domingo, 29 de janeiro de 2012

a dor como a verdade da vida

                                                          self-portrait by frida kahlo (1907/1954) méxico

a dor teima
atormenta o corpo
o espírito
desampara a coragem
arde o coração em agonia
tristeza penetra a alma
faz dela companhia...

anseio vê-lo feliz
aprendiz de novo sonho
risonho
alegre semblante
que cante
a vida
a amizade
a dificuldade vencida...

palavras reavivam o sentido
na esperança que move
envolve a outra dimensão
faz o tempo em oração...

padecer a dor de viver...
fico a pensar
repensar a inerte vontade
inexistente determinação
de lutar
de enfrentar
de crescer na dificuldade
de fortificar-se no sofrer
de reeducar a vontade...

parece-me ingratidão
queixar-se
lamentar-se
quando o criador nos deu
mil motivos para viver...

silencio
oro
peço
recomeço
preciso entender
mas o luto se prolonga
sofre o amigo
a perda de mais um amor
que reaviva
perpetua a dor
como a verdade da vida...

ferida reabre
sangra até o total desalento
lágrimas acompanham o sofrimento
choram a chuva
o sol
o vento...

tempo devagar avança
na competição injusta
da dor será a vitória
se o amigo não se der guarida
se não ouvir a voz
de outro coração entristecido
que se magoa ao ver
sangrar um coração amigo...

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