                                   Érico Veríssimo - escritor - (1905/1975) Cruz Alta -  RS - Brasil


                                               "O tempo e o vento" - trilogia - O continente - 1949 - Érico Veríssimo


memória persiste no tempo
chega batida pelo vento
de repente abrem-se portas
com o vento
fechadas há tanto tempo...

ilumina o sol conhecidos lugares
a luz traz mil recordações...
ações
fatos
gente
emoções assomam
retomam posto
trazem gosto de renovação...


Homem e Mito

Ontem me revi na Faculdade. Subia a rampa que levava ao segundo piso,  ainda sem a cobertura de acabamento. Esta só chegaria mais tarde, quando eu já fazia parte do passado daquele querido lugar.
Enquanto subia, contemplei em silêncio a cópia da estátua do Pensador de Rodin, majestosamente ocupando uma boa parte da altura do lugar.
Início da década de 70. Andava eu por lá. Cursava Letras agora, depois de concluir Pedagogia.
Sinto ainda o cheiro da massa usada na construção - aguada e varrida antes das aulas.
O prédio, ainda longe de ser concluído, fora precariamente ocupado, talvez numa tentativa do estimado e inesquecível Doutor Átila Taborda, diretor/fundador da Faculdade, de encolher os gastos com aluguel de salas no Colégio Espírito Santo ou para, quem sabe, já dar utilidade a todo o espaço que se apresentava.
Fôramos convidados, naquela noite, a assistir, não a uma palestra, porque a saúde não o permitia, mas a uma pequena conversa com o famoso escritor de "O Tempo e o Vento"!
Na hora anunciada ele chegou.
Entraram, um homem magro de pouca altura, vestido com calça de tecido e pulôver marrom ao lado uma senhora pequena, vestido de florezinhas miúdas e casaquinho.
Caminharam calmamente até a mesa, enquanto nos cumprimentavam.
Nós estávamos todos quase totalmente mudos! 
Érico foi logo anunciando que não se estenderia muito, porque a Mafalda não o permitiria. Sorriu, olhando para a esposa ao lado que lhe sorriu de volta.
Uma colega - tinha de ser uma mulher a arguir o escritor das mulheres fortes e corajosas -, perguntou ao criador do famoso Capitão Rodrigo Cambará em quem ele se inspirara para criar aquele marcante personagem de sua obra.
Ériso Veríssimo lhe respondeu que o Capitão possuía um pouco da alma de cada um dos gaúchos, homens e mulheres, que habitou e habita o Rio Grande do Sul.
Passou a falar-nos, então, de alguns detalhes sobre a obra que acabara de concluir, "Incidente em Antares", dizendo que nos revelaria "segredos" sobre a trama e seus personagens. Sorriu, contou-nos alguns detalhes pitorescos e engraçados, como a greve dos coveiros e a atazanação dos mortos aos vivos, conversou um pouco mais, pediu-nos algumas "sugestões" para seus próximos livros...
Nossos olhos estavam esbugalhados...
Nossos corações incredulamente pensavam viver um sonho...
Ao despedir-se carinhosamente da turma de embasbacados estudantes naquela noite, Érico Veríssimo nos tinha mostrado a face homem de profunda delicadeza, humor, simplicidade e elegância a estupefatos  e tímidos estudantes, petrificados diante do mito.
Homem e mito se fundiram indelevelmente na memória da jovem estudante de Letras, naquela noite, na sala de aula da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Bagé!

thelma & louise - considerações



Revi o filme Thelma & Louise"(1991). Do diretor Ridley Scott com Susan Sarandon e Geena Davis no elenco, inclui excelente trilha sonora de Hans Zimmer.
Vejo e revejo filmes, no entanto prefiro não os comentar, nem os criticar. Da arte cinematográfica sou simples apreciadora.
No entanto, gosto de fazer minhas reflexões em torno do que o filme mostra ou sugere.
Rever as ações e emoções vividas pela dupla de amigas expõe muitos sentimentos guardados ou não sabidos...
Poderia parecer leviandade o fundamento das ações, não fôssemos entender suas vidas, seus frustrados sonhos, seus medos, seus fantasmas...
Perseguidas pela soma de conceitos e preconceitos que embasam os costumes, a sociedade e seus aplicativos das leis, vêem-se lançadas à extrema e derradeira ação de suas vidas em busca do mistério do inatingível...
De certa forma, venceram a intolerância, a vaidade, o egoísmo e os descaminhos da interna ignorância de cada um...
Bom rever "Thelma & Louise" para apurar um pouco mais as reflexões em torno da importância do sonho, da esperança, da amizade, da convivência fraterna, da alegria de viver, da poesia que mora dentro do coração de cada um de nós e que precisa de oportunidade e de espaço de expressão...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

com o passar do tempo

                                     "Persistência da memória"(1931) painting by Salvador Dali (1904/1989) Espanha


com o tempo
quem no tempo permanece
se acresce
de outro tempo
no tempo...

