terça-feira, 31 de janeiro de 2012

mercedes... alfonsina... e nós... (intertextualidades)


video by youtube.com

Alfonsina y el mar es una zamba compuesta por los argentinos Ariel Ramírez y Félix Luna, publicada por primera vez en el disco de Mercedes Sosa (La Negra) Mujeres argentinas, de 1969. La canción es un homenaje a la poetisa de la misma nacionalidad Alfonsina Storni, que se suicidó en 1938 en Mar del Plata, saltando al agua desde una escollera.

Alfonsina y el mar

Por la blanca arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma.
Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola.
Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.
Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado.
Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma
Nodriza, en paz
Y si llama él
No le digas nunca que estoy
Di que me he ido.
Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fuiste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar           (Ariel Ramírez y Fèlix Luna)
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mercedes... alfonsina...e nós...

correm velozes os anos setenta
aos poucos se tenta
retomar a palavra
calada na garganta
canta mercedes sosa
encanta a alma
sedenta a ouvir seu grito
tantas vezes proibido...


encanta a alma que clama
pela poesia perdida
pelo sonho negado
pelo céu desamparado...


marca a vida a voz forte
sonora melodia
ilumina o dia anunciado
buscado na luta insana
que irmana
que fere
mas não mais cala...


estamos sós
mercedes... alfonsina... e nós...
o canto de mercedes
é o nosso
a sina de alfonsina
é a nossa
entendemos sua gana
de afogar mágoas
incabíveis no peito
acabar com a angústia
com o vento
com o sal
desprender-se do engano
no profundo oceano...


brada la negra
bradamos nós
grito de protesto
de luta
de amor
por uma américa encarcerada
amordaçada na tristeza da desesperança... (vera luiza vaz)


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Espera 


He de darte las manos, espera, todavía
está llena la tierra del murmullo del día.
La bóveda celeste no deja ver ninguna
de sus estrellas... duerme en los cielos la luna.

He de darte las manos, pero aguarda, que ahora
todo piensa y trabaja -la vida es previsora-
Pero el corazón mío se esconde solitario,
desconsolado y triste por el bullicio diario.

Hace falta que todo lo que se mueve cobre
una vaga pereza, que el esfuerzo zozobre,
que caiga sobre el mundo un tranquilo descanso,
un medio todo dulce, consolador y manso.

Espera... dulcemente, balsámica de calma,
se llegará la noche, yo te daré las manos,
pero ahora lo impiden esos ruidos mundanos;
hay luz en demasía, no puedo verte el alma. (Alfonsina Storni)


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não posso ver-te a alma

não posso ver-te a alma
o coração esbarra na fisionomia
oculta desde o sol límpido da manhã
leitura breve escreve a desvalia
tardia a luz pra iluminar-te
sem ver-te verdadeiramente
sepultei teu semblante ao meio-dia... (vera luiza vaz)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

senso comum... desculpem... desconheço...

Este espaço foi reservado para imagem de abate de animais que a autora não teve coragem de postar...
Com o diário consumo de carne, cada um carnívoro é responsável pelo doloroso sofrimento imposto aos nossos irmãos animais, indefesos e conscientes do mal a que os humanos os estão condenando...


"Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que nós não estamos contribuindo para o sofrimento deles."         
 Paul e Linda McCartney


senso comum...
desconheço...
senso comum é tirar a vida
de animais indefesos
para saciar a carnívora fome...
de cadáveres cancerígenos alimentar-se
porque é senso comum
porque é permitido
porque é garantido
porque é saboroso...

não entendo esse senso comum de gosto
não mais aceito crítica ao vegetariano alimento
momento de boa guerra
à hipocrisia reinante na terra...

consumo de alimento de origem animal
também não combina com dó de animal abandonado
os animais antes do abate
encontram-se completamente abandonados
ao duro sofrimento até o cessar da vida...

seguem... alguns silentes... outros se rebelam...
todos conscientes do doloroso destino...
saciar a carnívora fome
do humano rei da criação...
humano...
rei...
precisanos revisar a semântica
com urgência...

o planeta pede socorro...
a vida pede socorro...
os animais pedem socorro...
o humano morre de indigestão
de comida
de bebida
de prepotência
de demência
de confortável negligência...

senso comum... desculpem...
desconheço...

domingo, 29 de janeiro de 2012

não vem de colher... não... aqui não tem sopão...

