sábado, 30 de abril de 2011

orquídea amarela

orquídea amarela em frente à janela
no sacudir a cabeça voa e vê
significado atordoado
em frente ao mundo
meu mundo de sentidos
expressos e escondidos...

orquídea amarela da janela antevê
um jardim interno
um inferno
em chamas reclamas
qual o que não lê
qual o não sei quê...

orquídeas amarelecidas de mim...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

do amargo

do amargo faz-se a consciência
vivência não faz sentido
sem dor
sem mágoa
sem marcas...

inútil
ilusão tola
andar de cândido passo
repassa desconforme ação...

canta
mas canta de pé...

dança
mas não descuida do passo...

abraço é bom até
mas tem preço
fere
mata...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

calada

calada a noite se propaga
calada a rua empalidece
cresce o sentido

calada a serenidade se expande
abrange todos os cômodos
incômodos lugares se insurgem
surgem nuvens
murcham plantas
abranda
abranda

calada na lida
fingida sensatez
acomodação impertence

calada desde ontem
no grito de ensurdecer
crer é difícil
impossível é saber

na calada chega a madrugada
da noite
do dia
da consciência enluarada
na calada
calada...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

maude ainda não nasceu

encargos
tarefas
às pressas

deveres
fazeres
lazeres insanos

contentamento vago
escasso entendimento
em redemoinho o pensamento

quereres
saberes
insatisfeita expressão

maude se escondeu
maude ainda não nasceu...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

no lago

no lago barco
sereno a deslizar
reflete no rosto
um descomposto olhar
na outra margem
tempo a esperar...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

do ar

do ar de chuva
ao chão molhado
tempo
à seca terra

do árido espaço
ao abraço orvalhado
em meio à estação

cantigas doídas
ou meras valsinhas
no fim do verão

sexta-feira, 8 de abril de 2011

em oração

renasço ao passo da noite
próxima
defino a hora
deserdo a mentira
em tira de papel
escrevo
enredo de peça antiga

encaro o ocaso
a aurora insiste
assiste ao parto
ardo fardo da compreensão...

tempo de colheita vem
com dor e canto
encanto e pranto revezam-se
impunemente
ao fim da tarde em oração...