tempo de recordar
tempo de se alegrar
tempo de se entristecer
tempo de pra nada ligar
tempo de tudo esquecer...


com o tempo
há que se entender
da vida as lições
que só se aprendem
com o passar do tempo
no tempo...

com o tempo
quem no tempo permanece
se acresce
de outro entendimento
do tempo
ou no tempo se perde
e se esquece do tempo...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

metáfora da dificuldade em "os trabalhadores do mar"

                                                                     Victor Hugo (1802/1885) França


Rever filmes, reler livros...
Ações de retomada de visão e de entendimento num outro tempo, num outro momento...
É como rever um amigo, quando ficamos a observar seu olhar, seu semblante, a ouvir sua voz, a escutar suas ideias em busca do sentimento vivido, somando, ao tempo de ausência, nova compreensão, nova visão, novo encantamento...
Ao rever alguns pontos da história vivida por Gilliat em "Os trabalhadores do mar" de Victor Hugo, fico a pensar que sua saga em muito se compara a momentos de nossas vidas.
Luta destemida e quase inconsequente em busca do seu propósito, movido em muito pela paixão...
Luta incansável...
Atitude inquebrantável...
O polvo aparece como a metáfora da dificuldade quase insuperável, a qual lhe roubará não só a força física, o vigor, que representa a beleza admirada e valorizada como um bem de valor, mas também há de minar-lhe o espírito, fazendo-o vulnerável aos injustos acontecimentos que viverá logo a seguir.
Ver-se-á Gilliat, ao final, enganado na utilidade do trabalho empreendido, bem como  na crença da palavra dada pela amada pretendida que o abandonará, apesar do prometido.
Metáfora que se adapta tão adequadamente aos tempos atuais... incrivelmente...
Aprecio a possibilidade de reflexão que sempre está presente num livro, num filme, numa boa conversa...
Hoje fiquei a pensar sobra a metáfora da dificuldade de Gilliat...

hoje



hoje quero alegria
de criança
de dança
de esperança...

hoje quero raio de sol
detrás da ramagem
a espiar...

hoje quero inocente olhar
companhia escolhida
gente pra iluminar a vida...

hoje quero generosidade
verdade
sim... isso é o que quero...

hoje quero um amigo
pra quem sorrir
quero dividir a reflexão
a mesa arrumada
a fruta e o pão...

hoje quero pedir perdão
a quem ofendi
a quem não sorri
a quem esqueci...

hoje quero agradecer
porque preciso aprender
o muito que ainda não sei...

hoje profundamente quero
ser serena
ser pequena
pra merecer a energia
que recebo no dia-a-dia...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

alegria de ser


em espaço meu
enquanto neste plano
iniciei há alguns anos
pequenino jardim...

retirei espinhos
afofei a terra
plantei com carinho
de hibiscos uma mudinha
comigo a trouxera...
rosas amarelas
para mamãe oxum
rosas também amarelas
que ogum enfeita de vermelho
com a incidência dos raios do sol...

fui plantando outras flores
como complemento
dando alguma forma ao espaço
de puro contentamento...

adubar algumas vezes
afofar as raízes
quando necessário regar
ações de reconhecimento
ao lugar de doce acolhida
em momento ímpar na vida...

plantas e animais entendem
mais do que percebemos
fevereiro trouxe nova brotação
de amarelas rosas
um galho surgiu com rapidez
aos céus voltou o crescimento
pensei não floresceria
enganei-me
as rosas abriram todas
quase no mesmo momento
em oração de agradecimento...

simples lugar
singelo viver
ampliam a compreensão
iluminam com alegria de ser...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Les travailleurs de la mer

