quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

cortina rasgada

                                                                                         photo by google

cortina rasgada
fresta aberta
sangra a ferida...

estanca o sangue
rebusca os restos
força a saída...

voa no tempo
suor escorre
inunda a face
salga o olhar...

canta um canto
dança um passo
arremessa a lança
na contramão...

empresta o nome
constrói o teto
habita o verso
desabita o andar...

ardem chamas
queimam labaredas
surpresas exalam
cheiro de antigo lugar...

duro embate abate
presas da fera dilaceram
invadem seus próprios medos
mostram secretos segredos...

circo de enganos
bonecos de velhos panos
olhos avermelhados
falsificados verbos
espelhos de negado mirar
rasgam a trilha
mexem na vigília
sucumbem no desamar...

fogo fátuo desvanece
na prece serena
do coração
abrem-se portas
venta no espaço
amplo é o abraço
acolhedor é o chão...

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