sábado, 31 de dezembro de 2011

novo tempo... sempre presente...

o tempo é sempre novo
nunca antes existiu este dia
este momento
este ano...

se queremos mudar
mudemos
se queremos reafirmar nossa postura
é nossa decisão...

novo tempo
sempre presente...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

basta apenas diagnosticar...

abundam estereótipos
nestes tempos tristes
nada faz refletir
ação virou ativismo
tudo é desvairado modismo...

chega a nova estação
ah... novo guarda-roupa
novos looks
mesmo que novas
estejam todas as outras
do ano passado
ah...mas passado não está na moda...


impessoais posturas
sem originalidade
essas... sim... desbotadas...
plenas de ostentada vaidade
de valores apregoados
sem reflexão aceitos
eleitos sem consideração
adotados pela discutível aparência
disfarçados em enganosa eloquência...

sentido pra que será...
perguntam-se certamente
os alegres bobos da corte
andam em passo tangido
o riso é como um gemido
mas é alegria geral...
um imenso carnaval...

tudo parece permitido
parece ter lugar
máscara de conteúdo vago
esconde ausente sentido...

enganoso parecer
modismo grilhão
faz prisioneiro o ser
escravizado pela vaidade
pelo orgulho de fazer
o que é anunciado
dentro do que dita a moda
acorrentado ao ardil do padrão...

pensam ganhar os incautos
espertos marqueteiros
sua lei é o ganho em dinheiro
para tanto fundamentam
no engano seu argumento...

aos bobos
aos ignorantes
prendem-nos facilmente
com falácias
com trivialidade
vendendo sonhos inventados
a pobres loucos coitados...

desrespeitosas inverdades
inventadas necessidades
de lastimáveis bases
pululam pelas mentes tortas
arregimentam tropas
de insensatos
levianamente chamados
consumidores...

consomem gestos
jeitos
artigos
alimentos
consomem até o vento
se estiver bem embalado...

viajam sem decidir
se querem mesmo ir
ou para onde
voos superlotados
ônibus abarrotados
de gente
feito gado
do tipo maltratado
gado tem tratamento mais respeitoso
não pode perder peso
este é valioso...

o bom está anunciado
o que se quer foi decidido
pela mente de outro qualquer
que nos quer ver sobreviventes
enganados em nosso querer...

chegam as festas de final de ano
falácias redobram
cobram consumismo
ativismo de procura
incentivo...
propaganda alucinada...
consuma...
consuma...
ou suma desse moderno inferno...

coma isto
beba aquilo
mas coma muito...
beba mais ainda...
solte rojões mil...
(pois não disse na tv que será feito de modo ecológico...)
então... coma hipocrisia...
fira
destrate gente
maltrate bicho
faça muito... muito barulho...
o silêncio lhe diria
o quanto está logrado
com o que lhe foi anunciado
com a mentira em que se meteu...

ao final
nada sobrará de sua parte humana
ou será que foi essa parte
que o fez agir assim...

ah... mas aí... então...
vem outra enganosa constatação...

está infeliz
tome x
e se sinta bem...

está infeliz
vá a médico x
faça o exame y
tenha o plano de saúde z
o melhor
para garantir
que você continuará infeliz...

mas é final de ano
você está muito feliz...
fará muito barulho
gritará
xingará
esbravejará
empanturrar-se-á
embebedar-se-á
quem sabe até atropele
ou mate alguém
porque você morto já está
basta apenas diagnosticar...

domingo, 25 de dezembro de 2011

envergonho-me de humana ser...

quisera não precisar dizer
envergonho-me de humana ser...

desrespeitosa e ruidosa alegria
invade inocentes vidas
amedronta a quem não entende
simplesmente tem medo
do infernal barulho...

trovejam foguetes
estouram rojões
nas invasoras comemorações...

aves enlouquecidas alçam mortal voo
atiram-se contra vidraças
contra telhados
contra muros
morrem despedaçadas
sangrando no chão arrebentadas...

cães se assustam ferozmente
não compreendem
sensibilidade auditiva
aumenta sua vitimização...

não quero entender
não tem explicação
esse humano proceder...

rei da criação...
hipocrisia...
além de sacrificar inocentes vidas
para saciar sua voraz carnívora fome
o homem vai mais adiante
perde a sensibilidade por completo...

os animais caçam
para alimentar as crias
para o próprio alimento
não têm outra alternativa...