                  
                                               O Polvo - aquarela de Victor Hugo - 1866

Os Trabalhadores do Mar é a tradução portuguesa de Les Travailleurs de la mer, um romance de Victor Hugo, escritor francês, publicado em 1866. O livro é dedicado à Ilha de Guernsey, onde Hugo viveu 15 anos em exílio auto-infligido.
A história tem como protagonista um habitante de Guernsey de nome Gilliatt. O personagem que, segundo um 'leitmotiv' comum na poética de Victor Hugo, é um marginal social, que se enamora de Deruchette, sobrinha do armador Lethierry. Quando o navio de Lethierry naufragou no rochedo Douvres, um lugar particularmente perigoso, não muito distante da ilha, em direção da costa francesa, Deruchette promete casar-se com o homem capaz de recuperar o motor a vapor da embarcação. Gilliatt oferece-se, e o romance passa a narrar as suas aventuras e desventuras, entre elas a luta com um imenso polvo gigante, dentro de uma caverna no rochedo. Os Trabalhadores do Mar é ambientado imediatamente após as guerras napoleônicas, e entre seus temas está também o impacto da primeira revolução industrial na mencionada ilha.
Há no livro, ainda, a questão da morte voluntária, escolhida pelo principal personagem do romance, Gilliatt, quando lhe ficou bem claro que irrevogavelmente perdera o amor de Deruchette, apesar de ter feito o que ela pedira. Dirigiu-se ao mar, que ele conhecia tão bem, escolhendo caminhos desertos, para o último ato de sua vida: esperar a morte, por afogamento, com a maré alta, sentado na Cadeira Gild-Holm-Ur, curiosa formação no rochedo, de frente para o mar, em forma de poltrona. De lá, viu passar o navio Cashmere que levava sua amada, recém-casada com o jovem pastor anglicano do lugar. E, à medida que a embarcação afastava-se, subia o nível do mar. Victor Hugo descreve os últimos momentos de um amor impossível:
A água chegava-lhe à cintura. A maré levantava-se. O tempo corria. Ao mesmo tempo que a água infinita subia à roda do rochedo Gild-Holm-Ur, ia subindo a imensa tranqüilidade da sombra nos olhos profundos de Gilliatt. O navio afasta-se no horizonte: Depois diminuiu. Depois dissipou-se. No momento em que o navio dissipava-se no horizonte, a cabeça desaparecia debaixo da água. Tudo acabou; só restava o mar. (fonte: wikipedia)

 
 le travailleurs de la mer

andava o tempo sem pressa
naqueles meses de verão
sonhava adolescente
um sonho reincidente
estar numa praia distante
curtindo a quente estação...

sonho ficou perdido
convite chegou menos atraente 
às mãos um pesado volume
quase quatrocentas páginas
de misterioso desafio...

fundo musical de mozart...
tchaikovsky...beethoven...
pra desvendar uma a uma
cada página na compreensão
possível à adolescente
da dedicação insana de gilliat
do destemor contra o polvo no mar
na conquista do coração de deruchette

durante o distante e quente verão
les travailleurs de la mer
foram a misteriosa companhia
a também quase insana tentativa
de entender o mundo
as relações
os sentimentos
as decepções
através da leitura em sua magia...


como dizia vovó

                                                                       photo by mercadolivre.com

as coisas são como são
as pessoas são
como querem ser
independentes ou carentes
ajuizadas ou desmioladas
como dizia vovó...

nada se pode fazer
nada se deve esperar
pra fazer não é nossa seara
pra esperar
expectativas podem resultar frustradas...

ser por si
já é complicado
ser pelos outros
hum...  não adequado...

criticar para fazer-se
importante
elegante
hum... melhor calar-se
passar ao longo da estrada
de bonde
de carroça
de transatlântico
num moderno jato
ou a pé
como quiser
ou puder
criticar pra desdenhar
mostra feio interior
fere de graça
por pirraça
como dizia vovó...

mundo complicado
dos fundamentos
das relações...

existe o certo
o errado
o bom
o mau
discussão
explosão
ou implosão de ideias
onde estão guardados se existem
os sentimentos persistem
alegres ou tristes
nobres ou pobres
por certo em cada coração
como dizia vovó...

mundo é melhor
com pessoas mais contentes
com boa vontade
paz
serenidade
compreensão
como dizia vovó...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

escolhe-se


escolhe-se
o que se quer ser
o que se quer ver
os amigos escolhemos
escolhe-se a compreensão
ou não se escolhe nada...

escolhe-se viver por inteiro
ou aos pedaços ser
escolhe-se ver o melhor
de nós
de tudo ao redor...

escolhe-se incentivar
ou se escolhe danificar...

escolhe-se ter cuidada simplicidade
ou se escolhe prepotente qualidade...

escolhe-se enxergar a poesia
presente do dia
ou se escolhe desvalorizar
o que não queremos olhar...

escolhe-se sentir o belo
parte de tudo
braço da natureza
de profunda beleza
dependendo de quem o vê...

domingo, 19 de fevereiro de 2012

calma do anoitecer



mansamente a noite vem
traz do anoitecer a fresca brisa
a calma do dia vivido
na interna aventura de ser...

ar alimenta a sede
de ter equilíbrio
lucidez da senda
na escolha de sentido...

porta se fechou
ao forte vento
no templo da poesia
sala permaneceu vazia...

seguem-se dias gelados
de incompreensão regados
na disposição anda a vida
semente gera botão
pra florescer na exata estação...

tempo se encarrega
de tudo reorganizar
sala de estar ajeita
vida segue refeita
pra não deixar de fazer-se
desde o primeiro anúncio do dia
até a calma do anoitecer...