                                                                            mellannyherman.blogspot.com

meiguice transmuta
serenidade abandona postura
compostura quer distância
hoje não há elegância...

atrropelo te devora
não tem hora
quer te sugar companhia
quer teu coração
tua vida
quer tua simpatia
teu dia...

fortificar-se é preciso
na decisão da palavra
no momento necessário
combate de hábil corsário...

sem falsa compaixão
sem dolorida generosidade
bondade pede licença
dá lugar à bravura
à arte da boa guerra...

não é questão de coerência
o assunto é o justo espaço
palavra de sentido claro
verbo de radical firme
é viver sem jugo...
sem o que oprime...

mulher dura luta tem
cabeça pensante presente
advérbio negativo de plantão
sem máscara de bobo da corte
no rosto
esse rei já foi deposto
com valor sempre em juízo
há que dar logo um aviso
não vem de colher... não...
aqui não tem sopão...

luz de farol seguro

                                          "lighthouse and buildings" painting by edward hopper (1882/1967) united states


viver é viajar
por própria conta
de carona
por gosto
por desgosto
por livre decisão
por livre imposição...

viver é arte
de conhecer-se
de respeitar-se
de desprezar-se
por inteiro
por metades...
com ou sem alarde
com ou sem platéia
com ou sem garantia
com vida plena ou vazia...

viver por certo é resultado
do terreno
do arado
dos bois na lavração
da semente
da estação...

viver também é escolha
do caminho
da companhia
da intenção
do sentimento
do vocábulo na tradução
do idioma na comunicação...

viver se parece
com a planta que cresce
se cuidamos do cultivo
teremos pura beleza
da natureza em manifestação
se houve negligência
a floração trará tristeza
não há como isso negar...

na singela figura
da metáfora displicente
verdade de grito forte
exala de sul a norte...

não me culpes se descobrires
sem tempo pra nenhum conserto
o deserto de apoio e cuidado
àquele que te iluminou
com luz de farol seguro
em noite de tempestade
em dia frio e nublado
caminhando a teu lado...

viver não é negar tempo e trato
não é mentir
nem descuidar
não é à raiz negligenciar...

nighthawks

                                                   "nighthawks" painting by edward hopper (1882/1967) united states

nighthawks
behind the glass
behind the trash
of a painful soul...

solitude in the night
in the mind
alone in everything
only a cup to drink...

daylight went by
came the dark night
no moon
just empty dreams
and sorrow
in a cold heart...

no fellow to talk
no place to walk
nothing to believe in...

let me agree to differ...

                                                 "room by the sea" painting by edward hopper (1882/1967) united states


hypocrisy walks together
when friendship isn't true
keeps bad company
goes like a boa constrictor
undergoing digestion on a tree...

go far from me...
don't wanna these friends
don't agree with this way
of being
of seeing themselves and others...

unfortunatily
this is what we see
this is what happens
to us... to you... to me...

we open our hearts
the door for our lives
and dissimulation comes in
with false friendship
without respect
we feel regret...

excuse me...
i have to scream out...
i don't wanna listen to these words
of falseness
of obscure interest
i don't wanna sit down
i close this door
let me agree to differ...
i open my door to the blue sea...

a dor como a verdade da vida

                                                          self-portrait by frida kahlo (1907/1954) méxico

a dor teima
atormenta o corpo
o espírito
desampara a coragem
arde o coração em agonia
tristeza penetra a alma
faz dela companhia...

anseio vê-lo feliz
aprendiz de novo sonho
risonho
alegre semblante
que cante
a vida
a amizade
a dificuldade vencida...

palavras reavivam o sentido
na esperança que move
envolve a outra dimensão
faz o tempo em oração...

padecer a dor de viver...
fico a pensar
repensar a inerte vontade
inexistente determinação
de lutar
de enfrentar
de crescer na dificuldade
de fortificar-se no sofrer
de reeducar a vontade...

parece-me ingratidão
queixar-se
lamentar-se
quando o criador nos deu
mil motivos para viver...

silencio
oro
peço
recomeço
preciso entender
mas o luto se prolonga
sofre o amigo
a perda de mais um amor
que reaviva
perpetua a dor
como a verdade da vida...

ferida reabre
sangra até o total desalento
lágrimas acompanham o sofrimento
choram a chuva
o sol
o vento...

tempo devagar avança
na competição injusta
da dor será a vitória
se o amigo não se der guarida
se não ouvir a voz
de outro coração entristecido
que se magoa ao ver
sangrar um coração amigo...

sábado, 28 de janeiro de 2012

único a cada momento

                                                                          photo by capinchocumulus.blogspot.com

chuva e sol reinam
alternadamente
frescor e calor
repartem espaço
sucessivamente...

internas reflexões
compreensão comparada
ao tempo em suas manifestações...

chuva forte agora cai
há pouco havia sol
um ao outro cede vez
numa total sensatez
ou este é apenas
poético modo de ver...