o dito humano mata
sem contemplação
mata até por diversão
fere sem consciência
para regalo e comemoração
de sua infeliz condição...

não quero humana mais ser
quero ser um animal
que dá exemplo de honra
de respeito
de sincera dedicação
a humanos que ferem
maltratam
envergonham
nossa humana condição...

hoje choro
grito a desesperança
a inconformidade
a invasão
a estupidez
a infeliz ignorância
em oposição à esperança
que ontem cantei...

esta ferida
eu sei
não irá cicatrizar
não vislumbro entendimento
vejo... sim... desdenhamento...

fracos todos que assim agem
estão a construir suas ruínas
interna
externamente
seguem em sua sina
irão comemorar a chegada do novo ano
com mais um ruidoso engano...

triste pensar que hoje se comemora
o dia do nascimento
de alguém que se doou em vida
sofreu
deu-se em compreensão...

irresponsavelmente os ditos humanos
comem até quase morrer
embebedam-se e matam
inocentes nas rodovias
em nome da alegria
da comemoração...

engana-se quem espera
outra atitude
ação de virtude
de quem nem a si mesmo respeita
respeitará mais a quem... então...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

arvorezinha de natal em rosa - minha mensagem de natal

amor
sonho e poesia
alegria e amizade
leveza e suavidade
sinceridade e flexibilidade
saúde
harmonia

Poetas vivem de expressar sentimentos em versos, em palavras, em rimas...
Um mundo interior teima em se fazer presente...
Desde a mais profunda imensidão do pensar... do sentir... do perceber... do ler...até a forma poética exterior...
O eu poético tenta se manifestar...
Os fundamentos do eu pessoa interferem e se mesclam...
Somos um...somos mais de um... somos a alma do mundo...
Sincera e humildemente nos fazemos em versos...
Reversos de nós tantas vezes...
No entanto, seguimos...
Por isso, poetamos...
Até onde chegamos, não sei...
Cada leitor saberá aonde foi...
Meu papel é expressar...
E hoje quero expressar meu sincero agradecimento por todos que me lêemm, me entendem, comigo concordam, de mim discordam, também sinceramente...
A cada um agradeço...
Ainda não inventei outras palavras, qualquer dia faço isso, para desejar a todos Feliz Natal e um 2012 repleto dos mais ardentes versos de felicidade!!!
Com alegria lhes deixo em companhia de uma "arvorezinha de natal em rosa"
Grande abraço!
maude - minha face poesia - (vera luiza vaz)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

canción de las simples cosas (intertextualidade)



Canción De Las Simples Cosas
Mercedes Sosa
Composição: Letra de César Isella; Musica de Tejada Gómez

Uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
Lo mismo que un árbol que en tiempos de otoño se queda sin  hojas.
Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

Uno vuelve siempre a los viejos sitios en que amó la vida,
Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

Demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
Donde encontrarás con el pan al sol la mesa tendida.

Por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
Que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.


                         -----------------------------------------------------
pequenos gestos
grandes sentimentos
mil discursos desnecessários...


breves manifestações
enormes significados
propaganda dispensada...


quietas atitudes
pura simplicidade
reconhecida verdade...


descomplicadas palavras
gestos amáveis
diretos olhares...


ações que se vão
com o tempo
todas vão
não todas vãs
se houve amor
como intenção...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

abençoadas ações infinitivas



                                                                OM - símbolo universal do Yôga 


afagar o jardim
retirar folhas secas
dos ramos
dos pequenos galhos
regar as plantinhas
alimentar as gatinhas
brincar com as cachorrinhas
preparar com alegria o alimento
observar no balançar dos galhos o vento
dançar no ar com a pirueta
da borboleta
do rápido beija-flor sentir
apenas o zunir ao passar
praticar yôga
vocalizar um mantra
nem bem o sol levanta
ensolarar a casa
observar a nuvem escurecer
o dia
trazer a noite anunciada
de tempestade feita
a espreitar a lua
que não vai aparecer
ler um poema de cora coralina
entender na rima o exemplo
da mulher e poeta em simples expressão
ouvir chico
billie
ramil
agradecer em prece
pelas abençoadas ações infinitivas
a segredar sonhos
a compor em versos
o contentamento de uma ativa e agradecida vida...

domingo, 18 de dezembro de 2011

estranhamento e canto

                                                               chuva que chega em Rio Grande - RS
                                                                                               photo by Jesus Carrasco via Karen Botelho 
                                                    