à luz a expressividade

                                                                                                                               fotosimagens.com
                                                      

quieto o agora
da cor da hora presente
harmonia desejada
desnudada a grafia
escondida a filosofia...

em vão ou não
tenta a vida entendida
desentendida por certo
em rumo sempre inquieto...

calma poética assombra
à sombra mil ansiedades
poesia consome véu
remove tristeza
insinua saudade...

profundo veio na garimpagem
drenagem na matéria retarda
ampara o anjo solene
à luz a expressividade...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Casa Blanca - As time goes by - Billie Holiday- intertexto - histórias de amor



"As Time Goes By" performed by Billie "Lady Day" Holiday. Composed by Herman Hupfeld for the 1931 Broadway Musical "Everybody's Welcome" but more famously known for Dooley Wilsons' version in the 1942 movie "Casablanca". (from youtube)

CASABLANCA (1942) is the ultimate classic movie. It may not be the most moving or meaningful, but it has something for everyone, and it's one of those films you can watch over and over again, and every time find something you hadn't noticed before. In fact, I'm one of those people who not only thinks that everyone should see it, but who is also of the opinion that the more times you see it, the better it gets. (from the official site)


The love story between Ingrid Bergman and Humphrey Bogart has already gone down in history, and will probably end up being as eternal as Romeo and Juliet. At the same time, CASABLANCA is filled with colorful supporting characters who make it humorous, melodramatic, and even adventuresome all at the same time. If you only intend to see one classic movie in your lifetime, this is probably the one-- and please, if you're going to make the effort, don't waste your time with the colorized version; it simply isn't the same. (from the official site)

As Time Goes By

You must remember this
A kiss is still a kiss
A sign is just a sign
The fundamental things aplly
As time goes by

And when two lovers woo
They still say I love you
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by

Moonlight and love songs never out of date
Hearts full of passion, jealousy and hate
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny


It is still the same old story
The fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by

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histórias de amor

história marca o tempo
histórias de amores se repetem
competem em si
na importância
na relevância
falam de coração enlevado
ou entristecido
arrependido
de haver amado...

acolhe o mundo... sim... todas elas
quimeras ou verdades
ficções ou realidades
são partes
do sentimento universal do amor...

cantadas em canções
em romances registradas
no cinema revividas
passadas ou presentes
ganhas ou perdidas
sempre falarão de corações
inteiros ou partidos...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Andy Williams - Autumn Leaves



Escolha a versão preferida.  Eu não sei qual prefiro...
Cada uma tem sua beleza, sua personalidade...
É o sentimnento harmonioso do outono vagarosamente pintando nossos corações...

Autumn Leaves - Eric Clapton - intertexto - azulada mente



Os movimentos da nova estação se revelam de diversos modos.
Nas novas cores que se insinuam vagarosamente.
Nas folhas que tombam coloridamente...
E a mente se encanta...
Dentro em pouco teremos no céu tons de azul profundamente belos: o céu de outono!
Sente o coração todo esse movimento e se movimenta também para ouvir
uma nova versão de Autumn Leaves parte do álbum de 2010 de Eric Clapton.
O vídeo possui fotografias belíssimas...
Nossos agradecimentos à autora!
Qual versão você prefere? Esta ou a outra com Andy Williams? Ou outras tantas versões desta música?


  Autumn Leaves
 (French lyrics by Jacques Prèvert;
 English lyrics by Johnny Mercer.
 Music by Joseph Kosma)

The falling leaves
Drift by the window
The autumn leaves
Of red and gold
I see your lips
The summer kisses
The sunburned hands
I used to hold
Since you went away
The days grow long
And soon i'll hear
Old winter's song
But i miss you most of all
My darling
When autumn leaves
Start to fall

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azulada mente

quente manhã se revela em frescor
brisa agradável se faz presente
matinalmente...

de cor de raios de sol
caem as primeiras folhas
uma a uma
vagarosamente...

primeiras manifestações da nova estação
trazem outonais sentimentos
regam as plantas aturdidas no calor
finos pingos de garoa
mansamente...

sentir presença da mudança
compõe de outro modo o tempo
na expressiva coloração da cobertura na calçada
na dança das folhas na aragem da madrugada
graciosamente...

dança a vida no compasso anunciado
anteve céu pintado com arte e brilho
azulada mente...

três marias

                                                                   photo by aleph.helderdarocha.com.br


silêncio interno
sentido acalmado
repouso
aconchego
navega a alma
oceano profundo
longe do mundo
inventado
traduzido
desmentido
na brisa da tarde
de muito vivido...

manhã acabada
deixou meio-dia
exposto
sem vestes
sem rosto
deposto na hora...

estrelas aturdidas
três marias
fizeram segredo
por luto
por medo
quebrar o cristal
conserto inexiste
ficou tudo triste
calado afinal...