às vezes... aparece disputa
vento entra na luta
sopra nuvens
prepara lugar
ajeita no céu as condições
pra o tempo se expressar...

fica-se assim a admirar
beleza do quadro
pintado por habilidosa mão
engenhado por mágico espírito
no delírio da criação...

não há como impune ficar
ao espetáculo cotidiano
em nosso humilde plano...

agradeço então por poder ver
por tentar compreender
a participação
que me cabe na estação
sou assistente de um espetáculo
inexplicavelmente belo
com nuvens
com raios
com chuva
com sol
com vento
único a cada momento...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

abençoar o chão

                                                                               photo by maudeepoesia
duros golpes
madrugada fria
covardes mãos
mas é passado...

braços quietos
cuidaram da ferida
deram guarida
amarraram laços...

sou ameaça
no entanto luto
me ajeito
cresço
padeço
não é meu fim...

seiva vital derrama
ameaça resistência
urgente cuidado
da natureza
alimenta energia
orienta com sabedoria...

ao vento leste no verão
sul depois da viração
um balançar contente
no verdejar de folhas
revela a mágica lição
aprofundar raízes
abençoar o chão...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

é hora de ler o jornal...


dia começa
não importa a estação
diário popular pra saber
o que anda a acontecer
com o tempo na previsão...

uma bom mate certamente
faz contente o coração
mas quem há de fazer leitura
se a gatinha se deitar
em cima da informação...

quer mais um mimo
pra então quem sabe
permitir a continuação...

de personalidade
faz valer suas escolhas
como definir bem devagar
de onde o mundo vai observar...

quando pequenininha
na rua perambulava
decidiu ter um lar
no motor do carro
por certo cama quentinha
foi se acomodar...

depois de alguns quilômetros
com o carro em movimento
o motor tinha um barulho
parecia que miava...

ao abrir ali estava
não fugiu
tranquilamente
como quem entendia
o que acontecia
foi dizendo miau...

miau... miau..
já há bastante tempo
faz bem cedinho...

acorda a casa decidida
toma o seu café matinal
depois acomoda-se feliz
é hora de ler o jornal...

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

summertime III

                                                              phoyo by capinchocumulus.blogspot.com
                                                

fresh breeze
white clouds
present sun
but...sometimes a little rain...
believe i just can't...

summertime...
and the living is easy
the heart is nice
the mind is bright...

yes... i've got to thank
for the stormy weather
of yesterday
amazing colors
make me think
make the link
i've to much to learn
maybe something to earn...


strange figures
in the sky pictures...

the wind whiffled strongly
and thrust forward the rain
thrust forward the pain
of the day...

summertime...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

palavras trazem apreço...

                                                                        baudefiguras.blogspot.com

com as palavras
vivo a brigar...
perdem sentido
não me dão ouvidos
estão a me enganar...

quero palavras de significado
mas o verbo está camuflado...

desde o íntimo pensamento
desde a mais interior região
da alma
chega o impulso
da expressão...

quero palavras de significado
mas o verbo foi roubado...

dele fizeram uso equivocado
anúncio de mercado
painel de candidato
entrevista com artista de televisão
verbo ficou caído ao chão...

recuperá-lo...
árdua tarefa
a gente tem pressa
inventaremos novo vocábulo
dar-lhe-emos sentido
será um perfeito neologismo
mas... coitado...
não será entendido
ficará estendido no chão...

na brincadeira uma verdade
palavras passam apressadas
quase não deixam nada
aí... chegam um dia...
de distante geografia
simples palavras
de energia plenas
viram a alma pelo avesso
palavras trazem apreço...

se chuva... se sol... se vento...

                                                                                          photo by maudepoesia

do azul ensolarado
ao escuro nublado
muda o céu
esconde-se o sol
mudamos nós...

inútil olhar o dia
com cotidiano olhar
o mundo muda
como muda o céu...

fundamental a vida
presente...
em todos os sentidos...
vivê-la é preciso
com alegria
como num dia ensolarado
com alguma tristeza
como num céu nublado
mas com disposição
com agradecimento
não importa se chuva...
se sol...
se vento...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

de tudo expressão amor...