                                                                         
canto um canto de manhã engaroada
quieta... desperta...
sem o canto da passarada
dormem por certo
sentindo perto a chuva anunciada...

canto um canto de contentamento
levado ao vento
de raízes abençoadas
no entanto espanto espanta
sentimento ensimesmado
estranhamento de estranho que passa ao lado...

estranho vozes de preconceito
preceitos falsos
sem fundamento
a ferir sonhos
a encobrir buscas
a impedir voos
a qualquer custo...

estranho comportamento
tido atual
normal
de elegante sentido
a ferir ouvido
a machucar consciência
cheiro a demência...


estranho alegria
com mascarada verdade
ferir com arte...

no entanto canto
hei de cantar a vida
o descortinamento de mentes
de corações contentes
num despertar de dia sem garoa
num cantar que voa
além... muito além do tido entendido...

sábado, 17 de dezembro de 2011

shakespeare me empresta romeu

                                            
                                                                  romeo and juliet - wikipedia.org


perguntas dançam no ar
questionam do fundo
algumas vezes
ensinam
se aprendo
talvez...

engano
primeiro ilusão
se existe
desilusão aparece...

personagens do teatro
no cotidiano caminho
shakespeare me empresta romeu
ah... julieta não veio...
hamlet apareceu...
abrem-se cortinas
diariamente
fecham-se corações
simplesmente...

decisão tomada de véspera
áspera a subida ao topo
do mundo
não...
apenas da vida o caminho...

das utopias (intertextualidade)

                                                             photo by melhoresfotosdouniverso.blogspot.com

se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las
que tristes os caminhos se não fora
a presença distante das estrelas... (mário quintana)


inatingível a outra margem
se não se sabe nadar
se remo não tem a canoa
se sobrou mês no salário
se esqueceste o aniversário...

inatingível o coração
se no caminho anoitece
preferir o inverno da alma
ao verão de estio do querer
muito melhor há de ser...

estrelas de brilho vago
falsos astros a brilhar
querê-los não convém
desejá-los não é bem...

ora... dirá o poeta...
amor verdadeiro
sincera amizade
bom aumento no salário
desejo atingi-los
mas... ai...essas brilhantes estrelas
juro... não consigo vê-las...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

dois iluminados sóis

                                                                                               photo by maude

céu de escuro se pinta
tarde se transmuta em noite
nuvens se enrolam
apressadas avançam
sol prefere se esconder...

em sopro assombrado
vento traz chuvarada
agita folhas
dobra galhos
troveja em meio à escuridão...

descem torrentes pelas calçadas
emudecem aves
adormecem cães
raios rabiscam o céu cinzento
açoita o telhado o vento...

pára a tempestade de repente
pela vidraça brevemente espia o sol
na claridade as figuras do retrato
iluminadas faces
de dois iluminados sóis...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

outro plano deve existir...

                                                                                  photo by linking2008.blogspot.com

cedo ou tarde iniciamos
com outro mundo a conexão...
crença
esperança
não sei a nomenclatura
talvez pura ilusão...

relatos literários
fundamentos de várias culturas
apontam nessa direção...

vivo e observo
leio e comparo
reflito e concluo
porque também creio...
me pergunto...

quero compreender o mundo de agora
quero saber de quando for embora...

amarras em questionamento
por quê...
tão simples entender
como a existência do vento...

observo velha senhora a caminhar
passo sem pressa... devagar...
olhar desmerecido no tempo
observa atentamente a flor
cor e perfume em comentário
no quase infantil contentamento
a saborear a fruta
o pão
a agradecer sempre pelo alimento...

mais perto de outro mundo hoje estará
fico a pensar...

diante de falta de presença
diante de hipócrita preocupação
apenas sorri...

outro plano deve existir...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

manifesta simplicidade

                                                                                          photo by maude

natureza surpreende sempre
brotações
flores
cores
tanto oferecem
quase nada pedem...

manifesta simplicidade
põe-nos a pensar
emoção...
por que negar...

na redondeza do mundo
testemunho
compromisso de presença
de herança
generosidade em exposição
vida em expressão...

arrepio ao constatar
novo botão
crescerá para perfumar
para alegrar
neste tempo de reflexão...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

não me leias

                                                                                    photo by Cícero Faria

não me leias
acaso não queiras
se leres
poderás gostar
da alegria que aqui se encontra
da simples verdade do meu poetar...

