domingo, 30 de outubro de 2011

gênese do poema

meu poema causa estranheza
meu poema não põe a mesa
pra matar a carnívora fome
o gás carbônico do ar não consome...

meu poema não resolve engarrafamento
não  diminui a violência
não cessa da ignorância a demência
nem retira do coração o sofrimento...

meu poema não desfaz a hipocrisia
habitual no mundo da política
não cala a crítica maledicente
não destrói ação inconsequente...

meu poema nasce de interna necessidade
gerado na insatisfação
gestado no sonho
na esperança
meu poema tem alma criança...

meu poema ri
também chora
decora da música o refrão
cantarola na cozinha
aninha a cabeça no peito da determinação...

meu poema anda ao lado
ouve a queixa
conforta
prego da dificuldade desentorta
abre o coração em ampla porta...

meu poema tem do universo a linguagem
desconhece fronteiras geográficas
também as gramaticais
não é matemática de literária academia
imposição de regras desconhece
cresce em expressão de simplicidade
desobedece em consciente liberdade...

meu poema voa desde a aurora
até o próximo amanhecer
anda em passos apressados
ou ao ritmo de suave dança
energiza-se do mantra na vocalização
busca crescimento e compreensão...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

filosofia matinal

                                                                                                                     photo by maude  


conquisto meu espaço
diariamente
exigência do necessário
adapto-me às circunstâncias
sem lamentações...

observo
escuto
às vezes expresso sentimento
no incentivo da estação...

no momento certo pinto
um colorido novo
dependurada
não busco socorro
agarro-me
tenho raízes fortes
desde outras gerações...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

agradecimento sempre

preciso expressar
agradecimento
sempre
assim manda meu coração...

pelo dia
pela flor
pelo afeto recebido
pelo olhar comovido
diariamente...

pela emoção
pelo carinho
pelo orvalho
pelo ninho...

agradeço pela companhia
constante
pela proteção
pelo sopro de incentivo
pelo entendimento
da dificuldade posta
pelo desmascaramento
do véu
pelo verde da folhagem
que me ensinaste a olhar...

não te preciso nomear
és sabedoria pura
lês em minha intenção...

todo dia.. todo dia...

como geada que derrete
sob o sol da fria manhã
tal gesso que se parte
sob ação de afiada ponta
como ave que voa tonta
em desafio à gravidade
minha alma abraça o espaço
desprende-se das algemas
internas...
livre anda
prazerosamente...
saboreia a vida
escolhida com vontade
vivida com alegria
desde a escura noite tardia
varrida pela ventania
até a alvorada benfazeja
todo dia...
todo dia...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

abstratos substantivos... concreta ignorância...

tarde vai dormir agora
sem demora o sol vai embora
pássaros madrugadores
há muito estão acomodados
incomodados ficamos
com a barafunda que reina
no mundo dos humanos...

guerra para garantir a paz
hipocrisia maior não há
atrás de semântica elaborada 
escondem os estadistas
belicosas intenções...

incompreensões disseminadas
articuladas oposições de ideias
justificam intermináveis
espertas discussões...

intransigência
manipulação
ganância
abstratos substantivos...
concreta ignorância...

sábado, 22 de outubro de 2011

sabedoria da rosa

                                                           photo by maude


sorriso triste ao perceber
ideia está concebida
juventude na flor
exigência assumida...

ah... se fora apenas na flor...

passa a flor desse estado
a energia pura
absoluta
no ciclo do universo
entende significado
segue trajetória...

pétalas cumprem etapa
perfume marca presença
depois ausente fica
dizem
a flor não mais é bonita...

ao passar do tempo
humano no peculiar engano
cala a vida
na juventude perdida...

na transitória passagem
esquece
julga
escolhe o belo aparente
superficialmente...

posto à mesa da beleza
sem exceção
o julgamento
volta-se em sua direção...

no entendimento da vida
respostas se revelam
na flexibilidade
na simplicidade
na lição de todo dia
no exercício de aceitação...

a rosa chegou à compreensão
desde semente sabia
por qual motivo viveria...