                                                                   picture by elena nikitina em espacoarte.com.br


verão se esparrama
incendeia a imaginação
aquece o asfalto
silencia a criançada
de férias pela calçada...

sol exposto sua o rosto
salga em suave proposto
melhor permanecer quieto
ou se atirar de ponta
em molhada brincadeira...

não há passantes na rua
quietude a tudo silencia
magia da hora encantada
ao sol queimando na calçada...

no interior em calma
serena a reflexão
ouve-se agora um barulho
ou fruto da imaginação
céu de azul se vestiu
depois da chuva ligeira
na brisa que a noite refez
em frescor e limpidez...

viaja a alma no interno
eterno templo da mente
nos mundos que se perpassam
abraçam silente sentido
saem à porta em harmonia
dão-se as mãos serenamente
preferem tal como o tempo
aproveitar o momento...

alegrar a vida em canto
expressar-se em poesia
elevar a alma ao infinito
orar por entes queridos
agradecer pela ceia
à mesa em comunhão
pela mão que faz o pão
pela fruta abençoada
pelo verão em calor
de tudo expressão amor...

domingo, 22 de janeiro de 2012

balança na rede maria bonita...

                                               photo by maudepoesia


balança na rede maria bonita
balança na rede pra lá... pra cá... (cancioneiro popular)

balança na rede a menina bonita
cantarola sorridente
embalada na alegria
do crescimento...

sopra a brisa serena
em seu detalhar
olhar pensativo
decisão
da nova brincadeira...

vestido de verdes florezinhas
é rosa bobó...
e são rosas todas as flores
amores do olhar pequeno
a animar a doce manhã...

decidida ao avançar o passo
amorosa no amplo abraço
conversa em explicação
sobre uma importante questão...

improviso revela-se fundamental
para ampliar de brincadeiras o arsenal...

corre em busca da vassourinha
pra vassourar uma pocinha
enchida com água do regador
também molhou a sandalinha
ops...e a renda do vestidinho...
também resultou molhada
mas isso não é nada...
segue adiante...

corre agora em busca das bolas
uma pra maísa...
uma pra bobó...
uma pra bisa...
sobe as escadas em correria
firme no passo da ousadia...

puxa a cadeira junto à mesa
sobe nela sozinha
levanta a tampa da sopeira
lá dentro... um tesouro...
atira uma bolinha
e mais outra já está no ar
bebeba...
vamos jogar...

na hora do papar
atitude decidida
depois de as mãozinhas lavar
subida na cadeirinha
se acomoda rapidinha
será que hoje tem bolinhas...

pratinho à frente se ajeita
pega a colher
come sozinha
bom mesmo é boca bem cheia...

saboreia com satisfação
o alimento e em seguida
desce da cadeirinha bem faceira
lá vem mais brincadeira...



  

longe se faz perto.../ far becomes near...

                                                             photo by calligraphy in the landscape. blogspot.com

I feel something of soft touch.
The voice of the time. The snowy beating. The ancestral soul.
The words cannot get them.
The temple is covered with a silver hat.(Ruma)
                                                                           


sol desaparece                                                    
escuras nuvens pintam                                       
estranheza...                                                       
beleza nublada                                                  
refresca a quente tarde                                 
céu escurece                                                                       
não arde agora o sol...                                       

ar fresco suaviza                                               
traz a brisa                                                        
o pensar...                                                          

revolvem-se confins nublados                                                  
desenhos mostrados na aurora                          
revezam agora                                                   
na janela da memória                                        
aberta pelas doces palavras...

sentido ausente                                                
faz-se presente                                                
ampara a metáfora                                           
a figura posta                                                   
aposta no significado                                       
poder do verbo conjugado...                            

sentimentos perdidos                                      
encontram no abraço                                     
ofertado com zelo                                         
com apreço                                                    
o endereço do coração...                                

calor do sentir transpassa                              
passa pelas vogais                                         
pelas consoantes                                           
vibra na formação vocabular                                                
expressão preciosa de emoção...                   

longe é o lugar                                             
noite é dia
verão é inverno                                                    
no domínio da geografia...
                         
longe se faz perto                                        
rega o deserto                                             
traz sentido às palavras                                                                                                                                     
pelo carinho
pela energia em comunhão...

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the sky goes dark
the sun vanishes
painted in black clouds
strangeness...

cloudy beauty
refreshen afternoon                                 
sun does not burn
brings the soft breeze                                                         
the thought...

moving around cloudy frontiers
drawing shown at the dawn
alternate now
at the memory window
opened by gentle words...

absent meaning
makes itself present
supports metaphor
a placed figure
bets in the sense
power of the conjugated verb...

lost feelings
meet in the embrace
offered with care
with respect
address of the heart...

warmth of feelings passes over
passes by the vowels
by the consonants
sounds at the vocabular formation
expression of precious emotion...

far is the place
night is day
summer is winter
at the geography domain...

far becomes near
waters the desert
brings meaning to the words 
by kindness
by sharing energy...

