quarta-feira, 30 de novembro de 2011

autopsicografoterapia (sábado, março 20, 2004; 9:50pm)

                                                   (retrato de FPessoa feito por Almada Negreiros em 1964; ciencias .com.br)


Fernando Pessoa sempre atual
em sua autopsicografia
de maneira genial
recria fingimento
do poeta em suas dores
expressa não saber
certeza não ter
Ao seus desamores recriar
confunde
Completamente insano há de ficar
quem tentar saber
do poeta a verdade ao escrever
buscando sua alma desvendar
desbravar
pelos seus dementes
inconsequentes
desabafos
Por suas leituras
pinturas
caricaturas
Por suas negações
afirmações
conclusões
Por seu caminho torto
seu desconforto
Por sua autopsicografoterapia
com licença de Pessoa
com alguma ousadia
reinventa o poeta a vida
e voa
e recria
refaz-se ao infinito
grita seu grito
cospe o amargo da boca
e se insurge
contra o viver insosso
apenas arremedo
um esboço
sem cor
sem corpo
sem gosto
do viver desejado
buscado
Este viver tem começo e recomeço
com cheiro e gosto de esperança
e alma de criança
ornado de fantasia
pleno de alegria
da vida a terapia

(Em outra intertextualidade, desta vez com poema de Fernando Pessoa, versos que falam das angústias e esperanças de um ido tempo...)

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