                                                                                             

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

verdade da rosa

                                                    photo by maude


encaro a cara à frente
desconheço fisionomia
olhos de fogo ardentes
dementes palavras
insana ousadia...

no passo de suave dança
insisto na acrobacia
como o artista na corda
traduzo expressão
componho alegria...

a dor as entranhas consome
a ausência de esperança
tem a inveja companheira
incentivo na maldade
na falsidade perversa
apedreja
esbraveja
desespera
não pode ter...

no outro é natural
segue a dança da vida
traços de poesia da alma
buscam a suavidade
a serena felicidade...

rosa e céu fundem sentido 
coração livre
expressa verdade
na composição do dia
antecedem a suave noite de calma e de alegria...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

poesia livre

tentativa de expressão
da alma
da calma
da incerteza posta
sempre presente...

demente a inspiração
incompreensão
inconformidade
busca pela verdade...

no peito a chama
reclama
desanda o merengue
na batedeira
tem aspirador na sexta-feira
ou no sábado tem feira...

na mente se mente
semente da flor germina
termina a leitura do agora
em vão também passa a hora...

a poesia se espalha
empalham-se sonhos
desarruma-se a casa
mudam-se os móveis
imóveis ficam as lembranças...

trança o tempo o cabelo
nas dobras do vento desperto
poeira cerca o caminho
ardem os olhos na espera
quisera crer e sonhar...

lugar de louco sentido
de amorosidade
de afeto
poesia é incompleto
espaço
desalinho
grito de alma
voz da memória...

poesia teme opressão
deixêmo-la livre... então...

sábado, 15 de outubro de 2011

ao mestre... com carinho...

arte com arte ensinada
com encantamento aprendida
arte de ser
arte da vida...

passos ritmados na sala
ao entrar
sorriso no rosto
devagar
elegância nos gestos
nas palavras
ensinavam...

mestre... qual a sua idade...
pergunta infantil
tinha curioso sorriso
resposta vinha cortês
vou fazer noventa e três...

animavam a classe histórias
com maestria narradas
ao toque de final de aula 
interrompidas...
até a aula seguinte
aguardadas...

tardes de verão no parque
ensinava a sintaxe
o respeito
a amizade...

entendo hoje posturas
nas manhãs e tardes da vida
aprendi-as em outras tardes
no velho estadual
em aulas de gentil sabedoria
de verdade
de alegria...

ao mestre peri coronel
professor de português
mestre de vida
minha gratidão comovida...



pensamentos florescidos

      


flores...
admiro-as
cultivo-as
agradeço-lhes a presença
guardo-as na lembrança...

delicadas criaturas
demonstram força
na tempestade
renascem
na primavera
depois de invernal espera...

perfumadas
ou não
em variados tons resplandescem
revelam detalhes despercebidos
aos olhares distraídos...

no campo fazem rebuliço
de cores
de formas
de viço...

a natureza as faz
põe-nas em nossas vidas
ao alcance de nossos sentidos...

pra não dizer que não falei das flores
ah... que bom seria
vê-las e primavera
em todos os corações...

palavras de simples sentido
pensamentos florescidos
num mundo compartilhado
muito... muito perfumado...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

a lição de um bravo cãozinho




necessária viagem interna
acordes de despedaçada sinfonia
vazia intenção de entendimento
espaço social de covardia...

lamento no meio da tarde
arde em dor o coração
ferido corpo de afetuosa figura
revela no mundo a morte da ternura...

vítimas embora não aceitemos
na prisão da liberdade suprimida
antigos tempos de caminhos orvalhados
na memória soluçam encurralados...

respeito acovardou-se em fuga
na busca de domínio inconsequente
fere-se gente
amola-se cão...

no quadro desesperançado em susto
cresce na alma um sentimento renovado
brotam das entranhas despedaçadas
forças de luta diante do exemplo vivenciado...

agredido pela insana criatura
dá o cãozinho testemunho e luta
disputa a cada hora seu direito à vida
em contrapartida ao afeto que lhe é dedicado...

mostra que teme mas não se acovarda
embora toda sua criaturinha arda
treme... não geme... segue... acredita...
amanhã estará de novo na frente do portão...

(Acima algumas reflexões sobre um cãozinho que, agredido por um cão pitbull - solto na rua pela irresponsabilidade de seu dono - demonstra bravura na luta pela vida, após ter seu minúsculo corpo quase devorado, seu maxilar duplamente fraturado pelo inimigo repentinamente surgido.
Bravamente ficou à frente, não permitindo que este chegasse até sua dona!
Com a ajuda de alguns passantes, a fera pôde ser contida por alguns instantes, permitindo que o animalzinho pudesse ser retirado de sua tirania.
 Fica-se entristecido pela covardia, irresponsabilidade e prepotência humanas, quando alguém decide  criar um animal nessas condições. Ainda nos perguntamos se tal animal não terá sido deixado na rua de propósito para aprender a brigar e dar prazer ao seu dono de ter um animal tão feroz!!!
A que ponto lamentável chegamos!!!)