(with my thanks to Ruma in so beautiful snowy Japan)

sábado, 21 de janeiro de 2012

poesia da natureza

                                                                                         photo by maudepoesia

expressão da natrureza
generosidade em abundância
proposta de suavidade
magia pra animar a vida
pra adoçar a vista
pra encantar de prazer
beleza de ver
de fazer pensar
de amansar a alma
de exigir a calma
no apressado mundo...


bom estar aqui
ler as flores
observar leves detalhes
pequeninas manifestações
de amor
de cor
de gentileza...

na proposição
repensar danos
esquecer enganos
curtir o momento
puro encantamento...

aprofunda a reflexão...
por que não vemos
por que não cremos
por que não agimos
assim como a flor...

na poesia da natureza
respinga a beleza
nos passantes
nas dormentes almas
na calma da pura manhã...

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Chico Buarque - Pois é - intertexto: então... o querer...



Pois é - Chico Buarque e Tom Jobim

Pois é!
Fica o dito e o redito
Por não dito
E é difícil dizer
Que foi bonito
É inútil cantar
O que perdi...
Taí!
Nosso mais-que-perfeito
Está desfeito
O que me parecia
Tão direito
Caiu desse jeito
Sem perdão...
Então!
Disfarçar minha dor
Eu não consigo dizer:
Somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim...
Enfim!
Hoje na solidão
Ainda custo
A entender como o amor
Foi tão injusto
Pra quem só lhe foi
Dedicação
Pois é!
Taí!
Nosso mais-que-perfeito
Está desfeito
O que me parecia
Tão direito
Caiu desse jeito
Sem perdão...
Então!
Disfarçar minha dor
Eu não consigo dizer:
Somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim...
Enfim!
Hoje na solidão
Ainda custo
A entender como o amor
Foi tão injusto
Pra quem só lhe foi
Dedicação
Pois é! Então!
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então... o querer...

querer é fácil
difícil é saber
se o querer existe ou não
não é subjuntivo
não é indicativo
nem presente o querer não...

quase sempre é passado
na lembrança debruçado
sem futuro projetado
sem compartilhação...

não é justo
é sempre breve
se serve assim talvez
haja um pouco de querer...

se houver exigência
o querer rompe a querência
foge em veloz corrida
para qualquer saída
de qualquer outro querer...

se houver inteligência
o querer olha de lado
não aprova a postura
bem melhor a demência
do que ter esse querer...

então...
fica o dito por não dito
até o infinito
não tem outro jeito não... o querer...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

cortina rasgada

                                                                                         photo by google

cortina rasgada
fresta aberta
sangra a ferida...

estanca o sangue
rebusca os restos
força a saída...

voa no tempo
suor escorre
inunda a face
salga o olhar...

canta um canto
dança um passo
arremessa a lança
na contramão...

empresta o nome
constrói o teto
habita o verso
desabita o andar...

ardem chamas
queimam labaredas
surpresas exalam
cheiro de antigo lugar...

duro embate abate
presas da fera dilaceram
invadem seus próprios medos
mostram secretos segredos...

circo de enganos
bonecos de velhos panos
olhos avermelhados
falsificados verbos
espelhos de negado mirar
rasgam a trilha
mexem na vigília
sucumbem no desamar...

fogo fátuo desvanece
na prece serena
do coração
abrem-se portas
venta no espaço
amplo é o abraço
acolhedor é o chão...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Chico Buarque - Eu te amo - Legendado - em intertexto: partir...




partir...
quem há de
depois de tanto tempo
sonhar em cada momento...

partir...
não mesmo fácil
não menos fraco
coração deposto
esconde o rosto no riso ligeiro
aventureiro em desconsolação...

partir...
necessário até pelas raízes
nas cicatrizes à mostra
em cada gesto de recordação...

partir...
deixar a hora escorrer no ralo
deixar o braço cair em desalento
deixar a canção tirar mais um pedaço
do coração despedaçado ao chão...

partir...
compor as notas de outra melodia
tarde do dia entardecido cedo
com medo atroz de não poder partir
sentindo a dor dessa separação...

partir...
seguir a aurora pela madrugada
fazer do nada nova morada
ao sopro forte da desilusão...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Dire Straits & Eric Clapton - Wonderful Tonight [Wembley - 88] - and a text "talks" to another...