não me leias
não sou literária
também não sou mercenária
das letras
ou de qualquer natureza
não estou presa
faço como quero o meu lugar...

não me leias
deixa-me assim
crê
não estarei só...

não me leias
se queres igual
a outros que dizes ler
não crês
mas tenho orgulho
de igual a tantos não ser...

mas lê
se acaso não crês
em olhares enviesados
em suspiros amoados
em gestos desencontrados
em pescoço amarrado em nó
há por aqui um canto
onde o canto é permitido
também tem outro sentido
há compromisso com o belo
que é belo por si só
sem rebusques
sem truques
sem modismos
com defeito
segundo o midiático padrão fanático
mas de ser com amplo direito...

como bem o disse quintana
meu amado poetinha
essa gente embolorada
que anda de nariz empinado
de olhar torto
deixemos que passem ao lado
se pensam intelectuais
só têm pensamentos banais
copiados e decorados
de outros seus iguais
se pudessem escreveriam versos
tais como os que por aqui lêem
creiam
esses pobres coitados
não se sabem ler primeiro
por que saberiam nos ler...


em seu poeminha do contra
quintana faz graça
esses que aí estão
atravancando o meu caminho
eles passarão
eu passarinho...

não me leias então
se teus pés
grudados no chão
não te permitem voar...

domingo, 11 de dezembro de 2011

the four gates

                                                                      ponte de giverny de Claude Monet


An ancient tradition advises us to speak only after our words have managed to pass through four gates.
At the first gate, we ask ourselves if our words are true.
If so, we let them pass on...
If not, back they go...
At the second, we ask ourselves if our words are necessary.
At the third, we ask if they are beneficial.
At the fourth, we ask if they are kind.
If the answer to any of these is no, then what we are about to say should be left unsaid...

may our words pass on these four gates...
not judging
not segregating
not hurting...

may them always be words of friendship
words of truth
of happiness
of hope
of peace...

may also our hearts be home
for compassion
for affection
for goodness
for love...

sábado, 10 de dezembro de 2011

Gayatri Mantra - Deva Premal & Miten with Manose - Live in Hannover, May 2011

                                                                                  vídeo by youtube.com
Os Mantras são como orações de grande poder, vocalizados no caminho do Bem e da Paz.
Ideais para serem vocalizados tanto no cotidiano como em datas e situações especiais.
O Gayatri Mantra é a oração universal contida nos Vedas, as escrituras mais antigas da humanidade.
Contém em si toda a essência dos ensinamentos dos Vedas.
É dirigido à divindade imanente - inseparável - e transcendente denominada Savita, que significa "Aquele do qual tudo nasce" e que tem seu correspondente físico no Sol.
Quais são os efeitos físicos esperados da vocalização do Gayatri?
- Desenvolvimento da inteligência;
- Paz Mental;
- Ajuda a alcançar nossos propósitos;
-Condução do Ser no caminho da autorealização.

O Gayatri é um dos Mantras mais sagrados e mais poderosos.
É um canto que concede a Libertação.
A interpretação, neste caso, é linda... inclusive o silêncio final...
Compartilho com todos!
Vocalizemos o Gayatri Mantra. Sentir-nos-emos mais leves...

OM
Bhur Bhuvah Swaha
Tat Savitur Varenyam  (Louvor à Divindade)Bhargo Devasya Dhimahi   (A Meditação em Reverência a Seu Esplendor)
Dhiyo yo Nah Prachodayat  
( A Prece pela Iluminação do Intelecto)

magia das alturas


                                                                    óleo sobre tela de Cícero Faria - 2011

no sobrevoo o desejo
quisera mais alto voar
acima
além das nuvens
distante da verde onda
longe do fundo do mar...

alerta
ouvidos ao vento
atiçam os sentidos
momento de ter destreza
exigência pra sonhar...

lançar-se em piruetas
exercitar-se em rapidez
solidão na altitude
decisão na atitude...

altura em desafio
feito para apenas voar
energia e leveza
levam mais alto no ar...

preciso manter-se firme
no foco do rumo definido
flexibilidade e ousadia
sabor de conquista
magia...

malabarista de asas
acrobata das alturas
do crescimento em saber
da certeza em querer...

ao convívio do bando retorna
contorna a embarcação
em sobrevoo constata
aprendeu outra lição...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

2011 conclui seu tempo...

