sexta-feira, 30 de setembro de 2011

da quietude

da quietude da sala
melhor se vê o mundo
interno...

da quietude do pensamento
abraça-se gostosamente
a vida...

da quietude do vento
observa-se a mudança
do tempo...

da quietude da ausência
sente-se profundamente
a presença...

da quietude do gato
deduz-se o sonho
com um passarinho...

da quietude da mansa chuva
vem a gostosa vontade
de bocejar...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

poesia plastificada

palavras ao vento
primaveril
pensamentos descabelados
desalinhados sentimentos
deslimites na neologia
desmoronamento de aterros
sem erros
desesperança da compostura hipócrita
desconexão do nexo esperado
descompassado passo
abraço depois da hora...

senhora da história
da estória inventada
mais nada cala ou fala
posição inconformada
rima destroçada...

alheios lugar e tempo
desconhece endereço
sangrada desde o começo
desfaleceu agora
antes ou depois da hora...

homens de terno e gravata
mulheres plastificadas
na bravata da ideologia
inconsequente
querem a ideia da gente
pra encher sua guaiaca
a nossa está furada...

não perece ao inimigo
bandido de cara lavada
apenas desacredita
é seu direito
mais nada...

poesia plastificada
na intenção
na coleira como um pobre cão
desvencilha-se ao vento desvairado
voa ao céu desatinada
empertiga-se
revolta-se
cresce ao nascer da aurora...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

mimetismo

                                                            photo by marília



sou a folhagem
a flor
a iluminada
a escura tarde...

estou na minúscula expressão da pétala
na colorida festa da ramagem
na mínima ondulação
na ventania
no tempo a consumir-se em ousadia...

mimetizo a vida na paisagem
na mistura de formas e de sentido
no vivido
no esquecido
no sonhado
ao mimetismo do meio do dia...





segunda-feira, 26 de setembro de 2011

so amusing...

"...I've loved
I've laughed and cried
I've had my fill
my share of losing
and now as tears subside
I find it all so amusing..."

com licença dos autores
a expressão além da magia desses versos...

amar
rir
chorar
errar
perder
ainda assim sobreviver...

aprender na adversidade
na saudade
na inverdade...

sofrer
ainda crer
enxugar as lágrimas
não reclamar...

try to survive
and... most of all
find it
so amusing...

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ensina-me a viver...

                 
                                                                                                                        photo by marília

singela na estrutura
na folhagem
insignificante presença...

do tempo
sobrevivente
da perfeição
desafio...

com o espaço
não exigente
doa-se em plenitude
esbanja crença
promete sabor oferecer

ensina-me a viver...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

madrugada da esperança

                                                                                                  photo by marília


corpo marcado
pela tirania
vadia

alma lavrada
incompreensão
covardia

firmo espaço
doído peito
arregaço

inverno de solidão composto
primavera de esperança escancarada
habita minha calçada

amedrontam-me desvarios
arrepiam-me leviandades
envenenam as falsidades

ardo
calo
espero
broto na madrugada
da esperança
mais nada...

sábado, 17 de setembro de 2011

semântica deserta

real
imaginário sentido

interno
externo espaço

soluço
sorriso largo

visão
cegueira coletiva

ação
inanição completa

palavras
semântica deserta

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

em oração

céu outonalmente azul
como se a estação reinasse...

passarinhos em gostosa alvorada
como em encantada primavera...

friozinho no amanhecer
quase se vê geada...

cheiro
paisagem
ar fresco dança na folhagem...

não me pergunto
junto intenção
prece se faz presente
agradeço em oração...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

aos sete dias de setembro

da memória chegam imagens vivas
cheiro e perfume se confundem
e se fundem...

sol  no mundo matinal
saudade invade
sabor salgado...

presente em embrulho de expectativa
sem pressa de revelação...

aos sete dias de setembro
sempre havia comemoração...

domingo, 4 de setembro de 2011

por que...

por que essa postura
pensamento assim revolto
cabelo ao vento solto
ideias escancaradas...

por que a cara amarrada
quando a alma está lavada
perfeita na noite de lua
feliz ao andar na rua...

por que o encanto de inverno
agrado de sopa quente
chimarrão no amanhecer
jeito de ser e de crer...

por que a doce magia
alegria no meio do dia
do tempo que vai apressado
fugindo em cavalo alado...

por que o afago no gato
contato macio e sereno
sabor de antiga amizade
deleite de eternidade...

por que as coisas tão simples
agradam tanto ao sentido
gosto de eterna verdade
contraponto à adversidade...

por que saber por que
há caminho a percorrer...

sábado, 3 de setembro de 2011

arte da arte

arte da vida
difícil
entender
aceitar adverso

viver o dia
encarar a hora
agora querer
saber da alegria
aprender nostalgia
mandar embora

arte da vida
lida querida
amparo
aconchego
embora medo enfim
embora medo de mim

arte da arte
arte em parte
arte de todo lugar
desassossego
desapego
de sentido
turbilhão
expressão

arte da arte assim
arte da arte em mim...