Wonderful Tonight 

It's late in the evening
She's wonderin' what clothes to wear
She puts on her make-up
And brushes her long blond hair
And then she'll ask me, "Do I look all right?"
And I'll say yes, you look wonderful tonight

We'll go to a party
And everyone turns to see
This beautiful lady
Is walkin around with me
And then she'll ask me, "Do you feel all right?"
And I'll say yes, I feel wonderful tonight

I feel wonderful because I see
The love light in your eyes
And the wonder of it all
Is that you just don't realize
How much I love you

It's time to go home now
And I've got an achin' head
So I'll give her the car keys
And she'll help me to bed
And then I'll tell her
As I turn off the light
I'll say my darlin', you were wonderful tonight
Oh, my darlin, you were wonderful tonight

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At this time a text starts talking to the other...

other time
almost ancient time
a woman and a man
both young
both in love
or... one in love
the other she's got to tell
she doesn't know
at that time she supposed she knew
now not anymore
and there was jealousy
cause the young lady was so wonderful tonight...
what he did not know
she only had eyes for him
she lived only to love him
but time went on... and on...
there was rain
and there was pain
and stormy weather
the sky became dark
they took apart
and the beautiful lady were not wonderful those nights...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

janelas são sol que desperta

                                                                                                                          
                                                                                                         Photo by maudepoesia

atitude de quietude
inquietação tirou férias
abraço o momento
aumento o volume
da alma
na escuta da reflexão
presente
na surpresa do tempo...

passos no corredor
ecoam na sala
da lembrança...

não quero memória revolta
deixa guardada a recordação...

à frente sonho define
lucidez de energia
cria de fazer cotidiano
depois de afastado engano...

portas são asas abertas
janelas são sol que desperta
chega devagarinho
iluminando o caminho...

detalhes invisìveis

                                                                                            photo by maudepoesia


detalhes invisíveis
estendem-se pelo chão
distraídos passos repassam
seguem noutra direção...

argênteos... róseos...
verdes...  desbotados...
amarelos... encarnados...
espalham-se
agitam-se
gritam em algazarra
espiam em aflição
empilham-se aos tropeços
desabam em plena estação...


são gestos de liberdade
são palavras de verdade
são laços entrecortados
são amorosos cuidados
são abraços desabraçados
são carinhos esquecidos
são amizades preteridas
são feridas não curadas
são angústias anunciadas
são lágrimas expostas
são lembranças esquecidas
são amargas recordações
são surdas confissões
são ilustres desrespeitos
são deslizes propositais
são amenos entardeceres
são afazeres de gosto
são lábios entreabertos
são carícias de inverno...

são detalhes visíveis agora
mas já é tarde
passou da hora...

domingo, 15 de janeiro de 2012

provérbios de vovó luiza

                                                                                photo by mercadolivre.com.br


ao longo de minha vida
tenho sempre escutado
por minha mãe enunciado
algum popular provérbio
adequado à situação...

falas de vovó luiza
de quem o nome herdei
mostravam a perspicácia da hora
pra caracterizar a situação...

a vida é a melhor escola
empírica sabedoria
por cima camisa bordada
por baixo fralda cagada
constatação da falsa pose
engomada enganação...

do mundo sagaz leitura
cultura da vida em ação
lição tirada ao observar
em volta com clareza
de ausente escolarização...

direta ao enunciar
sincera ao afirmar
lá chegava mais um dito
prenhe de vida no verbalizar...

de onde vovó sabia
essas coisas eu não sei
sei apenas ouço histórias
de minha mãe narrativas
contando infantil viagem
com bagagem que aos poucos herdei...

sábado, 14 de janeiro de 2012

palavras

                                                                       photo by sonhodeliberdadecleo.blogspot.com

palavras tombam no chão
perdem força
esquecem sentido
enrolam emoção
calam ao ouvido...

palavras seduzem
envolvem
iniciam guerras
aplacam feras
em época eleitoral
desmaiam senso
mentem sorrindo
acreditam mentindo...

palavras generosas
celebram falsa verdade
atraiçoam
matam
escondem gestos
enganam com perversa intenção
arrebanham sorridente multidão...

palavras perdoam
voam ao infinito
em grito espargem voz
na dor de lança atroz...

palavras revelam entranhas
soltam amarras
ficam bravas...

palavras vêm do intestino
do estômago
do menino abandonado na rua
do astronauta na lua
tonto de espanto
de todo o canto
do anjo
do mercenário
do cenário de miséria e de guerra
exposto por toda a terra...

palavras não têm dono
levadas pela enxurrada
das mazelas à espreita
dos costumes caducos
embolorados nas bibliotecas
petecas sem meninada
na brincadeira de nada...