                                                            photo by marília
                                                                                             

2011 conclui seu tempo
o nosso continua
no entardecer quase noite
na saudade
ela sempre aparece
na lembrança
que fica
alegra
também entristece
cresce no tempo que esvai...

cai o ano agora devagar
sem pressa a derradeira noite
ouve-se açoite de vento inconformado
primavera também se vai...

2011 já quase passado
pensamentos no ar
desperto olhar
versos não desejam rima
transitam
espalham-se
dançam com a música da alma
falam de companhia...

distantes leitores na geografia
próximos no mistério da poesia
chegam...

da Alemanha
do Brasil
dos Estados Unidos
da Itália
da Letônia
de Portugal
da Rússia
de tantos lugares
e voltam
para nossa alegria...

gostosamente comprometem
a poeta com a continuidade...

agradeço pela gentileza de seus acessos
fizeram
fazem hoje
meu poetar menos solitário...
obrigada!
Um Natal com Harmonia!
Um Ano Novo Pleno de Paz!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

teimoso canto do sabiá

                                                              sabiá laranjeira; photo by wikipedia.org


anda no ar aquele jeito
de final de ano
perdem os sentidos a capacidade
de ação pessoal isenta de propaganda
de oferta de última hora
pedem as entranhas pela reflexão
não quero adiante ir
quero sorrir devagar
quero ficar no meu canto
com o canto do sabiá
não quero abraço qualquer
não quero quem primeiro vier...


quero no ar aroma
de ação com consciência
de agradecimento sincero
de jeito do jeito que eu quero
o dia tranquilo e doce
amanhecer devagarinho
ouvindo o sabiá
teimoso em seu cantar
à mesa a salada e o pão
o direito de dizer não
com a cara cheia de graça
não quero vinho na taça
água pura a sede mata
respeito sem preconceito
pra receber contrapartida
de amistoso convívio...

desejo um desejo simples
sofisticada a atitude
não se ilude
por modismo alienante
tenho cabeça pensante
ah...mas isso distancia
da maioria febril
a colher desilusão
depois da ilusão ter
a preço alto esse querer...

prefiro poucos
de valor
amigos são como flor
chegam com muito perfume
mas sem cuidado
murcham sem dar semente
embora vão e nem se sente...

quero aquietar-me por completo
quero postura de prece
agradecimento
pela conquista de cada dia
pelo entendimento da hora
da luta que revigora
pela flexibilização do corpo
da vontade
pelo fortalecimento da fé
pela esperança
pela continuidade da jornada...

se demais não for querer
desejo um mundo tranquilo
lindos amanheceres
com canto de sabiá
entardeceres de lua cheia
no espelho da lagoa
justiça em todo o caminho
sonhos de leveza e de carinho
mas para isso acontecer
precisa o teu querer
juntar-se ao meu... e crer...

sábado, 3 de dezembro de 2011

minha poesia acredita

                                                                 photo by maude


minha poesia anda no passo
que muda
altera ritmo na caminhada
reflete
grita
não se conforma
retorna
abraça a verdade
que está sempre a buscar...


minha poesia decide não ser massificada
pela onda que a tudo cobre
encobre o sentido
revela a futilidade
presente em todo o lugar...


minha poesia opta pela luta cotidiana
sem descanso
pra assegurar espaço de ser
de ter o justo
o respeito
pelo jeito
pela escolha
feita a cada novo passo...

minha poesia sabe a jornada injusta
tantas vezes se mostra
todavia não esgota
a força de continuar
medo
insegurança
entram na dança
mas... não calam a voz...
não emudecem a expressão
fundamentada ao vento minuano
na geada das manhãs de inverno
nos exemplos paternos de luta
inundando a memória da infância...

minha poesia faz a caminhada necessária
perde o equilíbrio ao passo novo
para avançar adiante
com firmeza e postura adequada
como requer a jornada...

minha poesia suspira
mais fácil seria deixar-se levar
pela onda
pelo mar da banalidade
da falsidade
mas... com isso...
não pode concordar...


minha poesia vê enganadas posturas
que a tantos agradam
a tantos consagram
a tantos também esmagam
mas... com isso...
não pode concordar...


minha poesia insurge-se
com consciência
tem fala de eloquência
contra o que oprime
insulta
abafa
impede de ser
obscurece o sentido
a razão
o entendimento...

minha poesia acredita
no poder da educação
que habilita o ser na escolha
no crescimento
com responsabilidade
com fundamento
do caminho que quiser fazer...

minha poesia acredita na flor
no grito do verso que não se cala
na fala de verdade fundamentada...