onda profunda
encobre embarcação
cinzenta estação
sedimenta conceito
conserta estrago
barco retorna
contorna a curva
surge da turva
neblina que cai...

vai a nau torta
emborca
desemborca
navega às cegas
comando não tem
cresce a prece
escurece em vendaval...

do azul encantado
do dia
do céu encarnado
do entardecer
até o anoitecer completo
inquieta a alma procura
estrelas compõem
três marias até o alvorecer...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Harold and Maude - Wild World by Cat Stevens



Harold and Maude (USA, 1971)

ela o amou
porque o amou
abriu seu coração pra vida...

eles riram
fizeram trapalhadas infantis
dançaram
como dançam os enamorados...

ele a amou
porque a amou
encontrou a razão da vida...

ela sabia do mundo
os ardis
os profundos preconceitos...

ela já estava determinada
sabia o fim da jornada...

ao partir
ficou a energia
ela lhe ensinou da vida a alegria...

desnudar

                                                   painting (1923) by Tarsila do Amaral (1886/1976) Brasil

desnudarei teu sono
teu sonho revelarei
abrirei as portas
do sempre
do tudo
do nada...

desnudarei teu corpo
de vestes humanas nublado
ficarás calado eu sei
nunca te revelaste
ao pé de ti ficaste...

assim revelarei a mim
do sonho acordarei
hei de ver-me desacorrentada
por fim
de mim

acompanhada...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

peras com afeto

                                                       geleia de peras e ao forno com  açúcar e canela


cultivadas naturalmente
trazem da terra
especial sabor
aroma sem precedente...

na alquimia do fogo
peras ao forno com açúcar
com canela
não se necessita espera
aparência logo revela...

textura modifica
se geleia for
cor
sabor
característicos...

desde pequeninas
cultivadas com carinho
natureza fala por elas...

ofertadas com afeto
trazem riqueza de energia
pra se viver no dia-a-dia...

cores de tarsila e frida

                                                        paintings by Tarsila do Amaral (1886/1973) Brasil

hoje quero as cores de tarsila
e frida
escancaradamente coloridas
quero igual energia
quero alegria
tristeza fica escondida...

cantarei um sonho
rirei do contraditório
do falso intelectual
do que se diz culto
embora tão banal...

sorrirei serena
na amena luz do dia
na antropofagia do usual
não quero ser mais um canibal...

esconde-se a dor
da caligrafia da vida
na saída do sonho
na contrapartida da lida...

hei de colorir o espaço
em volta
no amplo abraço
desnudarei a aurora
cumprirei um tempo
até a última madrugada...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

dar... receber flores...




hortênsias lilases
ramos de alecrim
galhinhos de erva-cidreira
alguns ramos de louro
composição perfumada
colorida
mais energia à vida...

gentilmente recebi
com alegria acomodei
as mãos que as trouxeram
certamente
permanecerão perfumadas...

dar...
receber flores...
ações de amor
de paz
de amizade
de agradecimento
sempre bons sentimentos...

Billie Holiday - The Man I Love (1940) - intertexto - deep inside


It is always a pleasure to listen to Billie!
Wonderful voice coming straight from the heart...
Let's celebrate Valentine's day!

The man I love (1940) George and Ira Gershwin

Someday he'll come along
The man I love
And he'll be big and strong
The man I love
And when he comes my way
I'll do my best
To make him stay

He'll look at me and smile
I'll understand
And in a little while
He'll take my hand
And though it seems absurd
I know we both
Won't say a word

Maybe
I shall meet him Sunday
Maybe monday, maybe not
Still I'm sure
To meet him one day
Maybe Tuesday
Will be my good news day

He'll build a little home
Just meant for two
From which I'd never roam
Who would, would you?
And so all else above
I'm dreaming of
The man I love
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deep inside
there is a place
where love exists
a man is in love
a woman is in love
deep inside
and this place
is hard to find
even in Valentine's...

sou um gato




subo no hibisco apressadamente
quero dar um espetáculo
a quem me observar...

quero provar das flores
hum... são tantos sabores...
gato não aprecia flores
quem assim fala
não entende felina filosofia
gato não apenas mia...

exercito-me diariamente
faço piruetas variadas
as flores não ficam incomodadas
apreciam minha companhia
cedo a elas dou bom-dia...

agora com licença
vou me retirar
esse exercício todo
me deu muito sono
acho que vou cochilar...

flor



flor
fugidio instante
de viço
de brilho
de cor...

flor
breve momento
amplo ensinamento...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

tempo de comemorar



no azul do céu o anúncio
outono não vai demorar
meado de fevereiro
março já vai chegar...

