domingo, 30 de outubro de 2011

gênese do poema

meu poema causa estranheza
meu poema não põe a mesa
pra matar a carnívora fome
o gás carbônico do ar não consome...

meu poema não resolve engarrafamento
não  diminui a violência
não cessa da ignorância a demência
nem retira do coração o sofrimento...

meu poema não desfaz a hipocrisia
habitual no mundo da política
não cala a crítica maledicente
não destrói ação inconsequente...

meu poema nasce de interna necessidade
gerado na insatisfação
gestado no sonho
na esperança
meu poema tem alma criança...

meu poema ri
também chora
decora da música o refrão
cantarola na cozinha
aninha a cabeça no peito da determinação...

meu poema anda ao lado
ouve a queixa
conforta
prego da dificuldade desentorta
abre o coração em ampla porta...

meu poema tem do universo a linguagem
desconhece fronteiras geográficas
também as gramaticais
não é matemática de literária academia
imposição de regras desconhece
cresce em expressão de simplicidade
desobedece em consciente liberdade...

meu poema voa desde a aurora
até o próximo amanhecer
anda em passos apressados
ou ao ritmo de suave dança
energiza-se do mantra na vocalização
busca crescimento e compreensão...

2 comentários:

Ziza disse...

Lindo, é a realidade em forma de poesia. Parabéns miguxa! Bjusss...

maude disse...

Obrigada, amiga! Tuas palavras são um incentivo na trajetória da expressão. Volta sempre! Maude