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

aprendo...

                                                                             photo by maude

na mínima pétala
detalhes imperceptíveis
incríveis expressões
delicada arquitetura
escultura de bordas
coloridos diversos
variadas formas
observação traz sorriso
à fisionomia
irradia paz ao coração
aprendo...


amizade irrestrita
nos caninos olhos exposta
alerta audição
disposta a qualquer jornada
nem precisa ser perguntada
ao açoite do frio vento
ao sol quente de verão
presente companhia
cedo ou tarde do dia
na casa
no jardim
intelectual atividade aprecia
afinal dá-lhe descanso
deita-se ao pé
suspira
longo cochilo
aprendo...


humanos outras lições
diversas posturas
diferentes crenças
ou descrenças
uns ao lado seguem
compartilham
outros chegam
logo partem
repartem pouca bagagem
nenhum vestígio ao seguir viagem
aprendo...


no yôga flexibilidade
autoconhecimento
superação
leveza ao corpo
à alma
aprendo...


no olhar de infantil figura
esperança tem sabor
concreto
arco íris completo
plenitude de sentido
felicidade pura
aprendo...

na dificuldade superada
na manhã ensolarada
na tarde nublada e fria
na esperança companheira
no cumprimento da jornada
na amizade
na solidão escolhida
na terapia da poesia
no ritmo da dança da vida

aprendo...


Valsa das Flores (segunda-feira, março 15, 2004; 10:55pm)

                                    Palacete dos Osórios, onde funcionou o Colégio Estadual de Bagé - RS                     
                                                                       photo by Ubirajara Buddin em www. panoramio.com


Ontem me vi na Avenida 7
no trajeto ao Estadual...
Entardecer nublado
de um junho sempre igual
Ao passar em frente à Praça de Esportes
pude ouvir com emoção
Era a Valsa das Flores
da Igreja Auxiliadora
direto ao coração
Revi tempos marcados
Tempos de juventude
Esquecê-los nunca pude
Forjaram com precisão
à garoa fria do inverno
de lado no caminho
o vento
o som
a esperança
em minha alma criança...
Tempos de mágicos sabores
Tempos de doces amores
saudosamente hoje compõem
a minha valsa das flores...

(Com a republicação deste poema, com amizade, homenageio o blog Velha Guarda do Estadual, pelo aniversário, bem como  todos os atuais e antigos alunos dessa amada Escola.)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

autopsicografoterapia (sábado, março 20, 2004; 9:50pm)

                                                   (retrato de FPessoa feito por Almada Negreiros em 1964; ciencias .com.br)


Fernando Pessoa sempre atual
em sua autopsicografia
de maneira genial
recria fingimento
do poeta em suas dores
expressa não saber
certeza não ter
Ao seus desamores recriar
confunde
Completamente insano há de ficar
quem tentar saber
do poeta a verdade ao escrever
buscando sua alma desvendar
desbravar
pelos seus dementes
inconsequentes
desabafos
Por suas leituras
pinturas
caricaturas
Por suas negações
afirmações
conclusões
Por seu caminho torto
seu desconforto
Por sua autopsicografoterapia
com licença de Pessoa
com alguma ousadia
reinventa o poeta a vida
e voa
e recria
refaz-se ao infinito
grita seu grito
cospe o amargo da boca
e se insurge
contra o viver insosso
apenas arremedo
um esboço
sem cor
sem corpo
sem gosto
do viver desejado
buscado
Este viver tem começo e recomeço
com cheiro e gosto de esperança
e alma de criança
ornado de fantasia
pleno de alegria
da vida a terapia

(Em outra intertextualidade, desta vez com poema de Fernando Pessoa, versos que falam das angústias e esperanças de um ido tempo...)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Are you Don Juan de Marco? (intertexto de sexta-feira, março 26, 2004; 09:15pm)



If you really love a woman
You have to try to understand her
You have to see her deep inside
And give her wings to fly
You have to listen to her heart

If you really love a woman
You follow her steps
To find your heart
You have to look for you
In the mirror of her eyes

If you really love a woman
You have to hold her tight
And tie her with your smile
You have to be sincere
And never lie to her
Not to make her cry

If you really love a woman
Just lie her down on a bed of roses
Like Bon Jove did
You have to whisper her a secret
Like did the Beatles

If you really love a woman
You can find yourself
Lying helpless in her arms
Longing for her soul
Just wishing to know
If you really live there forever

So... have you ever really loved a woman?
Are you Don Juan de Marco?