olhar encanta-se na paisagem
cedinho na quieta manhã
frescor da brisa a pele arrepia
acorda suavemente a passarada
a abelha atrasada espia
voa estonteada
perdeu-se na madrugada...

quietude amplia
do lugar a suave magia
do sentir da natureza a sinfonia
inútil do momento fugir...


o infinito azul do céu no outono
o frescor das manhãs ao sol nascente
trazem pungentes memórias
revolvem lembranças
de um outono do passado...

atenta a proteção interfere
não fere recordações
sopra de leve o vento
renova da mente o pensamento...

tempo de comemorar vitória
de celebrar conquista
de sonho
de trabalho
de dedicação
ornar a casa com flores
com ervas perfumadas
em prece agradecer
pela mesa de pão e de fruta
pelo teto de aconchego
pela quietude da alma
pelo entendimento de cada dia
pela companhia de amizade
pelo sereno viver em felicidade...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

In My Life by the Beatles(with lyrics) - intertexto - places and people


The Beatles are forever in our lives! They are people we will always remember!!
And forever we will remember places where we used to listen to them...

places and people

yes... there are places I remember
and people too
other places I try to forget
and other people too...

some will never change
I also know
bad for them...

good memories are welcome
sometimes
bad memories
let them cry...

yes... we've loved them all
some will live forever
in our hearts
good places
good people
good memories...

agradeço às plantinhas



de manhãzinha a lua
continua
a iluminar a calçada
o jardim
deseja competir com o sol...

mínimo ponto
quase invisível
em quarto minguante
desde o céu tenta
beijar a rosa
amarela a desabrochar...




ericas em pequeninas manifestações
assistem a tudo contentes
resistentes plantinhas
dão exemplo de firmeza
de certeza... de vontade...
presentes em todas as estações
alegram a vida da gente...



de verdes ou arroxeadas folhas
dependendo da incidência de sol
as tranças de cigana me fazem
lembrar de uma grande amiga
que as trouxe de presente
sorrindo assim bem contente
mas de repente partiu
deixando um imenso vazio
preenchido a cada dia
pela ornamentação delicada
a lembrar de outra jornada
num plano de amplos jardins
onde está feliz enfim...


bom-dia...
boa-tarde...
boa-noite...
há que se ter cuidado
a tudo ouve serena
mas sempre atenta está
composição de plantinhas
dá as boas-vindas
ao coração amigo
ao outro certamente
não receberá contente...

unge a casa com carinho
quase não pede cuidado
um pouco de água
um olhar de afeto
um lugar claro e quieto...

de muitas cores
ou de uma só
perfumadas
ou não
de uma
ou de toda a estação
cultivadas com carinho
as plantinhas nos ensinam
a ver os detalhes importantes
a ser uma pessoa melhor
a crer na espiritualidade
a ter paciência
a esperar o tempo certo
a não esmorecer ante o vendaval
a tentar outra vez quando tudo parece perdido
a ter a alegria da manhã
a certeza do dia
a esperança quando a noite chega...

em tempos de alegria agradeço
às plantinhas pela companhia
pelos ensinamentos
se não for muito exigir
sempre me ensinem mais...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

momento da expressão

                                                               painting by culturamix.com


sigo o impulso
pulsa na alma a vontade
à vontade fico
diante da inspiração...

sopro distante
brisa constante
sussurro ao ouvido
suspiro ou gemido
canto na solidão...

ampara a crença
um anjo contempla
do fundo da amplidão...

asas abertas
benção celebra
corpo carrega tempo
momento da expressão...

uma noite estrelada

                                  Uma noite estrelada na Foz do Iguaçu por Babak Tafreshi em eternosaprendizes.com


transmuta a noite
a escuridão em luz
na mente
na alma
na calma do dia ido
na esperança do dia que vem...

estrelas cintilam magia
despertas do sono do dia
ungem o espaço de alvo brilho
alimentam a inspiração inquieta
do poeta na noite aberta...

desperta a lua também
traz anjos em seu caminho
carinho iluminado
a quem estiver acordado...

passeio na amplitude
anseio de luz satisfeito
energia acumulada
adiante na jornada...

bendigo o dia passado
confio na nova manhã
anunciada desde agora
no interior iluminado...

a um hibisco

                                                                                   photo by maudepoesia

agradecer preciso
a um hibisco
motivo de reconhecimento
pelo entendimento da mão
na intenção de plantar
de vida dar à mudinha
na tentativa de evolução
no ensaio de crescimento...

correu o tempo
soprou o minuano vento
foi incentivo também a chuva
o sol com iluminada energia
o cuidado do cotidiano
a graminha em torno
o afofamento da terra
as pedrinhas pra ornamentar
pra plantinha encorajar...