palavras vestem luto
disputam lugar premiado
câmara de deputado
de letrado escritor
de doutor condecorado
em triste celebração...

no absurdo da esperança
palavras crianças
encontram paz
desistem da insanidade
serenas percorrem a verdade...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

summertime II - chuva à janela

                                                                                                 googleimagens

tempo de verão
dias acalorados
noites abafadas
onde...
aqui janeiro segue
vento de primavera
encontra inverno à espera
chuva à janela...

dia de calmo repouso
ouso crer
ouso orar
a insânia do mundo
sempre quer me controlar...

lamento de quente tempo
tirania do momento
desaguam na calmaria
da serenidade do dia...

ah.. profundas águas se movem
correm sonolentas no leito
do rio em estreitas correntezas
levadas ao sopro do vento...

de palavras são os sentidos
transmutados desde o interno
eterno amparo de alas
à espera
na chuva à janela...

não sou o gepeto...

                                                                    comicvine.com/gepeto


na incerteza presa a alma
máscara de riso disfarça
farsa de alegria
disfarçada em versos...

difícil resolver
questão esbarra
em tudo
com tudo
contudo
coração descontente
não mente
perdas
invasões
pressões
restringem mar de ações...

difícil decidir
resolver
definitivamente
se o tempo já mostra urgência
triste esperar outro juízo...

diferentes reações
às mesmas ações
inútil expectativa...

tempera-se o dia
no ritmo congelado
conserto de brinquedo quebrado
fica sempre desengonçado
não sou o gepeto...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Summertime, algum frio, vento em assobio e intertextualidade

 


Summertime is an aria composed by George Gershwin for the 1935 opera Porgy and Bess.
The lyrics are by DuBose Heyward, the author of the novel Porgy on which the opera was based
Ella Fitzgerald and Louis Armstrong sing Summertime

Summertime
And the livin' is easy
Fish are jumpin'
And the cotton is high
Oh your daddy's rich
And your ma's good lookin'
So hush little baby
Don't you cry

One of these mornings
You're gonna rise up singing
Yes you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There is nothing to harm you
With dad and ma standing by
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and it's summertime
tempo de verão
roupas leves
leves brisas
ou ventania tresloucada
na primavera inacabada...

tempo de verão
chuvarada trouxe frio
vento em assobio
como em outra estação...

tempo de verão
ontem ensolarado
hoje enuviado
como em outra estação...

but it's summertime
the living is easy
and certainly
our wings
are gonna fly
so hush little baby
don't you cry...




o melhor

                                                     phoyo by maudepoesia
                                                                           
o melhor momento do dia
acordar na esfuziante companhia
de animaizinhos de estimação...

o melhor ao envelhecer
exercitar consciência do tempo
flexibilizar corpo e mente
aproveitar o momento
se a gente ainda está por aqui
apesar da desbotada fisionomia
viver com disposição e alegria...

o melhor lugar do mundo
paris e new york à parte
depois de dia estafante
depois do banho quentinho
com o sabonete preferido
a maciez do lençol
com perfume de amaciante...

o melhor na refeição
produtos de orgânica origem
legumes... grãos... frutas...
no preparo muitos temperos
manjericão... alecrim...
adiconados de harmonia
em gostosa companhia...

o melhor dos procedimentos
reflexão
se errar
voltar
tentar acertar
se acertar
melhor então...

o melhor da vida
o sonho
buscado com emoção...

o melhor no relacionamento
respeito
a si
ao outro...

o melhor na amizade
sinceridade
gostosa convivência...

o melhor em todos os momentos
respirar
e orar em agradecimento...

o melhor na poesia
expressar sem censura
vida é plena aventura...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

pequena figura de ensinamento

                                                                                        photo by maudepoesia


no olhar da pequena figura
candura
contentamento
cantoria melodiosa
ilustra pulos na dança
criança leve... feliz...
põe fé no que faz e diz...
engenhosa nas ações
carinho vibra ao anunciar
bebeba... vem brincar...

reflexão promove
comove corações
envolve amplo sentido
perguntar qual o motivo
de sua linda existência
desnuda muita fé
revela muita crença...

presença de alegria
ternura em crescimento
desenvoltura na fala
ações de enfrentamento
educa na exigência
ensina na paciência
reflexão obrigatória
na infantil trajetória...

ao início do novo ano
terceiro em princípio
em sua vidinha
caminha firme
decidida nas ações...

propõe questionamento
penso num momento
esse pequeno ser
mais do que aprender
veio pra ensinar...