(Escrevi este texto em intertextualidade com o poema- canção, na lindíssima interpretação de Bryan Adams, tema do filme Don Juan de Marco, em 2004. Compartilho hoje este texto, juntamente com o vídeo. É assitir e curtir a universalidade e atualidade do amor. By the way, have you ever really loved anybody?)

domingo, 27 de novembro de 2011

desculpa... hoje também não vou chorar...

                                           photo by maude



brisa da lagoa
na tarde sol não arde
refrescam-se aves
balançantes galhos...

dobram-se verdes brotos
dançam pendentes ramos
sonoro farfalahar da hora...

manhãs de friozinho gostoso
artimanhas do sol ao nascer
teima brincar de esconder...

novas pétalas abertas
nas manhãs descobertas
testemunhas de vida a desabrochar...

desculpa... hoje também não vou chorar...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

solidão acompanhada

                                                                      Photo by maude        

desde o verso primeiro
elo se estabelece
cresce na companhia
alarga-se na opinião
no juizo de quem lê...

crê o poeta estar sozinho
qual solidão acompanhada
de jasmim
no jardim...

transpor o umbral das ideias
conectar-se ao mundo da palavra
pretensão de poesia
emprestada da inspiração
presente
ou apenas descontente...

magia da flor perfume ter
alquimia do poema ser
alguém compactua com a flor
sabe da solidão da poesia...

na chegada
ou na saída da leitura
há um poeta
à procura da expressão
adequada
na semântica perdida
na nebulosidade da palavra...

desde o âmago da semente
cresce a flor
alva em ternura
pura em intenção...

há de despetalar um dia
a dor será perfume
não pó
será
só...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

do alto desta pirâmide...

                                                                                                    photo by maude
olhos de infantil brilho
comovem
mobilidade nas curiosas ações
ensaio da corrente fala
os olhos arregala
gostosa é a risada... ops...

do alto desta pirâmide...
na brincadeira inventada
também a jornada é puro invento
inspeção dos lugares
identificação dos animais do livro
ampla interação com os animais ao vivo...

mamãe papai trabalhando...
anúncio de realidade entendida
dentro de seu pequenoamplo mundo...

no tempo que passa
há que se dar todas as graças
pela presença
que é luz
também noite de lua iluminada...

(a um anjo de luz em seu segundo aniversário)

   

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

por entre folhas a espiar

                                                                                                photo by maude
apressada não mais
passo me satisfaz
na bagagem o necessário
aberto o coração
desperto o instinto
na expressão de hoje o que sinto...

alguém dirá por certo
poema sem novidade
respondo entretanto
pleno de legitimidade...

meu simples versejar
verve camoniana não pretende
meu poema tem da vida
a pretensão
o compromisso
a expressão...

versejo em nome do sonho
da verdade
ampla porta à alegria
faz meu canto todo dia...

se o pranto chega
choro a pena da hora
em lágrimas não demoro
embora mando a tristeza
antes que ponha mesa
pra sempre queira ficar...

meu poema anda a buscar
um melhor mundo
tal como pequena branca nuvem
por entre folhas a espiar...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

ferramentas do agora

                                                                                                    photo by maude
                                                                                                
canto o agora
o presente
único
o ontem já foi
embora...

se hoje traz resquícios de ontem
há de ser
fraca pincelada
mais nada...

mas me compus no passado
ah... ficou o importante
mais nada...

mentiras
enganos
dissabores
antigos amores
ah... passaram
sepultos jazem agora
no fundo do mar...

vivo
estou
...eu sou o que me faço todo dia...

no erro
dou tempo à reflexão...

amanheço
a manga arregaço
ferramentas do agora
equaciono a luta da hora
ilumino o meu espaço
abraço o desafio
senhora do meu saber
dona do meu viver...

hoje te digo
amigo
vitimizar-se não é saída
ficar à beira da vida
lamentando
ah... de nada adianta...

levanta
realiza
embeleza tua morada
com flores do teu jardim
sentirás a nova brisa
do hoje
da hora
do agora...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

instante e lugar

                                                                                                   photo by maude

sentimento de completude
a tudo assiste
único instante
céu de amanhecer
pintado
calado...

quieta amplidão
sinfonia inaudível
felicidade não crível
adormecidos mansamente
domésticos animais
espia querubim
da antiga estatueta
sorridente
a perguntar
acaso não crês...