cresceu o mínimo caule
testemunhou pesares
vitórias festejou
de tudo participa
antecipa a primavera
floresce em toda estação
prepara-se com novas folhas
esbanja alegria e cores
dá à vida novos sabores...

poema suavemente discreto

                                                                             photo by maudepoesia


vasto mundo interno
templo de reflexões
intenções percebidas
de lado vis emoções...

se fere arma lançada
curada a ferida
rapidamente cicatriza
na brisa a embalar
firme intenção...

sonolento nasce o dia
não vadia a inspiração
atenta
escuta a magia...

do ar
do lugar
da hora
da semente
da flor
da natureza
da mão que constrói
no trabalho
no agasalho do teto
um poema suavemente discreto...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

sentimento da poesia



Agradeço aos autores do vídeo, da música, bem como à amiga Ruma pelo empréstimo da idéia.
Profundos respeitos a todos.
Quando no Japão a natureza se prepara para receber a primavera, no Brasil começamos a sentir
cheiro de outono, como no canto das cigarras que anunciam fim de mais uma estação...
O sentimento da poesia aproxima a todos que se permitem sentir...


sentimentos são parte do coração...
se não por inteiro...

sentimentos estão em todo lugar
florescem em qualquer estação...
unem pessoas de perto
de longe
de mesmos
de diferentes lugares...

sentimentos estão na observação
da natureza em cada estação
estão na esperança sempre a chegar
em qualquer lugar da geografia
sentimento da poesia...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ontem à noite

foto pesquisada no Google

                                                                                                     
ontem à noite
a noite se compôs de relâmpagos
contínuos
iluminando continuadamente o céu
os telhados
as calçadas
até a madrugada de temporal...

ontem à noite
a noite se compôs de trovoadas
continuadas
retumbando continuadamente no céu
nos telhados
nas calçadas
até a madrugada de temporal...

ontem à noite
a noite se banhou
com a energia abençoada
pela tempestade
lavou telhados
lavou calçadas
com relâmpagos
com trovoadas
com uma magnífica chuvarada...


templo da poesia

                                             "Calíope" goddess of poetry - painting by Marcello Bacciari (1731/1818) Italy

corre apressado o rio
para o mar
voa ligeira a ave
em busca do alimento
provavelmente
cresce a grama no jardim
rapidamente
os minutos correm
também apressados
num instante
já é passado...

tem pressa o mundo
tem pressa a vida
mas quero andar
devagar...

a divagar me ponho
componho a hora
no meu compasso
no meu passo quero andar...

vagar pelo templo da poesia
a qualquer hora do dia
acompanhar a alma desdobrar-se
sem cansaço
sem pressa
em amplo abraço...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

sinceridade... simplicidade da poesia...

Poeta Mário Quintana (1906/1994) RS - Brasil


a poesia chega
não sei bem por quê
por um tempo nego
sua vontade de ser...

transmutar sentimento
em versos
reversos de mim
antítese de sentir... enfim...

cala a voz do cotidiano
ampara a fala da alma
olhos do anjo alado
ao lado no sopro de intenção...

no espaço a expressão
tem acolhida
tem leitores
e os marcadores dizem
neste momento são mil acessos...

é a gratidão o sentimento
hoje presente
em profundo agradecimento
em comprometimento
sempre
com a sinceridade
com a simplicidade da poesia...
-----------------------------------------

Ao atingir, hoje, a marca de 1000 acessos ao blog, antes de um ano de existência, estamos muito felizes!
Nosso objetivo inicial foi tão somente criar um espaço de sincera e simples expressão poética.
O motivo de existência deste espaço continua o mesmo.
A poesia fez parte de minha vida desde sempre...
Muitos são os autores, poetas ou não, que admiro. No entanto desejo hoje fazer uma singela, mas sincera homenagem ao meu poeta preferido dentre todos: Mário Quintana.
Depois de meu pai e de minha mãe de quem recebi a honrosa herança da honestidade, da sinceridade e da verdade, devo agradecer a Mário Quintana, meu querido poeta gaúcho, de quem herdei a simplicidade que sempre admirei em sua poesia.
Sua fisionomia, seu passo a caminhar pelas ruas de Porto Alegre que tanto amou, sua espirituosa maneira de ver a vida e as pessoas, seu canto satírico, por vezes, mas sempre sincero e tantas vezes amabilíssimo, sopram como brisa a encorajar-me na continuidade de minha singela expressão poética.
Obrigada a todos que me honram com seus acessos!
Obrigada especial àqueles que me encorajam com seus comentários!
Obrigada aos mantenedores do Blogger pelo espaço que procuro ocupar com responsabilidade!
Obrigada ao meu inspirador de sempre: Mário Quintana!
Obrigada a todos!
Vera Luiza Vaz

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

quero estar só na lua cheia

                                                                      photo by baixaki.com.br  
hoje cansei do sorriso
quero fisionomia em seriedade
vontade do fundo da poesia...

atenta à vida
ao dia
ao tempo
à lida
chega
em andar rápido
mas decidido
a nostalgia do incompreendido...

hoje cansei do compromisso
da meiga postura do cotidiano
quero o insano jeito de cara feia
quero estar só na lua cheia...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

in another day of rain

                                                             painting by Djanira (1914/1979) Brasil

in another day of rain
the mind again remembers
scenes of tender happiness
listening to a song of yesterday...