ensina-me a crer primeiro
perdoar sem exceção
reafirma em mim a verdade
viver com simplicidade...

pequena figura de ensinamento
mostra ao mundo o jeito
de viver com o coração...

domingo, 8 de janeiro de 2012

o pior

                                                                                    photo by fotolia.com


o pior do tempo
é não aproveitar o sabor de cada momento...

o pior da alimentação
é ver a fisionomia
de incredulidade e de espanto
porque é diferente sua opção...

o pior de uma opinião
é ter ares de sentido obrigatório...

o pior ao entrar no banco
além dos exorbitantes juros
e de não se sentir seguro
é trancar na porta giratória...

o pior do saber
é a ignorância de se achar sábio...

o pior no amor
seria considerar que existiu um dia...

o pior pra pessoa
é olhar-se ao espelho
e não encontrar seu reflexo...

um dos piores sentimentos
é a vaidade
que busca companhia de outros iguais...

o pior ao envelhecer
é ter faltado às aulas de química
e a do envelhecimento não entender...

o pior nos finais de ano
é ter de aguentar
 a desrespeitosa filosofia
dos excessos da falsa alegria...

o pior da situação de hipocrisia
quando se procura vaga para estacionar
e alguém dizer
que do carro vai cuidar...

o pior na vizinhança
porque se gosta de animais
é alguém sempre trazer o cãozinho
pra fazer xixi no portão...

o pior da irresponsabilidade com a saúde pública
é colocar o lixo pra ser recolhido
e sendo este remexido e revirado
ficar ao vento em lamentável revoada
como se nada o produtor do lixo
tivesse com a situação...

a pior ação
dos legisladores municipais
é agirem sem convicção
de acordo somente
com os rumos da próxima eleição...

o pior de tudo
é que este pior
poderia continuar
sempre com tema pra registrar...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

raízes

                                                                                    photo by maude poesia

quero ficar em silêncio
ouvir meu coração
quero atentar ao bom
à simplicidade
à harmonia
quero orar
seguir adiante
dar à vida bom-dia...

aprendi desde criança
ao estudo dedicação
no convívio afeto
aos mais velhos
reconhecido respeito
face de gratidão...

desde a infância percorro
caminhos de lealdade
de verdade foram exemplos
de dedicação paternas ações
de apoio palavras maternas


andar descalça no arroio
com os lambaris apressados
balançar nas quentes tardes
engenhar pontes e estradas
à sombra das pitangueiras
descer de bicicleta a ladeira
de tonel até as unhas de gato
retrato de infância feliz
estruturaram vida aprendiz...

bendigo minhas raízes
sagrados ensinamentos
aprendidos nas leituras
no convívio de exemplo
nas brincadeiras descontraídas
amplo entendimento
desde tempos perdidos no tempo...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

isso é um pé de paraíso

                                                                                        photo by maude     

                                                                           
respiro ao vento
da primavera finda
lembrança vinda no ar
dança no cinamomo
galhos balançam
trazem da memória
tardes de verão...

leitura companheira
revista sesinho
vida de rua
anel de vidro
vicente guimarães
escritor
o vovô felício
autor da magia
mesclava alegria
aventura
pura imaginação...

à sombra do cinamomo
leitura
café
cuidado
pão...

gostosa saudade hoje traz
o balanço do cinamomo
isso é um pé de paraíso
na fala de outro vovô
esse não era fantasia
quando causos contava
sempre principiava
com a expressão
certa ocasião...

narrativa de respeito
voz impostada
linguagem rebuscada
trazia encantamento
ao ouvinte sempre atento...

cinamomo de ampla sombra
seus galhos foram suporte
pra balançar concretos sonhos...


                                               photo by maude

domingo, 1 de janeiro de 2012

canta o joão-de-barro incansável... estranhamente...

                                                              João-de-barro (furnarius rufus) photo by wikiaves.com

sol não surge no início da primeira manhã
fina garoa enfeita o amanhecer
canta o joão-de-barro incansável...
estranhamente...
corpos de ruidosa manifesta alegria dormem
felizmente...

silente despertar contraria
estrepolia barulhenta da anterior noite
açoite feito contentamento amedronta
fere animais
perturba seres em pretendido sono...

fez-se comum invadir
atropelar
agora nada mais faz recuar
repensar ações...

talvez em vão
continuarei humildemente a protestar
não é justo atormentar inocentes criaturas
em nome da propagada comemoração...

segue sereno o coração no entanto
atento ao tempo
feliz
infeliz em algum momento...

insiste na alegria
acredita na esperança
canta com disposição à vida
ao início da primeira manhã...