palavras perdem sentido
apenas a percepção
compreende
lugar
momento
impossível nomear...

inexplicável instante
e lugar
se é que há instante
e lugar...

sábado, 12 de novembro de 2011

na poesia a possibilidade

                                                                                                                           photo by maude


na poesia a possibilidade
da simplicidade...

na poesia a possibilidade
de ver o invisívil
de perceber o instante
de começar sempre
um novo verso
de ir além
muito além do universo...

na poesia a possibilidade
de estar além
fronteira
em imagem buscada
da memória
simplesmente
no inverno aconchegada
à frente da lareira...

na poesia a possibilidade
de perseguir
de despistar
a rima
de estar acima
abaixo
da mesma nuvem
de ver várias vezes
o mesmo pôr-do-sol
de acomodar-se sob o lençol
mansamente
sorrir
docemente
revelando o quanto é grato
contente
seu coração
abrir-se
em gostosa gargalhada
tendo a interna criança
despertada...

na poesia a possibilidade
de ir distante
do louco mundo
num segundo
antes do próximo amanhecer
de não fenecer
em desesperança
de inventar
de alegria um motivo
de ler agora um novo livro...

na poesia a possibilidade
de perceber
a poesia
presente
em cada dia...

se a laranjeira frutificar...

sentimentos
difícil atendê-los
impossível entendê-los...

aparecem de mansinho
ou repentinamente chegam
não sabemos por que
no entanto
tantas vezes
incomodam tanto...

perturbam mais entretanto
a quem os cultiva
a quem os cativa
com pequenos pensamentos
com outros pequenos sentimentos...

por alguns não esperamos
ou ignoramos presença
certo é
e não casualmente
surpreendem-nos
antecedem-nos...

arregalamos os olhos
boquiabertos ficamos
não
não há engano
a pura inveja despertamos...

sentimento vil
corriqueiro
sentimos ter de expressar
mas não nos podemos calar...

confessamos
gostaríamos de entender
porém
melhor não mexer em vespeiro...

na infância ouvíamos dizer
só irão apedrejar
se a laranjeira frutificar...

se encontrares
amigo
em teu caminho
este sentir diminuto
adianta teu passo
desvia teu olhar
muito tens a frutificar...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

estranhos terrestres objetos

                                                                                   photo by maude
                                                                                    

houve um tempo em que as estrelas
piscavam os olhos lá do céu...

ficávamos a observá-las
tantas eram
há tantas eras
imaginação ligeira corria
ia a noite
à beira da porta sentados...

boieira...
primeira ao anoitecer
olha o aradinho...
o cruzeiro do sul...
lá temos um planeta...
alguém mais versado explicava
e havia estrelas cadentes
todinho o céu cintilava...

num primaveril ventoso dia
algo aos galhos chega
em revoltas piruetas
quem sabe um pássaro...
talvez uma estrela descontente...

estranhos terrestres objetos
estão nos céus
nas águas
nas ruas
nos pátios
nas calçadas...

houve um tempo...
ouve...
agora outro tempo...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

a lua estava por perto

                                                                                                     photo by maude

restringe-se espaço
ao lado significa
posse...

amar quer dizer
domesticar...

alma sem voo
fenece...

sem primavera coração
envelhece...

tristeza marca presença
desaquece alma
treme corpo
em águas turvas mergulha o olhar...

curva-se a vontade
na paciência necessária...

carrega-se o peso da trajetória
vitória tem preço...

sem  perceber
a lua estava por perto...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

interna a grande viagem


                                                      photo by marília



interna a grande viagem
bagagem de história
a tiracolo olho e ouvido
mala de mão da memória...

na percepção da arquitetura da folhagem
da breve escultura da nuvem
do intrincado design das células
da matemática da asa da libélula
da equação dos pingos de chuva
da singular composição da pena do pavão
da química imperceptível da primavera
da sonoridade da canção inaudível
da incrível perícia do beija-flor...

na percepção do esplendor
do micro 
do macro universo
mundos e estrelas dispostos
cadentes corpos
planetas nascentes
e os humanos cá descontentes...

interna a grande viagem
as demais pouca importância
aplacar interna ignorância
este o verdadeiro sentido
atentos olho e ouvido...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

da amizade o universo

da amizade o universo se amplia
qual magia
no afeto
na comunhão de sentido...


da amizade o universo se amplia
no sorriso matinal
na disposição de aprender
na alegria de conviver...