"when our love was new
and each kiss an inspiration"

has got to believe in what it sees
love is not anymore a symphony
of two hearts in compass
dancing together at every step...

time went by rapidly
the wind blew out
the candle in the hearts
and each one took apart...

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Nat King Cole - Stardust - intertexto - stardust of yesterday




"Stardust" was composed in 1927 with music by Hoagy Carmichael and lyrics by Mitchell Parrish (added in 1929). Hoagy himself was the first to record it and since that time the song became one of the most recorded of the 20th Century. Nat's original version came on Dec. 19, 1956 with Gordon Jenkins arranging and conducting the orchestra.

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"Love is now the stardust of yesterday
The music of the years gone by"

chegam da memória
acordes de violinos
certamente voam do infinito
não sei por que lembro essa canção
ela vem direto ao coração...
do rádio adolescente ouvinte
sempre escutava esse cantar
olhos a sonhar no azul
com sentimento a chegar...

acordes de magia embalavam
a natureza... o dia... a compreensão
da vida vinha devagar
vagar entre realidade e porvir...

voou o dia... voou no ar
o azul do céu ficou no mar
brotou qual flor em estação
propícia para a floração...
e hoje ao ouvir essa canção
adolesce novamente o coração
embala outra vez o sonho devagar
na lembrança sempre a sonhar...

janela das sensações


tarde de chuva
nublada tarde
abre a janela das sensações...

gostosas lembranças
barquinho de papel
na correnteza
banho de chuva
alma liberta
descobre-se não mais presa...

beleza do dia
harmonia
tudo é serenidade...

poesia passeia
tal como ontem a lua
brilhante desde a rua
a esparramar-se pela casa...

tempo
quietude
espaço
abraço a hora
o doce momento
ao canto dos pingos lá fora
recordo
saboreio
agradeço...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Gene Kelly - I'm singing in the rain - intertexto - forever remain


"Singin' in the Rain" é uma canção com letra de Arthur Freed e música de Nacio Herb Brown, publicada em 1929. Não está muito clara a data exata em que foi composta. Alguns alegam que existe desde 1927.
A canção ocupa a terceira colocação na Lista "100 Anos... 100 Canções", divulgada pelo American Film Institute em 2004.
A canção tornou-se um sucesso e foi regravada por um grande número de intérpretes, destacando Cliff Edwards, que também a cantou no antigo filme musical The Hollywood Revue of 1929. Também foi cantada no cinema por Jimmy Durante, no filme "Speak Easily" de 1932, e por Judy Garland, em "Little Nellie Kelly", filme de 1940.
No entanto, a música é hoje mais conhecida por ter sido a peça central do filme de 1952 Singin' in the Rain, dirigido por Stanley Donen. A cena em que Gene Kelly dança e canta esta música enquanto pula entre poças d'água em meio à chuva é inesquecível. A canção também é cantada durante os créditos iniciais, por Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O'Connor, e já quase ao fim do filme, só por Debbie, quando dubla a música para que a personagem de Jean Hagen finja cantar. (fonte: wikipedia)

 

 

Singin' In The Rain

Gene Kelly


I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain

--------------------------------------------------------------------------------------------------------
forever remain

cantar na chuva
pular poças
face lavada
alma encorajada
dançar no ritmo da canção
do coração
do corpo em revolução
aos saltitos
aos gritos
lançando água
em todas as direções...

sem comiserações
paixões esquecidas
a gente ria
e ia pela calçada
noite alta
fria e forte a garoa
comemorávamos a alegria...

dançamos na chuva
rimos
de tudo
de nós mesmos
da vida
da lida
rimos como só sabem fazer
as crianças...

e assim éramos
bobos de alegria
tontos de poesia
pela derradeira vez
não sabíamos
um partiria mais cedo
éramos três
não tínhamos medo
amigos
felizes
dancin'
and singin'
in the rain...

in our hearts
it will forever remain...



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

words

                                       "Meninos soltando pipa", painting by DJANIRA da Mota e Silva (1914/1979) - Brasil
                                           

words are soft
come deep from the heart
bright as a sunny day
come early in the morning
come with calm rain
whisper as soft wind
at the sunset
make me happy as a child
playing with a kite
make me forget the pain
remind me
believe is not in vain...